Publicidade
Entretenimento
CULINÁRIA

Brigadeiro de farinha? Conheça pratos feitos com a queridinha dos amazonenses

Das tradicionais farofas até aos doces, a farinha é capaz de extrapolar a barreira entre coadjuvante e protagonista, levando-a ao status de estrela 12/11/2017 às 19:19 - Atualizado em 12/11/2017 às 19:21
Show 758
Foto: Antônio Lima
Juan Gabriel Manaus (AM)

Alimento presente na dieta (e no coração) de dez a cada dez amazonenses, a farinha desperta curiosidade não só de quem a escolhe como acompanhamento de diferentes pratos, mas também de quem os faz. Sua versatilidade é capaz de extrapolar a barreira entre coadjuvante e protagonista, levando-a ao status de estrela em receitas um tanto quanto diferentes, que vão desde o preparo das tradicionais farofas até doces como o brigadeiro.

Há dez anos no ramo gastronômico, a empresária Socorro Tapajós é a figura por trás da rede de restaurantes “Tacacá da Tia Socorro”(@tacacadatiasocorro), especializado no típico prato da região Norte e que dá nome ao local. Mas se engana quem pensa que é só da iguaria à base de tucupi que o cardápio da casa é feito. O estabelecimento oferece algumas opções diferenciadas de farofa, como a farofa de camarão e a exclusiva farofa da Vó Noca, à base de uma mistura de carne e banana frita.


Foto: Antônio Lima

Socorro explica que ambas as receitas foram inspiradas em lembranças do passado. A de camarão traz para a empresária o sabor da infância em sua cidade natal, Santarém do Pará, enquanto a da Vó Noca é uma adaptação de uma receita de família.

“Quando eu era criança morava ao lado de uma tacacazeira. Todo dia pedia dinheiro pra minha mãe pra ir lanchar tacacá, só que nem sempre dava, então comecei a tomar só o tucupi e guardava os camarões pra comer mais tarde com farinha. Daí surgiu a farofa de camarão, que foi feita para comer com açaí. Já a da Vó Noca, é uma versão de uma farofa que minha avó fazia para os netos, a única diferença é que passei a acrescentar banana frita”, conta Socorro.

Empanados

Para os nortistas, é quase um crime inafiançável comer um bom peixe sem um punhado generoso de farinha ao lado. Mas para o chef de cozinha Felipe Schaedler, ter a farinha ao lado ainda não era o suficiente. Foi então que o chef responsável pela cozinha do restaurante Banzeiro (@restaurantebanzeiro) decidiu ir além ao utilizar a farinha do uarini para empanar pratos como pirarucu e até camarão.

“Como a gente já tem o tradicional empanado à milanesa, fizemos uma releitura pra farinha do uarini trazendo pro regional. Já faz uns oito anos que as versões estão no cardápio e o preparo é totalmente igual aos empanados convencionais. O público gosta, principalmente do pirarucu, que é o mais solicitado e todo dia sai. Sempre dizem que fica bonita e criativa a decoração por causa da farinha”, explica a chef de cozinha Evanilze Gomes, que comanda a cozinha do restaurante ao lado de Felipe.


Foto: Antônio Lima

Sobremesa

A chef de cozinha e dona de uma das pâtisseries mais célebres de Manaus, Talita Avelino (@ateliertalitaavelino) inovou ao dar um uso totalmente inusitado para a farinha. Longe dos peixes e dos pratos mais comuns dos quais a farinha costuma fazer parte, ela decidiu incorporar o item a doces como brigadeiros, chocolates e até crumbles. A ideia, um tanto quanto inusitada, surgiu após um convite para participar de uma feira de rua com temática local. Foi na combinação que ela viu a melhor forma de regionalizar um dos doces mais queridos pelos brasileiros.

“Bom, na verdade eu ia participar de uma feira de rua e queria fazer doces regionais. A farinha me veio por que eu vejo que ela é um alimento ‘neutro’, pode ser tanto doce quanto salgada, o sabor dela permite isso. Eu queria fazer um brigadeiro crocante com um sabor regional, então eu coloquei castanha do Pará, farinha do uarini e açúcar. Uma das formas que eu pensei pra esse doce foi pegar a farinha e usá-la como o confeito tradicional. Também fiz com trufas para uma festa regional e deu supercerto, desde então passou a fazer parte do cardápio da loja”, revela