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Como na novela, amor de jovem por mulher mais velha ainda é visto com desconfiança

A diferença de idade entre o casal da novela revelou o preconceito dos moradores do bairro do Divino, onde se passa a trama, e da família de Muricy. Na ficção, o problema é abordado com humor; na vida real, a situação não costuma ser divertida 26/06/2012 às 10:08
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Paixão de Adauto (Juliano Cazarré) por Muricy (Eliane Giardini) é alvo de crítica de familiares e amigos
Andrezza Czech/UOL ---

Com muitas moças a seus pés, homens jovens e bonitos como Adauto (Juliano Cazarré), de "Avenida Brasil", sofrem com a desconfiança da sociedade ao decidir se relacionarem com mulheres mais velhas. E o problema é ainda maior quando elas têm uma situação financeira melhor do que a deles, como Muricy (Eliane Giardini). A diferença de idade entre o casal da novela revelou o preconceito dos moradores do bairro do Divino, onde se passa a trama, e da família de Muricy. Na ficção, o problema é abordado com humor; na vida real, a situação não costuma ser divertida.

Ainda hoje, a grande diferença de idade entre os parceiros é vista com preconceito, principalmente quando as mulheres são as mais velhas da relação. "O comportamento e o discurso da sociedade mudaram, mas os valores ainda resistem", diz a antropóloga Mirian Goldenberg, professora na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e autora de "Toda Mulher É Meio Leila Diniz" (Editora BestBolso), que fala sobre a libertação sexual e emancipação feminina.

Mirian estuda casais formados por parceiros da mesma idade e os compostos por homens pelo menos dez anos mais jovens do que as suas companheiras. Ela afirma que rapazes que se relacionam com mulheres maduras têm mais admiração por suas parceiras do que os demais. "Eles são muito apaixonados. Poderiam ter a mais jovem, mas preferem a mais velha, mesmo sabendo que é uma relação estigmatizada, que envolve problemas com a sociedade, a família e os filhos dela --que se incomodam por ter a mesma idade do namorado da mãe", diz ela.

Tabus femininos

Com o avanço da idade, muitas mulheres passam a ter dificuldade de aceitar que um homem sinta interesse por elas ou acreditam que eles procuram uma figura materna, segundo Mirian Goldenberg. "Elas têm insegurança de serem trocadas por uma mais jovem. Quando um homem de 35 anos demonstra interesse, ela não crê, pois se considera velha e sem atrativos".

Pesquisadora de relacionamentos há mais de 20 anos, Mirian diz que não encontra mulheres libertárias em relação ao sexo hoje em dia. “Leila Diniz fazia sexo com quem queria, do jeito que queria. Hoje, até mesmo as jovens não assumem que transaram com mais de três caras, pois acham que pode pegar mal”, afirma a antropóloga. Segundo suas pesquisas, as mulheres que quebram tabus têm relações muito mais saudáveis do que as que se aprisionam. "Quanto mais mulheres se assumirem e se libertarem, menos preconceito haverá".