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Problemas saúde mulheres

Brasileiras sofrem com problemas intestinais, revela pesquisa

Os médicos esperam que o estudo ajude as mulheres a derrubarem certos tabus em torno da saúde intestinal e da mudança de hábitos 10/09/2012 às 08:48
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Casos mais comuns são gases, sensação de peso e prisão de ventre
Luciana Santos Manaus

Problemas intestinais são comuns a 67 % das brasileiras. O número foi revelado pelo Estudo SIM Brasil (Saúde Intestinal da Mulher), uma iniciativa da Federação Brasileira de Gastroenterologia em parceria com o Danone Research, que fez o primeiro mapeamento em escala nacional da saúde intestinal da mulher brasileira e dos impactos em sua qualidade de vida.

Pioneira, a pesquisa ouviu 3.500 mulheres em dez cidades brasileiras e constatou que os problemas gastrointestinais mais comuns são gases, inchaço, sensação de peso e prisão de ventre. E o desconforto é democrático: atinge todas as classes sociais, em todas as regiões do País, e a maioria delas sofre com esses males há muito tempo e percebem a piora dos sintomas com o avançar da idade.

Humor

Metade das participantes alegou sintomas como cansaço e perda de concentração; outras 69% relataram impacto negativo no humor; e 57% delas revelaram ter a vida sexual afetada pelos transtornos intestinais. Os dados apresentados fazem parte da primeira fase da pesquisa, mas o resultado inicial possibilitou relacionar as queixas apresentadas pelas entrevistadas a três grupos de causas prováveis: hábitos alimentares inadequados, estilo de vida estressante e atitudes relacionadas à própria saúde.

O gastroenterologista e professor titular da Universidade de Campinas, Flávio Quilici, afirma que os dados revelados pelo Estudo SIM vem confirmar uma realidade que os profissionais há algum tempo observavam no dia a dia dos consultórios e que os números são o ponto de partida para um trabalho de conscientização das mulheres sobre a necessidade de dedicar uma atenção maior à saúde intestinal.

 “O estudo revela a real dimensão do problema. Muitas entrevistadas sabiam da importância de uma alimentação saudável e da prática de exercícios, mas alegavam não ter tempo para isto por conta da correria do dia a dia. É preciso abrir os olhos delas para o fato de que muitos desses problemas podem ser revertidos sem o uso de remédios. Um iogurte pela manhã, por exemplo, pode fazer uma diferença brutal”, ensina.

É necessário romper tabu

O Estudo SIM também constatou que questões culturais afetam a saúde intestinal da mulher. O tema ainda é considerado um tabu entre as brasileiras, impedido que elas mencionem até mesmo nas consultas médicas sofrerem de algum desconforto crônico. A psicóloga e consultora da pesquisa, Pamela Magalhães, lembra que as mulheres, ao contrário do que ocorre com os homens, são educadas desde criança para tratar a necessidade de evacuar como um tema “sujo” e que essa ideia é internalizada ao ponto de o organismo funcionar mais lentamente.

 “A mulher é criada com essa ideia de pureza, com o estereótipo da limpeza, de não poder evacuar fora de casa. É como se essa necessidade fisiológica não fosse algo positivo e de tanto a mulher segurar a vontade de ir ao banheiro, o cérebro entende que essa função não é tão necessária. É preciso romper com esse tabu”, destaca.

Segundo a psicóloga, a dificuldade em se relacionar com o próprio intestino está tão enraizada entre as brasileiras que elas o vêem como um órgão a parte, como se não fizesse parte do organismo. “Elas enxergam o intestino como bode expiatório, como o órgão problema, mas precisam enxergar de forma integral, que se o intestino não vai bem é porque não estou em harmonia. Preciso entender porque estou tendo uma má limentação, deixando de fazer exercícios, fazendo escolhas autodestrutivas. É um ciclo vicioso que precisa ser mudado”, alerta.