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Jogos simples ajudam a evitar doenças e melhorar qualidade de vida na terceira idade

Segundo especialistas, idosos não apenas se divertem, mas fazem amizades e garantem melhor saúde mental 17/04/2016 às 10:41 - Atualizado em 17/04/2016 às 10:52
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Aposentada Ildete Dantas notou grande melhora na memória com o dominó (Aguilar Abecassis)
Natália Caplan Manaus

Você já notou que muitos idosos fazem palavras cruzadas, ou se reúnem nas praças para jogar dominó, baralho, dama e xadrez? Eles podem até fazer isso ingenuamente, sem imaginar o quanto tais atividades são importantes para a saúde mental e a prevenção de doenças degenerativas. Entretanto, Ildete Dantas, 67, sabe bem o quanto uma simples partida do primeiro jogo faz uma grande diferença na mente dela.

“Além de ser um ótimo passatempo, é um jogo que exige muito da nossa memória, do raciocínio. Você tem que usar aritmética para somar os pontos e é um exercício muito bom para quem tem certa idade, porque você faz um treino de memória fantástico. A turma aprecia muito o dominó, é prazeroso, um esporte”, diz a jornalista aposentada, ao ressaltar que é amante da brincadeira há duas décadas.

Ela vai duas vezes por semana ao Parque Municipal do Idoso — N. Sra. das Graças, Zona Centro-Sul —, onde se reúne com os amigos para participar da programação de jogos organizada pela Fundação Doutor Thomas (FDT). “Em duplas têm que estar muito atento na pedra que o parceiro jogou, para impedir que ele faça um jogo contra você e memorizar o jogo que ele está fazendo. Também jogo canastra e pedra na mangueira (risos)”, brinca.

Aos 65 anos, Márcio Armstrong pratica uma variedade de atividades e diz que “se sente ótimo” com o entretenimento. “Os meus jogos preferidos são: dama, dominó e baralho. Desde que comecei a jogar, há dez anos, minha memória melhorou. Já consigo decorar e lembrar mais coisas do que antes”, declara o autônomo, que não abre mão da diversão nem um dia. “Eu treino sozinho para ganhar dos meus amigos no fim de semana”, revela aos risos.

De acordo com especialistas, a prática desses jogos serve como método preventivo de doenças senis, inclusive, o Mal de Alzheimer, a forma mais comum de demência. Por isso, todas as pessoas, principalmente quem está próximo (ou já chegou) aos 60 anos, devem ser incentivadas a jogar. Para a psicóloga Paula Coelho, 29, que trabalha na instituição há três anos, os benefícios passam despercebidos.

“Os jogos ajudam de várias formas. Tem várias questões: a cognição, o raciocínio lógico, a coordenação motora, a inteligência e a memória. À medida que joga, o idoso desenvolve cada vez mais esses aspectos”, declara. “O próprio idoso acha que é bobagem, porque não está enxergando que ali pode aprimorar a saúde dele. É algo simples que precisa ser incentivado. Os jogos só têm, acrescenta muito a vida deles”, completa.

Pelo bem físico e mental

Segundo a médica Camila Gomes, 31, pós-graduada em geriatria pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG), o jogo é um exercício cerebral eficiente, que estimula o funcionamento e extensão da memória e do trabalho neuronal. A inteligência, capacidade perceptiva e motora do ser humano; a atenção, a linguagem responsável pela fluência verbal, nomeação e compreensão; a memória visual e espacial, o raciocínio e as funções de execução.

“Os jogos são indicados, pois melhoram a memória semântica. Eles exercitam áreas do cérebro, que vão atrofiando com o processo de envelhecimento. Não existe idade para começar, porém, quanto mais cedo a prevenção, melhor é o resultado”, ressalta a profissional amazonense, que atua na área há dois anos.

Estratégia contra a solidão

Segundo a psicóloga da FDT, Paula Coelho, esses passatempos lógicos estimulam uma série de elementos sensoriais de extrema importância para quem já chegou à terceira idade. As palavras cruzadas, típico jogo dessa fase da vida, é um dos mais citados como responsáveis pelo benefício de manter uma mente saudável por uma vida longeva. Mas, os outros tipos, com mais de um participante, também são indicados.

E, como a solidão é um sentimento que acompanha os idosos, afirma que o convívio social é muito importante para que eles não se sintam deprimidos. A integração, a capacidade de ouvir, prestar atenção, reter informação e de aprender controlar a ansiedade é desenvolvida no momento da diversão. A partir dos estímulos corretos e adequados, o cérebro pode se “reformular”, proporcionando mais qualidade de vida e saúde mental ao idoso.

“Outro benefício é a socialização. Depois que se aposenta, a pessoa perde as atividades do dia a dia, vai sendo deixado de lado pela família e pela sociedade. Os jogos são uma forma de se manter integrado dentro de um grupo, onde ela poderá interagir com outras pessoas, trabalhar a questão da cooperação. Jogar com os netos, por exemplo, é uma forma de melhorar o relacionamento interpessoal em família”, enfatiza.

SAIBA +

Conhecida por causar lentidão dos movimentos motores, tremores, rigidez e instabilidade muscular, a doença de Parkinson também pode ter sintomas como: distúrbios de sono, alteração do olfato, constipação intestinal e depressão. Quadros clínicos que muitas vezes passam despercebidos ou são confundidos com outros problemas de saúde. O Dia Mundial da doença de Parkinson, no último dia 11 de abril, alerta para o diagnóstico precoce. Estima-se que há cerca de 400 mil brasileiros com a doença, mas há uma parcela de casos ainda não diagnosticados.