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Entretenimento
ENTREVISTA

'Amazônia tem muita coisa a ser conhecida', diz o chef paraense Thiago Castanho

Paraense é o novo apresentador do programa “Cozinheiros em ação”, que inicia nova temporada no canal GNT 30/07/2017 às 05:00 - Atualizado em 30/07/2017 às 15:16
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Thiago é o chef do restaurante Remanso do Bosque, em Belém (Eliana Rodrigues/Divulgação)
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Em Belém, Thiago Castanho pilota a cozinha do famoso Remanso do Bosque, que valoriza a culinária amazônica de raiz e está no top 50 dos melhores restaurantes da América Latina. Na televisão, ele passa a ser o apresentador da nova temporada do “Cozinheiros em ação”, com estreia marcada para 10 de agosto, no GNT. Numa conversa com a reportagem, o chef paraense comenta essa experiência inédita na TV e fala o que pensa sobre a projeção que a gastronomia da região tem alcançado dentro e fora do País.

No seu quinto ano, o programa “Cozinheiros em ação” segue com o desafio de encontrar o melhor cozinheiro de comida caseira. Dessa vez, o cenário é uma fazenda, onde duplas de parentes de várias partes do Brasil serão recebidas por Castanho e pelos jurados Rusty Marcellini, Dona Carmem Virgínia e Ligia Karazawa.

Para Thiago, foi um desafio se acostumar ao trabalho diante das câmeras. “Estou acostumado com a cozinha e a falar em público durante palestras, mas televisão é outra história. Como era algo novo, tive que me adaptar”, afirma o chef, que diz ter contado com o apoio da equipe do programa para se sentir à vontade. “Fui bem dirigido e, no fim das contas, foi como se estivesse no meu próprio restaurante”.

Mudança recente

O formato “família” da atração contou alguns pontos na hora do paraense aceitar o convite do GNT. Castanho cresceu ajudando o pai no dia a dia do Remanso do Peixe, o primeiro restaurante da família, e foi assim que ele tomou gosto pela culinária. Segundo ele, a nova ambientação do programa procura resgatar esse clima caseiro e, ao mesmo tempo, incentivar o retorno à alimentação natural.

O apresentador revela, inclusive, estar experimentando esse “detox” na própria dieta, que deixou de incluir tantos produtos industrializados. “Estou há um mês sem comer carne vermelha, que troquei por peixes, mais vegetais e alimentos artesanais. Senti que precisava mudar a alimentação, estava começando a me sentir refém da indústria. Mas, para assumir esse discurso e essa ideia, eu tinha que passar por essa experiência e ver o que acontecia. Posso dizer que já venho sentindo melhoras na qualidade de vida”, revela.

Amazônia na moda

Referência quando o assunto é gastronomia amazônica, Thiago Castanho diz que quase todo dia pinta uma proposta para abrir um restaurante fora de Belém, mas o chef tenta não ceder à tentação. “Quando penso em alguma coisa nova, quero que seja por aqui mesmo. Ainda tem muita coisa a ser conhecida na Amazônia e muita gente daqui a ser envolvida nesse processo”.

Ele admite que a culinária da região está na moda, mas faz um apelo por mais responsabilidade e cautela. “O modismo surge pela diferença dos nossos produtos, o que contribui pra que a nossa cozinha comece a ser vista como a mais autêntica do País. A Amazônia virou a nova despensa culinária brasileira e, possivelmente, mundial”.

 “Mas não acho que os cozinheiros têm que usar os ingredientes amazônicos apenas pela moda, sem saber como usá-los, de onde eles vêm e como aquilo se conecta com o meio ambiente e o produtor. Em decorrência disso, já começamos a sentir falta de pescado para o público local, porque os barcos entram para pescar e vendem o peixe lá fora, sem beneficiar ninguém daqui. É um descontrole que afeta o consumo local”.

Receitas

Castanho também é o autor do livro “Cozinha de origem”, que celebra a tradição e a criatividade. Utilizando ingredientes típicos, Thiago ensina a fazer desde comidinhas de boteco e de rua, passando por acompanha-mentos, como farofas, paçocas e molhos de pimenta, pratos com peixes, carnes e aves, até pães e sobremesas. Custa R$ 62 na Saraiva.