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Cineastas locais elegem melhores e piores do ano

Sérgio Andrade, Keila Serruya e Rafael Ramos apontam os destaques da Sétima Arte em 2012 23/12/2012 às 16:03
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Sérgio, Keila e Rafael fazem uma restrospectiva do cinema em 2012. Enquanto “Holy Motors” foi lembrado como um dos melhores, “Agamenon” deixou má impressão
Gabriel Machado Manaus

O ano de 2012 foi bastante interessante para a indústria cinematográfica. Sucessos de crítica e público e verdadeiras bombas foi o que não faltou nas salas de cinema de todo o mundo. Com isso em mente, o BEM VIVER resolveu bater um papo com três dos nossos diretores mais promissores, Sérgio Andrade, Keila Serruya e Rafael Ramos, e perguntar deles, inteirados do assunto, quais foram os melhores e, é claro, os piores do ano.

Para Sérgio Andrade, diretor de “A floresta de Jonathas” – primeiro filme amazonense da Região Norte a participar do famoso Festival do Rio –, o longa que mais chamou a sua atenção em 2012 foi “Holy Motors”, dirigido pelo francês Leos Carax. “Assisti em Belo Horizonte, na mostra Cine BH, e fiquei muito impressionado, é o meu estilo de filme”, comentou.

E não foi apenas o cineasta que elegeu o longa – estrelado por Kylie Minogue, entre outros – o melhor do ano. Rafael Ramos, responsável pelo curta-metragem “A segunda balada”, também defende a mesma opinião. “É uma arte nova e diferente dos turbilhões de filmes que são lançados nos cinemas. Apesar de absurdo, ele discute muita coisa sobre o ser humano”, completou.

Enquanto Andrade e Ramos apontaram a película como sendo o ápice da Sétima Arte em 2012, Keila Serruya, membro do Coletivo Difusão, preferiu destacar as ações de pequenas produtoras. “Neste ano tivemos algumas iniciativas muito importantes, como o crescimento do apoio às produções locais, que partiram não só das instituições governamentais, mas também de pequenas produtoras como a 602 Filmes, que apoiou diversos curtas, videoclipes e o primeiro longa de baixo orçamento produzido no Norte, e a F2 Filmes, que produziu alguns produtos audiovisuais também”, frisou.

Framboesa de OuroNa hora de apontar os fiascos do ano, Andrade não titubeou ao criticar as salas de cinema de Manaus. “Elas só passam lixo americano como ‘Crepúsculo’ e, às vezes, ainda o repetem em quatro ou cinco salas. Os cinemas não têm espaço para filmes alternativos, de autor”, justificou o diretor, que, em breve, parte para a Holanda, onde apresentará “A floresta de Jonathas” no 42º Festival Internacional de Cinema de Roterdã.

Já Ramos escolheu o brasileiro “As aventuras de Agamenon, o Repórter” como a sua pior experiência cinematográfica de 2012. “É horrível, o humor é muito pobre. Aliás, é muito difícil encontrar um filme nacional que explore a comédia de forma inteligente, como o Jorge Furtado. É um desafio para o brasileiro, fazer uma comédia que não seja cinema/TV”, explicou.

Produção amazonense

O ano de 2012 foi, também, um ano muito importante na produção do audiovisual no Amazonas. Como Serruya destaca, a produção de cinema no interior merece atenção. “Este ano tivemos uma produção muito legal de Parintins, o documentário “Chão molhado”, do diretor Everton Macedo, e isso é realmente significativo para o Amazonas”, ilustrou.

Ramos faz coro à companheira de profissão e lembra do aprimoramento dos equipamentos. “As novas máquinas possibilitam fazer longas em uma qualidade bem melhor, acompanhei o Amazonas Film Festival e os filmes estavam muito bons”, recordou.

Já Andrade, apesar de reconhecer o avanço do cinema amazonense, ainda destaca alguns pontos que precisam ser melhorados. “A qualidade está melhor, mas ainda falta um incentivo estatal maior. Cinema de qualidade é caro, portanto se não tem investimento, não tem cinema de qualidade”, finalizou.