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Vida

Beleza e morte em montagem de ‘Dorian Gray’

Adaptação fiel e bem realizada do clássico de Oscar Wilde teve estreia no último sábado, em Manaus 26/03/2012 às 09:03
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Clássico da literatura universal, “O retrato de Dorian Gray” ganhou uma versão para os palcos em Manaus
JONY CLAY BORGES ---

Clássico da literatura universal, “O retrato de Dorian Gray” ganhou uma versão para os palcos em Manaus. A montagem, escrita e dirigida por Paulo Altallegre, estreou no Teatro da Instalação, no último sábado, trazendo ao público uma adaptação fiel e bem realizada da narrativa de beleza, amor e morte escrita por Oscar Wilde (1854-1900). A encenação começa na sala de espera, com Dorian Gray, interpretado por Vicente Henrique, falando aos espectadores sobre beleza, exatamente como se estivesse num encontro na Inglaterra aristocrática do final do século 19, época em que a narrativa é ambientada.

 O prelúdio ajuda a plateia a se deixar envolver pela terrível história de Dorian Gray. Jovem amante das artes e de incrível beleza, ele encanta o artista Basil Hallward (Geraldo Langbeck), que pinta seu retrato. Sob influência das ideias amorais de Lord Henry Wotton (Altallegre), amigo de Basil, porém, ele sem querer faz um “pacto faustiano”, ao desejar que seu retrato pintado, e não ele, perca a beleza com o passar do tempo. Assim, enquanto os meses se passam, apenas o quadro revela a velhice e a vilania de Dorian, que se entrega a uma vida de luxúria e crueldade.

Apaixonado pela atriz Sybil Vane (Amanda Paiva), ele logo depois a despreza pela perda de seu talento, levando-a ao suicídio. Mais tarde, confrontado por Basil, acaba assassinando o amigo de outrora. Ao se dar conta da baixeza de seus atos, Dorian se arrepende e confessa seus pecados a Henry, para em seguida matar-se tomando veneno – liberdade com relação ao romance, em que o personagem se mata esfaqueando seu retrato.

Discurso e fala
Com uma cenografia eficiente, limitada ao essencial (duas cadeiras, uma mesa, um cavalete e um quadro), a montagem de Altallegre opta por explorar as ousadas ideias que Wilde coloca na boca de seus personagens – como a misoginia e o hedonismo do discurso de Lord Henry. Boa parte do espetáculo é calcada nos diálogos, e aqui o elenco se destaca não só trabalhando com desenvoltura as falas que tocam temas como beleza, virtude e juventude, mas ainda o subtexto homoerótico do livro original, em olhares, inflexões e carícias sutis.

Altallegre também enfatiza a associação entre beleza e terror nas cenas de morte, que trazem um forte apuro estético na conjugação de atuação, iluminação e cenografia. O respeito ao original, o bom trabalho do elenco e a produção simples e eficiente fazem de “Dorian Gray” um ótimo espetáculo e uma versão para os palcos à altura desse clássico da literatura de todos os tempos.