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Chico César fala em entrevista sobre cultura, arte e entretenimento

Cantor, compositor e também secretário de Cultura da Paraíba. O artista é um dos convidados do projeto Voa Viola, que pretende difundir o instrumento em diferentes segmentos da música brasileira 01/06/2012 às 08:41
Show 1
Chico César será uma das atrações principais no Voa Viola, dia 2 de junho
jornal a crítica ---

O Festival Nacional de Viola - Voa Viola acontece amanhã, no Teatro Amazonas, às 20h. Um dos convidados é o cantor e compositor paraibano Chico Cesar, que conversou com A CRÍTICA sobre sua carreira, seu trabalho à frente da Secretaria de Cultura da Paraíba e seu encanto com a viola. Além dele, a violeira paulista Juliana Andrade, a dupla pernambucana Edmilson Ferreira e Antônio Lisboa, o quarteto de Campinas Viola Arranjada e a dupla de paulistas Felipe & Fernando também fazem parte do show, que será transmitido ao vivo pelo portal do projeto www.voaviola.com.br.

Preço popular
Com preços populares, a apresentação mostra a diversidade da viola no Brasil. Os anfitriões e curadores do projeto, que tem patrocínio exclusivo da Caixa, são os violeiros Paulo Freire e Roberto Corrêa. A cada edição, eles convidam um time de jurados para escolher 24 trabalhos que representem o atual momento da viola no Brasil. Destes 24, o público vota, por um sistema inovador de “aplausos” para que 12 destes trabalhos sejam conhecidos do grande público em quatro grandes shows. Em Manaus, o cantor, compositor e titular da Secretaria de Cultura da Paraíba, Chico César, vem apresentar o repertório do seu mais recente trabalho, “Aos Vivos Agora”. No cargo público, declarou abertamente que não iria contratar “bandas de forró de plástico e grupos sertanejos” para apresentações nas festas de São João, em seu Estado. A seguir, uma pequena mostra da simpatia de Chico e seu trabalho.

Como foi a produção do DVD “Aos Vivos Agora”? Quais as novidades desse trabalho?
 A produção foi muito simples, mas muito emocionante. Teve o reencontro com o meu primeiro público e também com parceiros iniciais como os cenógrafos Siomara Thomaz e Otávio Mourelo, com o artista gráfico Luciano Pessoa, que fez o primeiro encarte. Isto foi emocionante. E temos o encontro com o Dani Black, um músico tão jovem e talentoso que era criança na época da gravação do disco. A novidade é o DVD em si e também do meu primeiro vinil, que não puderam ser feitos na época, a presença do Dani Black e alguns extras como “Dor Elegante”, de Itamar Assumpção e Paulo Leminski.

O Voa Viola pretende fomentar carreiras, aumentar a visibilidade e difundir o uso da viola na música brasileira. Qual a sua avaliação do uso do instrumento na atual cena musical do País?
 A viola está muito presente na Música Popular Brasileira. Isso vem desde os anos 70. O bacana é que agora não é vista com exotismo. É um instrumento a mais.

Qual sua opinião em relação a projetos como o Voa Viola?
Creio que esses projetos são importantes para mostrar uma parte fundamental da cultura brasileira, que carece de mais divulgação. Algo que está presente em nossa vida cultural mas que nem sempre é percebido pelo público.

Tem alguma canção que você acha difícil de tocar em viola?
Todas (risos). Na verdade, depende muito da afinação, e a viola tem muitas afinações. Para não me complicar muito eu uso a afinação tradicional de violão, com cordas duplas, sem o bordão.

Como você aprendeu a tocar o instrumento?
Estou aprendendo ainda. Pretendo explorar os mestres violeiros que encontrarei neste Voa Viola para me darem umas dicas. Uso esporadicamente a viola desde adolescente, como uma variação de timbre, em busca de sonoridades que não posso encontrar no violão.

Como é ser titular de uma Secretaria de Cultura? Os desafios que você vê como artista são mais intensos do que os que você observa no cargo público?
É bem mais difícil ser gestor público. Muita burocracia, poucos recursos e muitos desejos. Há uma visão que confunde cultura com arte e arte com entretenimento. Criar uma nova consciência em torno do próprio conceito de cultura é um grande desafio, além, claro, de estruturar a institucionalidade da cultura. Esta é uma área nova no Brasil e estamos todos no aprendizado e na construção destas políticas.

Quais são seus próximos projetos - em ambas as áreas que você atua hoje em dia?
Estou à frente de uma secretaria que não existia há um ano e meio. Estruturá-la, criar as condições de planificar a cultura em meu estado tem sido o meu desafio. Na carreira artística quero circular com o “Aos Vivos Agora”. É um show bom de fazer, fácil, com equipe pequena e com um repertório que meu público adora.