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Badi Assad traz autorais e versões do pop alternativo internacional em ‘Singular’

Celebrando 25 anos de carreira, cantora, compositora e violonista reúne músicas autorais e canções de grupos como Lorde, Hozier, Mumford & Sons, Skrillex e Alt-J em álbum 01/12/2016 às 05:00
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No ensaio para “Singular”, com registros de Alfredo Nagib Filho, Badi exibe figurino confeccionado em papel e plástico, criação da estilista Iza Graça (Foto: Alfredo Nagib Filho/Divulgação)
Jony Clay Borges Manaus (AM)

Quando Badi Assad se incumbiu de lançar um álbum para o mercado norte-americano, parecia natural que ela se voltasse para artistas do blues e do folk cantado em inglês, como Bob Dylan e Eric Clapton. E esse era mesmo o plano da violonista, cantora e percussionista paulista.

Até que um produtor lhe sugeriu uma guinada total: em vez de buscar nomes já regravados à exaustão, buscar novos artistas que estão se destacando no cenário musical. Assim surgiu “Singular”, em que ela reúne autorais e versões do pop alternativo internacional, de gente como Lorde, Mumford & Sons, Skrillex e Hozier.

Para Badi, os artistas indicados pelo produtor foram uma grata descoberta. “São artistas que estão reinventando a cena mundial, trazendo instrumentos acústicos de volta ao cenário e com conteúdo no que se propõem a cantar”, comenta ela, em entrevista por telefone à reportagem.

Toque particular
Entre as versões do novo álbum, seu 14º de carreira, Badi incluiu “Royals”, de Lorde; “Sedated”, de Hozier; “Stranger”, de Skrillex; e “Little lion man”, de Mumford & Sons. Como de hábito, a artista emprestou a cada faixa seu toque musical particular, de batidas afro-baianas em “Royals” a arranjos bossa nova em “Little lion man”.

“É um processo intuitivo e bem livre. Ouço a música e penso por que caminho posso levar aquela composição. As músicas me falam aonde querem ir”, diz.

Entre as canções autorais, há criações solo, como “Entrelaçar”, e também parceiras com gente como Zélia Duncan, com quem ela assina “Vejo você aqui”. “Zélia e eu somos amigas há muitos anos e nunca tínhamos feito nada juntas”, comenta Badi. “Essa música existe há muito tempo, e agora afinal gravamos”.

Trajetória
“Singular” também celebra os 25 anos de carreira de Badi, mas não foi programado. “Foi coincidência, mas é algo que tem a ver, pois minha carreira aconteceu muito internacionalmente”, comenta a artista, que circula com seu trabalho pelo mundo todo, graças a seu estilo único de expressão tanto por meio da voz quanto do violão.

“Essa particularidade foi uma de minhas conquistas no mundo. É difícil encontrar uma artista que leve o virtuosismo do violão para o universo do canto. Às vezes me perguntam, ‘Mas é você mesma que está tocando?’”, recorda, divertida. “Acho que consegui esse equilíbrio entre os dois universos”.

Embora não aparente para quem ouve, a conquista não foi sem esforço. “Eu me dediquei muito ao violão, não só na forma interpretativa, mas como curiosa mesmo. Pesquisei como instrumento percussivo, sentimental, temperado e por aí vai. E quando o canto passou a fazer mais parte da minha vida, também fui pesquisar o que fazer com esse instrumento humano. Não é do nada: são muitas horas de dedicação”.

Nas redes
Badi ainda espera pelo resultado de editais de circulação, e por enquanto não tem projeto de uma turnê comemorativa pelo Brasil. Mas, antenada como ela só, a artista se mantém próxima do público graças à tecnologia.

“As redes sociais estão vivas, meus perfis estão lá e eu mesma respondo, principalmente Facebook e Instagram. E no site tem um download gratuito de ‘Entrelaçar’, do novo disco”. Confira mais sobre a artista no Facebook (/badiassad), Instagram (@badiassad) e no site www.badiassad.com.


“Singular” é o 14º álbum na discografia da cantora, compositora e violonista (Foto: Reprodução)

 

BOX
Nos EUA e na Europa

Com direção musical de Carlinhos Antunes e produção de Ruriá Duprat, “Singular” foi lançado numa turnê de 40 dias pelos Estados Unidos, no final do ano passado, e a partir de maio passado, na Europa. E a recepção foi boa, como conta Badi. “O disco teve críticas muito positivas. Na Alemanha, uma revista deu a ele cinco estrelas, e outra disse que é o melhor de minha carreira”, recorda ela.

O lançamento no Brasil, por sua vez, trouxe um pouco de expectativa, segundo Badi. “Por ser um disco mais cantado em inglês, tinha curiosidade de ver como seria recebido, mas até agora as pessoas têm gostado”, comemora.

 

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Referências e gosto musical

Nesse período de formação, Badi teve diferentes referências a cada período, de brasileiros como Naná Vasconcelos, Egberto Gismonti e Michael Redis a internacionais, entre eles Björk, Tori Amos e Bobby McFerry. Hoje ela acredita seguir um caminho consolidado e próprio. “Há muito tempo ninguém me influencia”, brinca. Mas concede: “Recentemente, quem me deu uma vontade de fazer coisas diferentes foi o duo de franco-cubanas Ibeyi”.

Badi também compartilha alguns gostos musicais com a filha de 9 anos: “Agora ela descobriu e a gente ouve muito Adele. Ela adora e eu gosto muito. Admiro como ela consegue atrair a meninada com sua sonoridade densa”.