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Cultura

Coletivo Difusão completa dez anos de militância na cultura amazonense

Nesse meio tempo, foram muitos os projetos que deixaram marca na cena manauara, como o Grito Rock, o Festival Até o Tucupi, a Mostra Internacional de Videodança na Amazônia (Miva) e a Semana do Audiovisual 16/04/2016 às 15:05 - Atualizado em 18/04/2016 às 11:17
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Em dezembro, o Coletivo Difusão completa sua primeira década de atividades como um dos núcleos de arte e ativismo mais atuantes de Manaus. Nesse meio tempo, foram muitos os colaboradores que passaram pelas diversas sedes do grupo, ajudando na gestão de projetos que deixaram sua marca na cena manauara, como o Grito Rock, o Festival Até o Tucupi, a Mostra Internacional de Videodança na Amazônia (Miva) e a Semana do Audiovisual.

“Começamos como um movimento para criar oportunidades para os artistas daqui apresentarem seus trabalhos, estimulando cenas além das secretarias e fundações de cultura da época”, lembra a realizadora audiovisual Michelle Andrews, até hoje integrante do coletivo. Desde o início, porém, as ações foram pautadas por uma visão de artes integradas e ocupação de espaços públicos em ócio, sobretudo nos bairros e periferias. O primeiro evento com essa pegada foi o “Difusão: Tudo muda após o play”, realizado no Ao Mirante, no fim de 2006. 

Um dos membros fundadores do coletivo, também ligado ao audiovisual, Allan Gomes conta que os objetivos do grupo sempre foram meio mutantes. “Éramos muito incomodados pelo fato de as diversas linguagens artísticas não dialogarem. Quem fazia teatro ficava fechado num nicho, assim como as artes plásticas, etc. Então fomos pensando em formas de integrar artistas de diversas áreas da cultura contemporânea e urbana, como do Hip Hop e quadrinhos, e não só das Belas Artes”, diz.

Nessa época, um texto de referência para os integrantes e parceiros era o “Manifesto Um por uma arte única”, escrito pelo carioca Nadam Guerra, que pregava justamente esse hibridismo entre expressões.

Outros eixos 

De 2006 para cá, novos arranjos na cadeia produtiva da cultura se consolidaram tanto na cena brasileira quanto na amazonense, e o Coletivo Difusão seguiu por esse fluxo. “Com o tempo, fomos radicalizando propostas. Mais que pensar artes integradas, passamos a pensar a organização do campo cultural como movimento social. Chegamos ao entendimento de que a cultura também é uma disputa política”, completa Allan.

Redes colaborativas, aplicativos, plataformas e tecnologias sociais foram se tornando palavras mais frequentes no vocabulário do Difusão a partir de 2010, quando ele se tornou parte da rede Fora do Eixo (http://foradoeixo.org.br), que hoje interliga centenas de coletivos e iniciativas culturais no Brasil e no mundo. 

O FdE surgiu por volta de 2001, na cidade de Cuiabá (MT), em um contexto mais ligado à música independente, quando as gravadoras começaram a entrar em declínio. Com o tempo é que essa atuação se expandiu para outras trincheiras da cultura e da sociedade. Para Allan Gomes, o Difusão é fruto e provocador desse processo.

“Trouxemos muitas tecnologias e recursos que o Fora do Eixo já articulava no Brasil. Como essa visão de rede foi muito benéfica para o nosso grupo, passamos a compartilhar essa proposta com outros grupos da cena de Manaus”, comenta ele. “Mas também levamos para o FdE a nossa visão. Junto com outros coletivos começamos a bater na tecla das artes integradas durante os congressos e reuniões, porque até então a rede era muito focada na música”.

Permutas e Cubo Card

A dinâmica de trabalho do Circuito Fora do Eixo já foi alvo de  críticas. Um exemplo: nos coletivos e eventos da rede são comuns a permuta de serviços e os pagamentos em Cubo Card, moeda social criada pelo FdE. 

“Acho que passou a era da crítica pela crítica, até porque hoje nos colocamos em outro lugar. Já sacaram que não estamos mais no esquema de ser produtor de evento e show, fazemos isso para provocar um debate, pensando o Difusão mais como ponto de articulação”, opina a cantora Elisa Maia, colaboradora desde 2010. 

O uso de recursos públicos nas ações também é criticado, o que em parte se explica pela desinformação, segundo Elisa. “Quem critica é porque ainda não sacou que muitas vezes a parceria com o poder público não significa grana na conta, e quase nunca é, a não ser no caso dos editais aos quais todo mundo tem acesso”.