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Brad Pitt vai a Cannes sem Jolie para defender seu novo filme

O ator chegou a Cannes  para defender o gângster violento que interpreta no filme “Killing them Softly” 22/05/2012 às 08:55
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O ator Brad Pitt
uol/cinema ---

Wes Anderson pode ter aberto a competição com o doce “Moonrise Kingdom”, mas os dois americanos que vieram depois dele na competição primaram pelo banho de sangue. Depois do violento “Os Infratores”, Brad Pitt chegou a Cannes sem Angelina Joline para defender o gângster violento que interpreta no filme “Killing them Softly” – ao contrário do que indica o título (Matando-os Suavemente, em tradução literal), as cenas de assassinato não economizam no esforço de chocar o espectador.

Pitt chegou com os cabelos na altura dos ombros, retomando um pouco o visual de “Lendas da Paixão”, de 18 anos atrás. Na entrevista coletiva, os jornalistas o bombardearam com perguntas de todos os tipos – quais suas posições políticas? Ele não tem problema em ser pai de filhos pequenos e fazer um filme tão violento? Quando vai filmar de novo com Angelina Jolie?

Ainda com sono, ele desabafou: “Vamos combinar uma coisa: não vamos mais fazer coletivas antes da uma da tarde, ok?”. Mas, paciente, foi respondendo a tudo: “Sou democrata, estou mais alinhado à esquerda. Mas não recuso personagens que tenham uma visão diferente da minha”. “A violência é um elemento natural do mundo dos gângsteres. Eu teria mais problema em fazer um personagem racista”. “Adoraria trabalhar com Angelina de novo, mas agora ela está preparando outro filme ("Maleficent", filme dark sobre a Bela Adormecida). Ainda estamos esperando a aprovação do casamento gay”, brincou.

América em crise

O diretor é Andrew Dominik, com quem Pitt já havia feito “O Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford”. Se “Jesse James” marcava uma espécie de agonia do western, “Killing them Softly” mostra gângsteres em crise, com alusões constantes à crise econômica americana de 2008, ao fim do governo George W. Bush e o início do mandato de Barack Obama na presidência dos EUA.

Para Pitt, o novo filme faz um comentário sobre o estado do mundo (e dos EUA) hoje. Ao contrário do seu personagem, que diz que os EUA não são um país, e sim um negócio, ele é mais otimista. “A América também é inovação, integridade, senso de justiça. Mas esses ideais precisam ser protegidos. Quanto mais poderosa a nação, maior o risco de se escorregar e cometer erros”, falou.

Tudo por dinheiro

O neozelandês Andrew Dominik, que dirigiu o filme de forma independente tendo Pitt como um dos produtores, diz que se interessou por personagens que são motivados única e exclusivamente pelo dinheiro. “É o que eu conheço dos EUA, especialmente de Hollywood. As pessoas só pensam em dinheiro lá”, atacou.

“Killing me Softly” bebe na fonte dos filmes de Martin Scorsese, como “Os Bons Companheiros” e “Os Infiltrados”, mas mostra bandidos vacilantes e sem muita coragem. Pitt é Jackie Cogan, assassino contratado que precisa limpar a sujeira à sua volta quando os outros vacilam. James Gandolfini, o eterno Tony Soprano, faz um ex-grande assassino em decadência que agora vive bêbado e cercado de prostitutas, sem conseguir “trabalhar” mais direito. A crise econômica, parece dizer o diretor, foi só a ponta do iceberg de uma grande crise de valores que corrói a América – mesmo a América da bandidagem, que precisa de um mínimo de princípios para sobreviver. O filme tem estreia garantida no Brasil, mas ainda sem data definida.