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Com expressão e movimentos intensos, espetáculo 'Sempre, Seu' domina ocupação artística

A coreógrafa e diretora artística, Marcia Milhazes, teve como inspiração uma série de cartas que nunca chegaram aos destinatários 24/01/2016 às 20:23
Show 1
Cada movimento efetuado durante a performance é intensa para expressar vários sentimentos
NATALIA CAPLAN Rio de Janeiro

Os olhares expressivos e movimentos intensos fazem do espetáculo “Sempre, Seu,” uma mistura de sentimentos e sensações. Quem o prestigia, vai do amor e alegria à dor e saudade somente com um gesto. Mas o balé é apenas parte desse mundo criado pela coreógrafa carioca Marcia Milhazes, que faz uma ocupação artística de todo o espaço Oi Futuro Flamengo, como parte da programação dos dez anos de existência da instituição.

Além da dança contemporânea, embalada ao ritmo da música barroca e medieval, um grupo de artistas foi convidado a desenvolver trabalhos especialmente para o projeto.

Desde a parte externa do prédio, o visitante mergulha em uma experiência múltipla, com fotos, desenhos, painéis e vídeos que dialogam entre si, com o ápice na apresentação dos bailarinos Aline Arakaki, Ana Amélia Vianna e Elton Sacramento.

“É um trabalho voltado para elementos da cultura brasileira, com foco no barroco, um movimento estético que virou uma das matrizes comportamentais do brasileiro”, disse o curador do espaço, Alberto Saraiva, ao ressaltar a singularidade da apresentação. “Tem influências dos movimentos negros, indígenas e portugueses se desdobrando silenciosamente no tempo. Um ser coletivo que compartilhamos. Isso difere uma Cultura da outra”, completou.

Ainda de acordo com ele, que fez questão de revelar a naturalidade manauense, esta é a primeira vez que o Oi Futuro do Flamengo recebe a segunda arte. “Em dez anos de existência do projeto, nunca houve uma experiência com dança no espaço. Ela [Marcia] está se conectando a uma história profunda do Brasil”, enfatizou. Ele incentiva os conterrâneos que visitarem o Rio de Janeiro até o dia 21 de fevereiro a “experimentar” a exposição.

“Depois que você já tem idéia de aquele espaço ‘é seu’, você vai voltar sempre. O que você vai encontrar em um museu, em espaço como esse, é sempre uma surpresa. Cada obra de arte tem algo para dizer e você só vai entender na hora do embate. Então, é como se fosse um embate do dia a dia. Você acorda, sai para caminhar e pode conhecer uma pessoa nova. Como uma obra de arte, que é sempre algo novo”, declarou.

A coreógrafa e diretora artística teve como inspiração uma série de cartas que nunca chegaram aos destinatários, com destaque para duas pós-guerra: um homem que escreve para as irmãs que nunca conheceu, imaginando como elas seriam; e outra em que duas irmãs colocam no irmão o sentido de liberdade das próprias vidas. Sobre ambas criou uma busca sobre o gesto e sua linguagem. A receptividade superou as expectativas.

“Por experiência de vida, como profissional, não existe fronteiras quando você oferece algo com qualidade. Antes de eu estar sendo brindada pelo público, eu tive todo o staff. Quando eu participei de uma visita guiada com os funcionários, já estávamos de mãos dadas”, disse.

Com duas décadas de trajetória, inclusive no exterior, Marcia Milhazes já teve a oportunidade de apresentar o clássico “Quebra Nozes” e até dançar ao som de uma serra elétrica na Europa. Entretanto, ocupar vários andares do Oi Futuro foi um desafio único, do qual ela já guarda momentos especiais. 

Ocupação artística

Na fachada do prédio, um espaço de 10m x 10m dedicado à arte pública recebe o desenho do artista plástico e arquiteto Chico Cunha sobre foto das bailarinas Aline e Ana Amélia, feita por Ana Clara Miranda.

Ainda na área externa, o Projeto Tech-Nô transforma a vitrine externa abriga uma sequência de 13 fotografias, com detalhes do gestual dos bailarinos presentes na nova coreografia da Companhia Marcia Milhazes.

Ainda no térreo do prédio, monitores exibem imagens do cineasta Gustavo Gelmini sobre as mesmas cenas retratadas na vitrine, agora, em movimento. A intenção é que cada espaço revele um pouco do seguinte, até chegar à obra coreográfica completa.

Na galeria do segundo nível, a videoarte de Gelmini é projetada em três telas, onde se veem os bailarinos em ação. Ao som de elementos da trilha sonora, ele busca as situações que serão reveladas de forma mais completa no espetáculo.

“Encontrar esse diálogo foi muito interessante. Tem uma coisa meio de cinema alemão, seco, mas humano”, afirmou a diretora artística.

Mistura de artes

A obra coreográfica “Sempre, Seu” tem sessões de quinta a domingo, com entrada gratuita. Toda a galeria está envolvida pela cenografia criada pela artista plástica Beatriz Milhazes, irmã de Marcia.

A parceria tem ainda com a participação da mãe, Glauce Milhazes, responsável não apenas pela produção, mas pela iluminação do espetáculo. O ciclo se fecha no quinto nível, com uma instalação de Chico Cunha.

O artista criou desenhos feitos a mão extremamente realistas e de grandes dimensões sobre os registros fotográficos de Ana Clara Miranda, com uma sequência de movimentos da coreografia de Marcia. Neles, ele valoriza o intérprete que revelará a linguagem da dança. Neste espaço, os bailarinos fazem breves performances, sempre às terças e quartas, nos horários de maior movimento.

“A ideia é exatamente você ter as três figuras, que originam todos os gestos, todas as ações que acontecem aqui; são o porquê de tudo isso”, explicou Chico, ao enfatizar a distância física entre as obras.

Serviço

O que é: Ocupação artística Sempre, Seu,

Onde é:  Oi Futuro Flamengo (R. Dois de Dezembro, 63 - Flamengo)

Quando é: Até 21 de fevereiro

*A repórter viajou a convite do Oi Futuro