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Ator local é selecionado para participar de residência artística com o diretor Eugenio Barba

Natural de Porto Velho (RO), o ator, bailarino e professor Francis Madson foi um dos 18 selecionados da América Latina para participar de workshop com diretor da Odin Teatret, uma das maiores companhias teatrais do mundo. Madson é o único representante da Região Norte. Treinamento em nível de excelência é destinado a diretores, atores e acadêmicos da América Latina que possuam alta esfera de experiência no âmbito teatral 30/11/2012 às 03:12
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Cena do solo '[OFF] Inferno ou lave os céus para que eu morra', encenado por Francis Madson
Laynna Feitoza Manaus, AM

Representando o Amazonas, o ator e bailarino Francis Madson está entre os 18 artistas da América Latina selecionados para participar da 5ª edição da residência de intercâmbio artístico intitulada ‘A Arte Secreta do Ator’, com o treinamento ‘Como Pensar Através de Ações’.

A residência artística será ministrada pelo diretor do grupo de teatro dinamarquês Odin Teatret – uma das maiores companhias teatrais do mundo - e um dos maiores renomes mundiais da criação de novos conceitos artísticos no teatro, o teórico italiano Eugenio Barba. O workshop terá a duração de cinco dias, no período de 12 até o dia 17 de dezembro, e acontecerá em Brasília, no Distrito Federal. Natural de Porto Velho (RO), Madson foi o único selecionado da Região Norte do país a integrar o rol de participantes da oficina.

O workshop, que já é desenvolvido por Barba há quatro anos, consiste em um treinamento em nível de excelência destinado a diretores, atores e acadêmicos da América Latina que possuam alta esfera de experiência no âmbito teatral. O projeto é realizado exclusivamente no Brasil.

Programação

Residente em Manaus há 5 anos, Madson explicou sobre o conteúdo programático previsto para a oficina. “O workshop estará trabalhando as ações artísticas com o pensar através dessas ações. Serão trabalhadas as ações físicas, o processo de ação e reação do ator, a criação de partituras físicas, de estrutura física, composição e estética”, ressaltou o ator, dizendo que, dos 18 participantes da oficina, dez foram inscritos como atores e oito como diretores.

Como ator, Madson lembrou que, ao participar da oficina, terá que expor um ato teatral ao idealizador do workshop, Eugenio Barba. “A oficina tem um tema pré-estabelecido, então eu terei que criar uma cena para apresentar ao Eugenio Barba. Ele vai trabalhar em cima dessa cena, e a partir disso ele vai desenvolver naturalmente toda a metodologia durante os 5 dias”, assegurou Francis.

Seleção

O processo de seleção para integrar a residência artística é composto pela análise de três quesitos fundamentais, conforme o bailarino, que contou sobre como procedeu em busca da participação na oficina.

"O workshop foi divulgado na página aartesecretadoator.blogspot.com, e lá eu pude ler o edital e fiz uma carta de intenção para eles (os organizadores). Enviei meu currículo artístico e disponibilizei um vídeo para que eles pudessem fazer a apreciação do trabalho que eu já realizo, no meu caso e o da Cia. Cacos de Teatro (companhia da qual Francis é membro). Eles fizeram a análise desses três pontos, aí me selecionaram e perguntaram se meu interesse era participar como ator ou diretor desse processo, e acabei me inscrevendo como ator. Mandei para apreciação o vídeo do espetáculo ‘[OFF] Inferno ou lave os céus para que eu morra’, primeiro solo da Cia. Cacos”, pontuou o artista.

'É necessário potencializar a formação do artista amazonense'

Graduado em Dança pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e formando em Licenciatura em Teatro pela Universidade de Brasília (UnB), Madson é também professor de Iniciação Teatral e de Laboratório e Interpretação no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, e destacou a discussão vigente neste tópico. “Em relação à arte, a grande problemática é se ela precisa ser arte e educação, ou se a arte por si só já é um processo de educação”, levantou o ator.

Para o docente, é preciso investir com urgência na formação do artista do Amazonas. “Eu acredito particularmente que é fundamental nós pensarmos hoje, no AM, na formação do artista amazonense. Não que já não seja pensada, mas precisa ser potencializada por ser necessário em todos os níveis artísticos, como teatro, dança, e artes plásticas. É necessário criar maiores centros de desenvolvimento de pesquisa para essas áreas, criar cursos livres potencialmente mais objetivos. A minha principal função enquanto educador é adentrar mais nesse campo da pedagogia, do ensino, da formação, para criar um campo possível de diálogo com a sociedade e fazer esse intercâmbio entre o artista e o público, perceber as fragilidades da área e tentar sanar na medida do possível”, esclareceu Madson.

Quando fala em potencializar a formação dos artistas amazonenses, Francis não foca apenas na formação acadêmica. “Quando eu falo em formação, ela não precisa ser necessariamente acadêmica, porque a academia colabora, mas não é a única resposta. Seria interessante tentar colocar Manaus no centro de travessia de informações, que é o que falta. Fazer esse trânsito para multiplicar essa realidade”, certificou o ator.

Fragmentos da expectativa

Ser selecionado para um participar de um treinamento de excelência ministrado por um dos maiores estudiosos das artes cênicas do mundo trará adições, principalmente, à carreira trilhada por ele na educação artística, de acordo com o bailarino.

“A oficina cooperará consideravelmente pela importância de Eugenio Barba, pela importância de eu estar representando o Amazonas e a Região Norte, e poder trazer essa vivência vai afetar minha vida de modo que eu vou poder viver isso junto com os meus alunos, junto com os membros da companhia, e com quem eu me relacionar a partir dessa experiência. Como docente vou procurar extrair questões para verificar como é que eu posso utilizar as questões e atuar com elas dentro do Cláudio Santoro, dentro de algum curso que eu vá ministrar futuramente”, salientou Francis.

'Eugenio Barba pensa o ser humano e em como ele constrói linguagem'

Sobre Eugenio Barba, Francis evidenciou que o teórico é um dos grandes pesquisadores do teatro do século 20 e 21. “Ele vem atravessando décadas com um teatro muito singular, estabelecendo assim um pensamento além de uma construção estética, e de um pensamento teórico e prático de uma arte milenar como o teatro”, avaliou.

“Ele traz para o artista do século 21 questões essenciais que precisam às vezes ser revezadas em detrimento de uma necessidade que o homem possui de falar de si mesmo. Creio que o Eugenio Barba coopera hoje tanto pelos livros que já escreveu, quanto pelos trabalhos que vem apresentando. Também por atuar na criação efetiva dos trabalhos, no pensamento e no teórico, e por esses dois caminhos ele constrói algo que nos permite entender o que ele está produzindo e o que nós estamos produzindo. Ele pensa essencialmente o ser humano e em como o ser humano constrói linguagem”, concluiu Francis Madson.