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Entretenimento
Homens altos

As vantagens e desvantagens de ser muito alto

Ser bem alto é bom, mas exige sacrifício 28/08/2012 às 09:02
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João 'pregou' o monitor do computador em uma altura compatível
Elaíze Farias Manaus

 Chamar atenção poderia ser a legenda de qualquer foto de um homem altíssimo, porque é exatamente esta a reação diante de um homem com altura que ultrapassa os 1,90 metro. Em uma terra como Manaus, onde predomina uma população com altura mediana ou baixa, homens altos podem ser considerados, imagine só, exóticos.

 Não que eles reclamem. Pelo contrário, todos estão satisfeitíssimos com sua altura, mas admitem que algumas pequenas dificuldades acabam se transformando em transtornos diários.

Ou seja, o mundo pode ser mais maravilhoso para quem olha de cima, mas também pode ser bastante apertado e, se a saúde não for boa, um tiquinho dolorido. Sobretudo na região das costas.

Vida Dura

Entre os quatro homens acima de 1,90 m entrevistados para esta matéria algumas queixas são unanimidades: dificuldade para encontrar calçado (a média é 44) e roupa com seu número, desconforto em viagens de avião (a preferência sempre é pela poltrona do corredor e na porta de emergência) e em veículos pequenos e até mesmo em casa. A cama, como não
poderia de ser, deve ser o modelo king size, mesmo para os solteiros.

Olhares

Natural do Rio Grande do Sul, o professor de Educação Física da Universidade Federal do Amazonas, João Otacílio Libardoni, 30, mora em Manaus há três anos e passa rotineiramente pela experiência de “chamar atenção”.

Como o trabalho exige, Libardoni viaja regularmente ao interior do Estado. E é lá que seus 1,92 metros são mais evidentes. “Vou muito ao interior porque trabalho com ensino à distância. Nos municípios, minha altura causa uma certa estranheza. As pessoas te olham diferente. Estive em Maraã e percebi que cochichavam quando eu passava”, afirma ele, que tem um irmão de 2,04 metros.

Libardoni conta que quando chegou a Manaus andava muito de ônibus. Em pé, as dificuldades não eram tantas. Mas se havia lugar vago, o jeito era sentar no corredor, para não ficar no aperto e não incomodar outro passageiro.

Esporte ajudou a esticar

O empresário manauara Valdir Viga, 33, superou expectativas da família, alcançado os dois metros de altura. Filho de pai gaúcho e mãe amazonense, acredita que a prática de esporte na adolescência lhe ajudou a “esticar”. “Com 13 anos, estava com 1,70 metro e entrei para o time de basquete. Joguei até os 26 anos e hoje integro a seleção master”, diz.

Casado e pai de um menino, Viga, é desencanado com altura, mas aponta dificuldades no dia a dia. “É mais difícil encontrar roupa, principalmente camisa e sapato. Só encontro do meu gosto em São Paulo ou Miami. Em Manaus, compro o que tem na loja”.

 Casado com uma mulher de 1,70m, Viga diz que sabe que a estatura elevada pode provocar problemas na coluna, mas afirma que a prática de esporte ajuda a evitar enfermidades. O funcionário público Gean Flávio de Araújo Lima, 38, precisou adaptar os móveis da casa para ficarem compatíveis com os seus 1,94m, pois em geral a mobília é baixa para sua altura.

 As roupas também sempre necessitaram de ajustes. “Difícil é ter roupa com comprimento ideal. Normalmente, falta pano e mando desfazer a bainha e colocar outra. Também não posso escolher sapato: levo o que servir”, diz o empresário.

 Lima precisou trocar o carro popular por um veículo mais caro por comodidade. Embora seja filho de amazonenses, cujo biotipo em geral é mediano, ele chama mais atenção do que gostaria. Os cabelos e os olhos claros confundem as pessoas, que chegam a pensar se tratar de um turista.