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Caio Blat diz que gostaria de fazer uma comédia popular

Apesar de ser conhecido por papéis em filmes mais independentes e de estar lançando um trabalho muito experimental, que dá espaço até à videoarte, Caio não despreza nenhum gênero 08/05/2012 às 15:01
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Caio Blat durante cena do filme "Uma Longa Viagem"
UOL/CINEMA ---

Caio Blat não para. Mal terminou de divulgar “Xingu” e já entra em cartaz nos cinemas nesta sexta (11) com um novo projeto – “Uma Longa Viagem”, em que a diretora Lucia Murat mistura documentário e encenação para contar as viagens do irmão Heitor pelo mundo entre 1969 e 1978.

Apesar de ser conhecido por papéis em filmes mais independentes e de estar lançando um trabalho muito experimental, que dá espaço até à videoarte, Caio não despreza nenhum gênero. “Eu tenho muita vontade de fazer uma comédia popular. Acho que esse é um gênero muito nobre. Sempre fiz projetos muito cabeçudos e muitos filmes de festival, e adoraria fazer alguns sucessos de bilheteria com comédia”, conta.

Enquanto isso não acontece, Caio pode ser visto em um filme que parte de uma experiência muito pessoal de Lucia Murat: a morte do irmão Miguel, em 2009, que servia de ponto de equilíbrio entre ela, ativista contra a ditadura e presa política, e o irmão mais novo, Heitor, enviado para Londres pela família aos 18 anos, para não seguir o mesmo caminho da irmã, que acaba embarcando em uma viagem tanto geográfica quanto de experimentação com drogas. “Na verdade, tudo começa como um registro familiar”, conta a cineasta. Para elaborar o luto da morte de Miguel, ela propôs a Heitor registrar as memórias de suas viagens. Só depois se voltou para as cartas escritas por ele à família no período, guardadas por mais de 30 anos.

Documentário x encenação

Para dar vida a essas cartas, que se contrapõem aos depoimentos do irmão, Lucia escolheu Caio, que recita as palavras de Heitor em um ambiente quase teatral, com objetos que lembram os locais visitados por ele – Londres, Austrália, Índia, ilhas do Pacífico –, tendo projeções de vídeos da época como fundo.

“Num documentário clássico, você põe um ator para ler as cartas e tasca imagens para cobrir. Mas eu não queria fazer um ‘Discovery Channel’, não era uma viagem geográfica. O que eu queria era trabalhar sobre a vivência emocional. E eu também achei que seria muito legal se tivesse alguém para interpretar esse arco dramático, do garoto que chega aos 18 anos em Londres, inocente e ingênuo, até dez anos mais tarde, depois de ter vivido todas as loucuras do mundo, na Índia”, conta Lucia. “A gente recria uma viagem por uma época que não existe mais, por uma disposição das pessoas de viajarem, experimentarem, romperem com a sociedade, se jogarem no mundo em busca de novas consciências, experimentarem todas as drogas, irem para o Oriente”, diz Caio.

Cinema intimista

Caio acha que “Uma Longa Viagem” se encaixa numa tendência de cinema intimista. “Acho que esse filme entra num movimento do cinema brasileiro como um todo, que é parar de buscar grandes temas e buscar histórias mais pessoais. É o caminho desse filme da Lucia, e é também do ‘Xingu’. Por mais que seja um grande épico, o ponto de vista é de três irmãos. Acho que o cinema brasileiro está indo mais nesse caminho, de mostrar que toda grande aventura é uma aventura pessoal”.

Para ele, esse também é o caminho de seu próximo filme, “A Pele do Cordeiro”, que já está em produção e cujas filmagens devem terminar em junho. O filme, dirigido por Paulo Morelli (“Cidade dos Homens”), com Caio, Maria Ribeiro, Carolina Dieckman, Paulo Vilhena, Julio Andrade, Martha Nowill e Lee Taylor, acompanha sete amigos que decidem fazer uma cápsula no tempo, com cartas para serem abertas dez anos depois, e a reunião deles mais tarde, para abrir essas cartas.

Ator produtivo

A sucessão de projetos torna Caio um dos atores mais produtivos de sua geração – só no último ano, ele participou de uma novela (“Morde & Assopra) e lançou três filmes –, mas ele não se apega a seus personagens.

“Eu sinto uma responsabilidade e uma insegurança muito grandes quando vou fazer um personagem. Por isso que eu adoro a fase de preparação, de pesquisa. Mas sinto um alívio muito grande quando um filme termina. Adoro me livrar de um personagem”, diz ele, que procura variar os papéis e os gêneros de filmes dos quais participa. "Normalmente, quando estou terminando um trabalho e surge um personagem que é parecido, imediatamente me desinteresso. Minha busca é sempre atravessar de um ambiente para outro completamente diferente. Quando eu termino de fazer um filme com uma carga social e política, eu logo tenho vontade de fazer um filme de amor. E isso norteia um pouco a minha carreira, esse zigue-zague”.

Esse “zigue-zague” pode em breve também incluir uma atuação atrás das câmeras. “Estou com um roteiro pronto, que escrevi a partir de um romance do Cristóvão Tezza, e estou com muita vontade de dirigir. Acho que esse é um caminho natural dos atores que filmam muito e acabam se envolvendo em todos os processos do filme. Acaba dando vontade de fazer uma vez do nosso jeito”, diz Caio.

Antes disso, no entanto, ele vai se dedicar à próxima novela das seis da Globo, “Lado a Lado”, e à adaptação do livro “Os Irmãos Karamazov”, de Dostoiévski, para o teatro. Já a cineasta Lucia Murat está finalizando “A Memória que me Contam”, ficção com Irene Ravache, Franco Nero e Simone Spoladore, que faz um balanço de uma geração e que a diretora pretende exibir em festivais ainda neste ano.