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Realismo ‘à flor da pele’

Brasileiro faz sucesso pelo mundo criando tatuagens realistas em 3D

Mineiro Fábio Fontinelle foi convidado por grandes estúdios da Califórnia para ensinar a técnica de desenho 3D 08/05/2016 às 13:58
Show tatoo
Mineiro ganhou primeiro kit de tatuagem ainda na adolescência e não parou mais
Natália Caplan Manaus

Algumas pessoas aprendem a ler, cozinhar ou até desenhar sozinhas. Mas e quando o artista se descobre um tatuador nato? Essa é a história de Fábio Fontinelle, 29, nascido no interior de Minas Gerais e uma das principais referências quando o assunto é tatoos em “3D”. Ainda na adolescência, ele foi presenteado pelo próprio pai com o primeiro kit profissional. Confira alguns trabalhos incríveis do tatuador aqui.

"Desde criança, sempre gostei de desenhar e fiquei fascinado ao imaginar que poderia fazer um desenho que ficasse para sempre na pele”, disse ao ressaltar o fato de ser autodidata. “Não tive a oportunidade de frequentar os dispendiosos cursos de arte, meu pai deu meu primeiro kit e, assim, comecei a tatuar amigos e parentes”, lembrou.

No Brasil, o mineiro passou por estúdios famosos do Rio de Janeiro, como Koi Tattoo e Masters of Tattoo. Há dois anos, às vésperas de uma viagem para Los Angeles (EUA), ele recebeu convites para conhecer e compartilhar a técnica inusitada em cinco estúdios da Costa Oeste dos Estados Unidos. Hoje, o tatuador mora e atua no Propaganda Tattoo, em San Diego, na Califórnia.

Em 13 anos de profissão, Fontinelle nem imagina quantos trabalhos já fez. No País, atuou em alguns estúdios de Brasília (DF) e nos famosos Koi Tattoo e Masters of Tattoo, ambos no Rio de Janeiro. O segundo, inclusive, é o maior e mais premiado estúdio da América Latina. Em 2013, recebeu o prêmio de melhor tatuagem no Expo Tattoo Maceió, onde concorreu com artistas de diversos países.

Nos Estados Unidos, participou da High Desert Expo Tattoo 2015 e da Musink 2016 — organizada pelo baterista da banda Blink 182, Travis Baker. “Por mais que eu achasse que isso jamais aconteceria, eu sempre tive esse sonho, eu sempre desejei isso, sempre me imaginei fazendo um bom trabalho e sendo reconhecido internacionalmente, de uma forma acho que acabei atraindo um pouco isso de tanto que sonhei”, declarou.

Reconhecimento internacional

Outra razão para Fontinelle escolher os Estados Unidos se deve às possibilidades que encontrou em seu segmento específico, das tatuagens realistas e hiper-realistas. Como os próprios nomes sugerem, são criações que se aproximam ao máximo da realidade. Fotografias que quase saltam da pele e dão a impressão de estarem em 3D.

“Consolidei minha carreira no Brasil e senti que era o momento de expandir horizontes e aprimorar conhecimento. O mercado americano, sobretudo o da Costa Oeste, valoriza muito mais os tatuadores, diferentes expressões dessa arte”, explica, ao ressaltar a importância da arte para ele. “É onde encontro a minha paz, foi o que me deu tudo que tenho hoje”, finalizou.

Três perguntas para Fábio Fontinelle

Qual foi a tatuagem que você fez que mais te marcou?

A tatuagem mais marcante que fiz foi uma garrafa de Jack Daniels, que eu tatuei na coxa de um cliente há três anos. Eu estava em um evento e fiz essa tatuagem por nove horas seguidas. Quando terminei, recebi muitas críticas boas e foi um marco na minha evolução. A partir daí comecei a gostar mais de tatuagens realistas.

Quantas tatuagens já fez na sua carreira? E quantas você tem?

Não tenho a conta, mais já tatuo há 13 anos então provavelmente umas 5 mil. A tatuagem realista exige muito mais paciência e atenção aos detalhes, um pequeno erro e aquilo que é real pode se tornar diferente do desenho que vai para sua pele. Fiz minha primeira tatuagem aos 14 anos, mas já perdi a conta de quantas eu tenho.

Como saber se o estúdio/tatuador é de confiança?

Tem que ser alguém com quem a pessoa se identifique e que passe segurança. Também sempre devemos ficar atentos aos aspectos de limpeza e uso de descartáveis. A higiene é o fator número um.