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Cinemas antigos desapareceram em Manaus

Cinemas desapareceram sob novos prédios e fachadas 26/02/2012 às 18:27
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Cine passado
JONY CLAY BORGES Manaus

Eles embalaram os sonhos de gerações inteiras de amazonenses. Dos antigos cinemas de rua de Manaus, no entanto, sobraram apenas detalhes soltos e traços vagos, vestígios de uma cidade em que assistir às fitas de amor ou bangue-bangue era ao mesmo tempo um entretenimento e um ritual.

A história desses lugares hoje se esconde embaixo de novas fachadas ou por trás de portas que não se abrem mais. Este último é o caso do Cine Eden: a fachada na rua Jonathas Pedrosa ainda é quase idêntica à original da era dourada dos cinemas de Manaus, mas suas portas não abrem mais para as disputadas matinês de outrora.

“À tarde havia filas, às vezes até a Visconde de Porto Alegre”, recordam Carlos e Kleber Maia, de 45 e 40 anos, comerciantes e vizinhos do lugar. O cinema, onde eles viram filmes como “Tarzan” e “O Exorcista”, tinha uma peculiaridade: era o único onde se entrava de frente para a plateia. “Não dava nem para levar uma ‘gatinha’ sem a outra ver!”, brincam eles.

O público do Eden – que ficou conhecido também como Veneza e Novo Veneza – também era diferente, como recorda Teresa Benevides, 72, vizinha do cine. “Era muita gente, mas todos estavam sempre arrumados. Nas matinês, os pais traziam os filhos arrumadinhos, de cinto e tudo”, conta.

Resquícios

Também se pode vislumbrar um pouco da antiga fachada do Cine Ypiranga (av. Carvalho Leal, ao lado da UEA) por trás da placa de uma loja de móveis e eletrodomésticos. Maior da cidade, causou sensação ao ser inaugurado, no início dos anos 1960. “Foi uma festa, e a cidade inteira foi. Havia banda da PM na porta, e as pessoas estavam arrumadas, as mulheres de vestidos longos”, relembra o historiador Geraldo dos Anjos. Era lá também que Kelly Almeida Lima, 42, moradora da vizinhança, vivia quando criança.

 “Todas as férias ia lá assistir aos filmes dos ‘Trapalhões’”, recorda. Numa época anterior à TV e à Internet, ela opina, sair de casa para ver filmes era uma grande ocasião para gente de todas as classes, dos ricos aos humildes.

“Era um programa baré ir ao cinema. Hoje em dia as pessoas não dão mais valor a isso”. Menos sorte que o Eden ou o Ypiranga teve o Cine-Theatro Guarany: não restou sequer a fachada do prédio, demolido em 1983 para dar lugar a uma moderna agência bancária, na esquina das ruas Floriano Peixoto e 7 de Setembro.

Próximo a outro ícone da era dourada, o Cine Polytheama, o espaço em madeira e alvenaria construído em formato de teatro era popular. “No início ia muita gente, era um cinema bem frequentado”, lembra Mario Cardoso da Cruz, 47, morador da área. As coisas começaram a mudar, ele acredita, com a chegada do VHS. “Outros cinemas entraram em decadência por causa da fita de videocassete.

Ele continuou de pé ainda por algum tempo”, diz. Como o Guarany, outros cines famosos desapareceram para sempre da convivência dos habitantes. Odeon, Avenida, Vitória, Palace, Chaplin, Popular, Cinema Novo e outros persistem apenas nos nomes, nas fotos antigas e na memória de uma época que não volta mais.