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CINEMA

Premiado cineasta asiático visita Manaus para ministrar palestra sobre atores

Radicado brasileiro, Hsi Chien Hsin viaja à capital amazonense pela 7ª vez para ministrar a “Oficina preparação de atores para cinema” 20/03/2017 às 05:00
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Foto: Divulgação
Mayrlla Motta Manaus (AM)

Desde a adolescência, Hsi Chien Hsin, 49, foi apaixonado por filmes e nunca imaginou ser um diretor de cinema.  O primeiro contato dele com a sétima arte surgiu através do cineasta Aluizio Abranches. Na época, Aluizio era assistente de direção e foi até o restaurante em que Chien trabalhava com o pai e o fez um convite especial.  “Chien você não quer fazer figuração num filme?”, contou dizendo que aceitou a proposta sem pensar duas vezes. 

“O convite era para fazer figuração do filme Luar sobre parador (1987) de Paul Mazursky, uma superprodução americana filmada no Brasil e Estados Unidos. No primeiro dia de filmagem fiz papel de um cônsul chinês, par de Regina Casé, com quem dancei fazendo figuração”, relembra. E foi nesse dia em que ele se descobriu. “Quando entrei no SET fiquei encantado e disse: ‘é isso que quero para minha vida’”, acrescentou. 

Após a experiência, Hsi estudou cinema e o primeiro trabalho, já como profissional da área foi como estagiário de direção. “Desde lá fui de trabalho em trabalho galgando como assistente de direção, onde atuei em mais de 60 produções cinematográficas, até chegar ao posto de diretor, onde estou há quatro anos”, disse o ganhador do prêmio de Melhor Filme no Los Angeles Brazilian Film Festival e no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, conferido em 2014 ao curta-metragem Flerte (2014). 

Com 20 anos de experiência, Chien conta que o trabalho mais desafiador de sua carreira foi dirigir elenco do programa “Pé na Cova”, da Rede Globo. “No primeiro dia tive que dirigir Miguel Falabella, Marília Pêra e Diogo Vilela: três grandes deuses do cinema e do teatro brasileiro. Meu coração pulou. E eu disse: “Meu Deus do céu, quem sou eu para dirigir esses três ‘monstros sagrados’”? Mas graças a Deus houve uma conexão muito grande. Eles gostaram do meu trabalho e eu continuei tendo uma grande relação com eles”, relembrou.

Bagagem cultural

O universo do cineasta quando se trata de bagagem cultural é bem eclético e vasto, o que fazem a diferença quando ele vai dirigir um filme. “Sou eclético, gosto de tudo, desde filmes infantis, americanos, filmes europeus, undergrounds, de A a Z”, disse ele sobre o que gosta de assistir nos cinemas. 

Em relação à leitura o asiático nascido em Taiwan, que chegou no Brasil aos três anos de idade, diz que prefere biografias. “Gosto de livros sobre cinema, história da arte, figurino. Além de livros que me indicam que podem render bons filmes”, revela. Já no mundo da música suas preferências são MPB, pop, música eletrônica e clássica “Talvez não goste muito de uma coisa tão popular como o Axé. Não ouço tanto, mas se for necessário para um trabalho, com certeza vou me aprofundar. Como diretor não posso ter preconceitos. Tenho que estar aberto a tudo”, acrescentou. 

Observar é essencial

Como diretor ele diz que gosta de observar muito. “Quando ando na rua observo as pessoas, observo o mundo, estudo muito e leio muitos livros sobre a história da arte, sobre moda, vejo filmes e ouço muita música, pois tudo isso é inspiração para um diretor”, conta. 

“O diretor tem que dá a vida para o que o roteirista escreve. Então você tem que se conectar com ele. Não adianta ele escrever um texto de um universo muito particular, e eu como diretor, ler e entender outra coisa. Então, tem que haver uma conexão. Para dar vida a esse roteiro vai depender da sua bagagem cultural, que refletirá nas imagens, qualificação técnica, planos, enquadramentos, fotografia e figurino”, acrescenta. 

Novo filme 

O mais recente trabalho do taiuanês já tem data para estreia. Em 04 de maio chega aos cinemas brasileiros “Ninguém entra, ninguém sai”, com Daniele Winits, Rafael infante, Leticia Lima, Emiliano Davila, Catarina Abdala e grande elenco. 

Oficina em Manaus 

De 20 a 26 de março, o cineasta pisa pela sétima vez na capital amazonense. Ele vai ser o instrutor da “Oficina preparação de atores para cinema”. A atividade vai ocorrer na Luppi Produções, localizada na Av. Getúlio Vargas, 751, próximo à Academia Sheik Club. Mais informações:  99234-2640, 98402-2677 e 3231-1631.