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Especialistas falam sobre o uso de cães em terapia para idosos e crianças

Projeto Pet Terapia Amigo Fiel de Manaus visita casas de repouso e hospitais para levar alegria com animais 20/08/2017 às 14:54
Show pet terapia cachorro portal fdt
Nina, da raça Shih-Tzu, é uma das integrantes do projeto Pet Terapia Amigo Fiel, que faz a alegria dos moradores da Fundação Doutor Thomas (Foto: Assessoria FDT)
Natália Caplan Manaus

Impossível não sorrir com essa visita tão fofa. A cachorrinha Nina, da raça Shih-Tzu, é uma das integrantes do projeto Pet Terapia Amigo Fiel de Manaus, que faz a alegria dos moradores da Fundação Doutor Thomas (FDT) e da Casa do Idoso São Vicente de Paula; e dos pequenos internados no Instituto de Saúde da Criança do Amazonas (Icam).

“Sempre gostei de cachorros e o projeto Pet Terapia me proporciona a alegria de passar um tempo com eles. A diversão é sempre garantida e me sinto revigorado a cada novo evento do projeto”, diz José da Costa Palha, 84, residente da FDT desde 2012 e sempre participa das visitas semanais dos visitantes peludos.

Quem também não perde uma sessão é Magda de Oliveira Reis, 68, que mora no local desde 2016. “O projeto me faz lembrar minha juventude, quando tinha vários cachorros em casa, adorava brincar com eles. Hoje em dia, não posso mais cuidar de um amiguinho de quatro patas, então, aproveito os eventos da Pet Terapia para reviver esses momentos”, afirma.

O trabalho é voluntário e começou em abril de 2014, com pacientes do ambulatório da Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam). Na opinião do psicólogo Adriano Alves Lago, 27 anos, que atua juntos aos idosos da FDT, é visível a melhora na qualidade de vida dos participantes.

“Ajuda no fortalecimento da afetividade e ajuda a combater o isolamento social, sendo aliada ao combate da depressão. A Pet Terapia retornou à sua atuação esse semestre na fundação, e já podemos ver melhoras de afetividade e humor com alguns idosos, inclusive, na parte de fisioterapia, ajudando a restabelecer a parte motora”, declara.

Ciência comprova

De acordo com o artigo “Terapia assistida por animais e sua influência nos níveis de pressão arterial de idosos institucionalizados”, publicada na Revista de Medicina, da Universidade de São Paulo (USP), o animal é “o principal agente da terapia, que funciona como ponte de ligação entre o tratamento e o paciente”.

“Segundo Jerson Dotti, autor do livro ‘Terapia e Animais’, ocorrem mudanças químicas no cérebro e no sistema imunológico. É um processo contrário ao que se dá em situações de estresse, nas quais há supressão de determinadas substâncias”, explica a coordenadora e criadora do grupo de Manaus, Rose Mary Veiga de Britto, 58.

Participe

Terapia Assistida por Animais (TAA), conhecida como Pet Terapia, é um tratamento auxiliar para diversos tipos de doenças e comprovadamente desencadeadora de “bem-estar, saúde emocional, física, social e cognitiva” em pacientes psiquiátricos, hospitalizados e idosos moradores em instituições.

De acordo com a técnica de enfermagem e capelã hospitalar/assistencial, o grupo é formado por voluntários divididos em três tipos: voluntário sem cão, voluntário com cão e cão-voluntário. Após 40 anos atuando em hospitais e casas de repouso, ela resolveu implantar o trabalho com os animais.

“Eu ouvia relatos dos pacientes que estavam com saudades dos bichinhos de estimação. Daí surgiu o desejo de levar um cachorrinho nas visitas”, lembra, ao informar que é possível se voluntariar. “Após um processo de seleção, com uma série de avaliações, o seu cão pode se tornar voluntário”, afirma.

Atualmente, a equipe é formada pelos cães terapeutas Imma (Schnauzer) e Mauê (West Highland White Terrier); um sem raça definida (SRD), um Pug, um Buldogue Francês e a Shih-Tzu Nina estão em treinamento. Interessados podem ligar para 99152-1371 e 98193-2249, ou enviar e-mail.

Benefícios da Intervenção Assistida por Animais (IAA)

Físicos: Estabilização da pressão arterial; Afastamento do estado de dor; Encorajamento das funções da fala e funções físicas; Melhora da amplitude de movimento, força, resistência, equilíbrio e coordenação motora.

Mentais: Estímulo à memória e atenção; Melhora cognitiva; Desenvolve questões de responsabilidade.

Emocionais: Sentimento de amor incondicional; Espontaneidade das emoções; Redução da solidão; Diminuição da ansiedade, estresse e sintomas depressivos; Aumento da auto-estima, autoconfiança e motivação.

Sociais: Alívio do ócio cotidiano; Oportunidade de comunicação; Troca de informações; Socialização; Interação com outros membros.

BLOG Geovane de Mattos Silva, 30, adestrador de cães

“O cão terapeuta não precisa, necessariamente, ser um cão totalmente adestrado, mas que totalmente sociabilizado E que não demonstre reação de estranheza com outros cães e, principalmente, com pessoas estranhas. Como os cães participam de forma voluntária no projeto, temos que avaliar o comportamento deles nas atividades que serão propostas. E não podemos julgar essa avaliação por raça ou por tamanho. Qualquer trabalho com apoio de cães, atualmente,apresenta resultados bastante satisfatórios, pois os cães são seres leais e incorruptíveis; procuram dar o melhor de si a cada atividade que são submetidos, trabalhando sempre alegres e motivados, levando momentos de bem estar para crianças e idosos durante as visitas do projeto pet terapia.”

“Como meu cão pode ser voluntário?”, por Pet Terapia Amigo Fiel de Manaus

Primeiro procedimento:

Coleta de dados do animal, para ter um bom histórico dele. Estes dados consistem na identificação do animal (idade, espécie, raça);

Ambiente em que vive; dieta (ração ou comida caseira, se come petiscos, etc.);

História médica (enfermidades e/ou cirurgias). Além de saber o local de origem e há quanto tempo se tem este animal.

OBS: Só são admitidos animais castrados.

Segundo procedimento:

Exame físico completo, com avaliação do peso, temperatura, frequências respiratória e cardíaca, bem como o tempo de preenchimento capilar (TPC);

Cavidade bucal e dentes são examinados regularmente.

A pele, a pelagem e os condutos auditivos externos são examinados para evidências de qualquer alteração.

Terceiro procedimento:

Exames parasitológicos trimestral. Nos meses de janeiro, maio e setembro de cada ano.

Uso de produtos comerciais para controle de pulgas e carrapatos é obrigatório. Recomenda-se também que o proprietário vermifugue o animal regularmente.

Vacinação obrigatória

Vacina CA2PL-PC (popularmente chamada de V8 ou V10), Raiva, Tosse dos Canis aplicadas anualmente.

Vacina “CA2PL-PC” contra as seguintes enfermidades: cinomose; denovírus canino hepatite infecciosa canina; parainfluenza canina; leptospirose; enfermidade por parvovírus canino; e enfermidade por coronavírus canino.