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CINEMA

Cineasta amazonense Djalma Limongi completa 70 anos de vida e paixão pela arte

Nascido em Manaus em 1947, Limongi coleciona obras diversas, abordando temas desde a paixão pelo futebol até polêmicos como a homossexualidade 22/10/2017 às 05:00 - Atualizado em 22/10/2017 às 11:57
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Foto: Divulgação
Alexandre Pequeno Manaus (AM)

Rebelde, transgressor, livre e obstinado. Estes são apenas alguns dos adjetivos que poderiam ser aplicados à vida e obra do diretor amazonense Djalma Limongi Batista. Nascido em Manaus no ano de 1947, o cineasta coleciona uma obra bastante diversificada, abordando temas que vão desde a paixão nacional pelo futebol até temas considerados pesados para a época, como a homossexualidade, por exemplo. Vivendo atualmente em São Paulo, Djalma completou 70 anos no início do mês, tendo grande parte dessas décadas dedicadas à sétima arte.

Filho do célebre escritor e médico brasileiro Djalma da Cunha Batista, o artista relembra que, ainda na infância, já possuía uma paixão pelo cinema, herdada pelo pai. "O primeiro filme que vi, me contam, foi 'Aviso aos Navegantes' (Brasil, 1950, de Watson Macedo). Diziam que eu chorava muito. Mas o primeiro do qual tenho memória, talvez por ser colorido, foi 'Bambi', da Disney", disse Djalma. Ainda na infância, em conjunto com seu irmão Gualter, eles iam praticamente todo dia ao cinema.

Nos passos da arte

Na juventude, Djalma estudou no Colégio Dom Bosco de Manaus onde fundou um cineclube, atrelado ao Grupo de Estudos Cinematográficos do Amazonas, que começava a existir na cidade. Djalma concluiu os estudos em Brasília, local onde também iniciou um curso de Cinema, que posteriormente foi concluído na primeira turma de cinema da Universidade de São Paulo - USP.

"Djalma possui uma herança intelectual e científica do mestre Djalma Batista [pai], que se dedicou à Amazônia como poucos. Djalma trabalhou em Manaus na produção de cinema numa cidade acanhada, sem perspectiva, sem possibilidades de construção de um futuro profissional, o que o levou a sair daqui, se tornando um cineasta festejado", destaca Robério Braga, que esteve 20 anos à frente da Secretaria do Estado da Cultura (SEC).

Ao lado, com o pai Djalma Batista (Foto: Divulgação)

Robério relembra algumas passagens do cineasta pelo Amazonas Film Festival. "Ele deu várias oficinas, palestras, deixando claro seu comprometimento com a região. Festejo com muita alegria a entrada dele aos 70 anos. Fico imaginando aquele temperamento revolto, permanentemente inquieto. Com certeza continua produzindo e criando pois isto está na alma dele", complementa.

Filmes

Seu primeiro curta surgiu em 1968 com o título de "Um Clássico, Dois em Casa, Nenhum Jogo Fora". Djalma foi responsável pela direção, roteiro e edição. "Um Clássico... marcou muito minha vida, porque a partir daí eu sempre fui rotulado como um cineasta gay", recorda.

Djalma elaborou vários projetos e até iniciou ou concluiu a produção de alguns curtas até chegar a sua consagração: "Asa Branca, um sonho brasileiro", de 1981. Protagonizado pelo estreante Edson Celulari, o filme narra a trajetória de um jogador de futebol, desde o início de sua carreira no interior de São Paulo, até o triunfo em uma Copa do Mundo. O longa venceu na categoria Melhor Direção e Melhor Ator (Walmor Chagas), no Festival de Gramado. No Festival de Brasília, o filme venceu na categoria de Melhor Direção, Melhor Ator (Edson Celulari) e Melhor Ator Coadjuvante (Walmor Chagas).


Grandes atores estrelaram filmes de Limongi (Foto: Divulgação)

Seu segundo filme – “Brasa adormecida (1985)” – é uma homenagem a “Brasa dormida (1928)”, de Humberto Mauro. No elenco, Maitê Proença, Édson Celulari e Paulo César Grande contavam a história de um  triângulo amoroso formado por dois primos, Ticão e Toni, e uma prima, Bebel, inseparáveis desde a infância rural e rica.
O último longa-metragem de Djalma foi "Bocage, o Triunfo do Amor (1997)”, livre adaptação dos poemas do português Manuel Maria du Bocage. O diretor conta que a pré-produção do filme foi custeada com os lucros da superprodução teatral Calígula, realizada em 1990.

“O filme foi filmado todo em Portugal e no Nordeste brasileiro. Foi exibido em diversos festivais internacionais e recebeu muitos prêmios. Foi ótimo trabalhar com a equipe”, conta Edith Limongi Batista, irmã de Djalma e produtora executiva do filme.

Antes de se aposentar, Djalma ministrou aulas de cinema na FAAP durante 13 anos.  “Djalma é um obstinado, enfrentou desafios enormes para superar as dificuldades de fazer arte neste país, sobretudo cinema, onde as ‘panelas’ são sedimentadas em todos os segmentos da sociedade, e mesmo assim, com coragem e determinação encarou a tudo e a todos”, ressalta seu irmão Cláudio José Limongi.