Publicidade
Entretenimento
Vida

Atenção pais! Ingestão acidental de objetos por crianças é mais comum do que se pensa

Pais têm papel fundamental para evitar que seus filhos vivam estes causos; confira como previnir e como agir na hora da agonia 16/10/2015 às 15:58
Show 1
Chaves e pequenos objetos são facilmente engolidos pelos pequenos
Loyana Camelo Manaus (AM)

Às vezes basta uma rápida distração para acontecer o pior: na sua curiosidade natural, a criança leva à boca um pequeno objeto e o engole. Quando notam o ocorrido, pais mais nervosos tomam atitudes visando ajudar, mas sem saber, podem prejudicar ainda mais seus filhos nessa situação. E o que seria o mais certo a se fazer em situações desesperadoras como esta?

O questionamento é válido principalmente porque  isto é mais comum do que se imagina. O gastroenterologista com atuação em endoscopia pediátrica, dr. Fabiliano Rodrigues, diz atender todos os dias pelo menos um caso de acidente por engolimento de corpo estranho. Segundo ele, a frequência é tão grande que, antes de tudo, faz-se necessário abordar o aspecto preventivo.

“O parâmetro objetivo mais importante é evitar o acesso da criança a qualquer objeto que caiba na boca dela”, afirma  o médico. Quanto ao limite de idade para se ter mais cuidado, dr. Rodrigues diz que até os quatro anos os pais precisam ficar bem atentos porque a criança está vivendo a fase oral, mas não se deve descuidar dos mais velhos, por questões comportamentais típicas da infância.

Casos corriqueiros

O gastroenterologista aponta que na área da alimentação são bem corriqueiras deglutições acidentais de espinhas de peixe e de grãos. “Infelizmente, há um pouco de displicência dos pais com relação ao catar os peixes. Há que se preocupar em fazer a seleção bem minuciosa da carne, para tentar identificar as espinhas, senão passam despercebidas”, comenta. 

No caso dos grãos, quando cozidos, estes devem ser totalmente triturados porque crianças abaixo de quatro anos não têm a capacidade de trituração (por não possuírem ainda molares e pré-molares). Os crus, então, precisam ser mantidos à distância, senão podem ocorrer situações como as que viveu Adriele Azevedo, mãe de Adriel, de 1 ano. 

Numa virada de costas dela o pequeno colocou um grão de feijão cru na boca. Na tentativa de ajudar o filho, Adriele colocou o dedo na garanta da criança, mas não resolveu o problema (pelo contrário, acabou machucando-o). O grão acabou indo parar na via respiratória de Adriel, que ficou  quase uma semana internado no hospital com complicações. Ele só teve alta na quarta dessa semana. A mãe comenta que aprendeu com a experiência.

“Antes eu guardava comida na parte de baixo do armário da cozinha e agora vou colocar em cima. As minhas jóias ficarão longe dele também. Eu já tinha cuidado, mas agora, vou ter mais ainda. O tempo em que eu estiver acordada será só pra ele”, afirma Adriele.

Dr. Fabiliano Rodrigues frisa que a postura dos pais deve ser mesmo o de supervisão constante. “É preciso sempre ter alguém perto para supervisionar a criança, principalmente quando ela está brincando. Os brinquedos não podem ter a dimensão menor do que a boca dela. Se couber, é preferível trocar o objeto”, alerta.


PASSO A PASSO: O que fazer na hora do acidente

1 -  Logo que acontece o acidente, o primeiro passo é acalmar a criança. Isso porque, segundo dr. Fabiliano Rodrigues,  em quase 100% dos casos, a criança não fica com impedimento respiratório, apenas com dificuldade. Esta pode ser intensificada pelo estresse e nervosismo;

2 -  Não tentar tirar o corpo estranho. “Se  este estiver parcialmente deglutido, o contato com o dedo pode obstruir totalmente o canal onde ele se encontra”, alerta o médico;

3 -   Evitar forçar o vômito. Quando o objeto estranho chega até o estômago, forçar a sua saída através do vômito fará com que este refaça o trajeto de entrada de forma ainda mais violenta. Caso a ingestão tenha sido de produtos cáusticos, sua volta para o esôfago provocará novas queimaduras;

4 -  Levar a criança para o serviço de emergência mais próximo.


SAIBA +

Nada de ‘empurrar’ com comida

Uma atitude já bem antiga e passada de geração para geração é a de, no momento do acidente,  dar alguns alimentos (como banana, miolo de pão) para a criança a fim de ajudar na passagem do alimento. Dr. Fabiliano Rodrigues desaconselha isso, principalmente se ela já vomitou. Isso porque a necessidade de se fazer o exame de endoscopia  é grande e, para isso, será preciso aplicar anestesia. “O estômago da criança deve estar vazio antes da anestesia. Qualquer coisa que ela tenha comido retardará seu efeito. A não ser que seja uma grande emergência, mas se incorre em riscos”, alerta.

DESTAQUE: Quando a criança chega à unidade de emergência, de primeira é feita uma avaliação clínica para saber as condições do que foi engolido. São feitos exames como raio X, ou caso trate-se de ingestão de produtos cáusticos, exames de sangue. E  imediatamente é iniciada a preparação para o centro cirúrgico, porque a endoscopia só pode ser feita neste.