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Bonecos que animam o Carnaval amazonense

A história dos artistas que confeccionam os bonecos tradicionais do Carnaval 19/02/2012 às 12:01
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Os marotes animam o carnaval de rua em Manaus
Mellanie Hasimoto Manaus

Eles participam do Carnaval de Manaus há muitos anos, e divertem os foliões pela forma caricata de retratar os homenageados. Os bonecos mamulengos, ou marotes, já são parte da cultura da época, e os artistas que os confeccionam fazem tudo isso com muito talento e dedicação.

Um desses amazonenses é o “faz-tudo” do teatro, como ele mesmo diz, o artista Nonato Tavares. Ele é o responsável por confeccionar os bonecos que desfilam no Bloco do Frei, folia carnavalesca que vai acontecer Terça Gorda, no Centro histórico. “Quando retornei a Manaus e voltei para a rua Frei José dos Inocentes, tive a ideia de fazer um bloco de Carnaval. E, claro, nada mais adequado que fazer um boneco do frei”, disse.


Além do frei José, outras personagens animam o Carnaval da rua, e tudo inspirado em gente real, como a Nazinha, filha de escravos e baiana da G.R.E.S. Aparecida há muitos anos. “Temos também o Seu Zé, o dono do bar aqui das redondezas, e a Tita, filha dele, que será mais leve e as crianças poderão manipular a boneca”, acrescentou o artista.

Confeccionados com materiais reciclados devido à falta de recursos, os bonecos de Nonato têm estilo parecido com os de Olinda, medindo entre 4 e 4,5 metros, e com a diferença de que aqui eles são chamados de marotes. “Os marotes são confeccionados com vários elementos, e esse ano usei muita sobra de isopor e espuma, para dar volume nas faces”, explicou.

 Lasca!

A 25 quilômetros de Manaus, na vila Paricatuba, distrito de Iranduba, fica o ateliê do artista plástico e ventríloquo Paulo de Tarso, o “Paulo Mamulengo”. Ele é o responsável pela criação dos bonecos da Banda Independente Confraria do Armando, a Bica, além de outros personagens do Carnaval amazonense. “Meu negócio é lascar boneco no mundo!”.

Hilário, o próprio Paulo Mamulengo poderia virar boneco, por conta de seu modo de vida inusitado e liberal.

Prestes a encerrar as atividades deste ano, Paulo Mamulengo finaliza alguns bonecos encomendados pela Prefeitura de Eirunepé, com a colaboração de outras 30 pessoas que vivem na comunidade. “Estou fazendo 10 máscaras baseadas nos bonecos que já enviei para a cidade, mas não sei quem são aquelas pessoas. Depois daqui, vou pegar o dinheiro, pagar os meninos e vou me mandar para Olinda”, comemorou.

Paulo Mamulengo’: quatro décadas esculpindo

Paraibano nascido em Patos, sertão da Paraíba, Paulo confecciona bonecos há 40 anos. “Aprendi no Carnaval de Olinda, na rua do Amparo (ponto turístico da cidade), mas o meu estilo é diferente. Lá eles fazem o boneco perfeito, o meu é a caricatura do personagem”, conta. Paulo Mamulengo também é responsável por uma obra que deu o que falar, em meados dos anos 90: ele tentou construir o maior Judas do mundo, em Brasília, mas a peripécia não foi incluída no Livro dos Recordes (Guiness Book).