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Cinemas de Manaus impõem longa espera ao clientes

Legislação obriga que todos os caixas dos cinemas funcionem em horário de pico, mas norma é ignorada 21/07/2012 às 14:56
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Legislação obriga que todos os caixas dos cinemas funcionem em horário de pico
Rosiel Mendonça ---

Quem nunca chegou ao cinema e se deparou com longas filas na hora de comprar os ingressos? Muitas vezes, essas filas nem são resultado da estreia de mais um superaguardado blockbuster hollywoodiano, e sim da insuficiência de caixas para fazer o atendimento aos clientes. As redes de cinema costumam alocar funcionários em todos os caixas apenas durante os fins de semana e feriados, enquanto nos demais dias eles funcionam abaixo da sua capacidade.

“Várias vezes já perdi o horário do filme por causa da demora na hora de comprar os ingressos. Além de os preços nos dias normais serem um absurdo, em dia de promoção vira um sufoco!”, declarou a fotógrafa Patrícia Neves, que vai ao cinema pelo menos uma vez na semana.

É esse problema que a Lei Municipal n. 1.647 promete resolver. De autoria da vereadora Glória Carratte (PSD), a lei foi sancionada pelo prefeito Amazonino Mendes em 12 de março deste ano. “O problema dos empresários é que eles só pensam em ter lucro e não se preocupam com o consumidor. Nesse sentido, nós recebemos muitas denúncias e reclamações. O objetivo da lei é para que os estabelecimentos ao menos se sensibilizem e procurem prestar um atendimento de qualidade aos clientes”, declarou a vereadora.

Segundo o texto da legislação, os cinemas de Manaus ficam obrigados a colocar todos os caixas à disposição dos clientes nos horários de pico. A intenção é que o atendimento seja “realizado em tempo hábil, respeitando a dignidade do consumidor”.

A proposta define como horário de pico o período de segunda a sexta-feira, a partir das 17h, e todo o horário de expediente aos sábados, domingos e feriados. Os cinemas tiveram 60 dias para se adequar à nova norma, prazo que se encerrou no último mês de maio.

O universitário Paulo Rodrigo não tinha conhecimento da proposta e espera que a lei dos cinemas comece a valer o mais rápido possível. “Acho a falta de caixas um desrespeito com os clientes. Quando vou ao cinema e vejo uma fila enorme, eu acabo desistindo”, desabafou.

Falta regulamentação

A Lei n. 1.647 ainda prevê multa de mais de R$ 100 mil para os estabelecimentos que forem flagrados pela terceira vez descumprindo a legislação. Dependendo do número de reincidências, o alvará de funcionamento pode ser suspenso ou mesmo cancelado.

No entanto, quatro meses após a publicação da nova regra para as filas dos cinemas, ela ainda não surtiu o efeito desejado. De acordo com a Secretaria Municipal de Comunicação, a Lei n. 1.647 esbarra no mesmo problema de várias outras propostas que saem da Câmara Municipal: a falta de regulamentação. Por conta disso, nenhuma fiscalização foi realizada e nenhuma multa aplicada.

Segundo a assessoria da vereadora Glória Carratte, depois de sancionada pelo prefeito, a lei foi encaminhada para o Ministério Público do Estado para que o órgão estudasse formas de regulamentação do dispositivo e estabelecesse como as fiscalizações devem ser feitas. Até o fechamento desta edição, o Ministério Público não tinha informado sobre o andamento desse processo.

Contraponto

A aplicabilidade da Lei n. 1.647 também encontra resistências por parte dos gerentes dos cinemas da cidade. Segundo eles, nem sempre o movimento de clientes justifica a abertura de todos os caixas. De acordo com a gerente do Playarte do Manauara Shopping, Terezinha Martins, o cinema conta com dez caixas para venda de ingressos. “Durante a semana não tem como colocar todos os caixas para funcionar, porque a demanda é menor. Mas, durante o fim de semana, todos ficam disponíveis”, garantiu.O gerente do Cinemais do Millenium Shopping, Marco Antonio, preferiu não se pronunciar a respeito, mas informou que o estabelecimento seguirá o que diz a lei.

A vereadora Glória Carratte não descarta a possibilidade de uma revisão da lei para que ela se torne mais condizente com a realidade relatada pelos gerentes dos estabelecimentos. “A intenção não é prejudicar ninguém; pelo contrário, a lei veio para amenizar os transtornos enfrentados pelos consumidores. Mas os cinemas vão ter que se adequar”, disse.