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morte trafico Manacapuru

Bandidos invadem casas em comunidade no interior do AM, torturam e matam agricultor

A primeira informação, dada por moradores, foi de que cinco pessoas tinham sido mortas. Contudo, a informação oficial da Polícia Militar é que há apenas um morte e um desaparecido 05/04/2012 às 07:16
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Corpo de Ozarias de Souza, agricultor que morreu na zona rual de Manacapuru
Ana Paula Sena Manaus

Moradores da Ilha de Paratari da Boca de Cima, zona rural do município de Manacapuru (a 88 quilômetros de Manaus), viveram momentos de terror nas mãos de bandidos por volta das 21h de terça-feira. Seis homens vestidos de preto, encapuzados e armados invadiram casas e agrediram e torturaram mais de dez pessoas, além de  matar o extrativista Ozarias Almeida de Souza, 24. O relato de testemunhas indica que eram traficantes colombianos.

Ele foi encontrado dentro  da própria casa com marcas de espancamento, duas facadas, uma no pé e outra no peito, além de um tiro no rosto.  Segundo a companheira de Ozarias, Eluana Nascimento, 19, ele não tinha nenhum inimigo e não era envolvido com o tráfico de drogas.

“Meu marido morreu de graça, nós não moravamos na ilha, tinhamos ido apenas ajudar a minha sogra na colheita da juta. Eu estava em Manacapuru desde segunda-feira porque estou grávida e sentia dores. Ele era muito companheiro e não merecia morrer assim”, desabafou.

Quem vivia na ilha decidiu abandonar as casas e os pertences com medo de que os bandidos voltem. O município de Manacapuru parou com as constantes informações que chegavam de pessoas vindas da comunidade, todas amedrontadas e em estado de choque.

Segundo informações de uma testemunha que não quis se identificar os bandidos chegaram em um barco, atiraram o e gritavam: “Cadê a droga”. Eles estavam em busca de 150 kg de cocaína que estariam escondidas na comunidade.

“Parecia que estávamos em uma guerra, muitas pessoas conseguiram fugir pulando no rio, se escondendo dentro do mato e canoas, mas quem não conseguiu escapar foi torturado”, afirmou a testemunha.

Uma dona de casa, que também não quis se identificar, revela que várias pessoas fugiram nadando e outras passaram a noite dentro de canoas em um igapó no meio do rio Solimões. “Era muita violência, todos pensaram que íamos morrer. Eu só consegui segurar meu filho e corri para igapó. Quando o dia amanheceu pudemos ver todos os estragos que eles causaram. As casas estavam todas ‘reviradas’ e algumas até destruídas”, disse a dona de casa.

A Policia Militar chegou no local às 9h da manhã desta quarta-feira (4), quando um morador da ilha conseguiu chegar em Manacapuru e contar o ocorrido. Uma pessoa ainda continua desaparecida.

O tenente Padilha, que comandou a operação, afirma que a polícia continuará na busca dos bandidos. “Já temos informações que podem nos levar aos autores do crime, mas não podemos revelar para não atrapalhar as investigações”, disse.

Informações de testemunhas também revelam que alguns bandidos seriam colombianos. Comandante da PM em Manacapuru, o  coronel Fabiano Bó explica que todos os comunitãrios serão ouvidos no inquérito policial.

Horas de terror em casa
O extrativista José Fernandes Campos, 62, foi um dos moradores da ilha do Paratari da Boca de Cima  agredidos e torturados. Ele conta que, quando os bandidos invadiram sua casa, já estava dormindo e acordou com os sons dos gritos e tiros disparados para cima.

“Eram seis homens que estavam vestidos com a mesma roupa, camisa, calça e botas preta, com armas muito grandes. Eles pareciam saber o que estavam fazendo”, relatou.

José Fernandes ainda conta que viveu momentos de terror nas mãos dos bandidos que a todo momento pediam para ele falar onde estava a droga escondida.

“Eu disse várias vezes que não sabia de droga nenhuma, mesmo assim eles me bateram muito e me enforcaram com pedaços de juta. Pedia pelo amor de Deus para não me matarem e eles me deixaram lá e seguiram para outra casa. Eu consegui entrar em uma canoa mesmo ferido e cheguei pela manhã no hospital de Manacapuru”, contam.

José ainda lembra que escutou sotaques de colombianos entre os criminosos. “Tinha pelo menos uns dois que não eram brasileiros, eles falavam com um sotaque diferente, por isso estamos com muito medo de voltar para nossas casas, eles são perigosos”, afirmou .

O extrativista foi o primeiro a chegar em Manacapuru, por volta das 9h, e  o primeiro  e dar a noticia a polícia.

Devido as informações de José de que supostamente mais de cinco pessoas poderiam estar mortas, muitas pessoas se desesperaram e ocuparam a rua do porto  esperando notícias.