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ARTES CÊNICAS

Regina Miranda mistura dança e realidade virtual em instalação no Rio de Janeiro

Instalação coreográfica "P.O.E.M.A" é atração do Oi Futuro Flamengo, no Rio de Janeiro, até o dia 21 de agosto 24/07/2016 às 10:00 - Atualizado em 24/07/2016 às 10:23
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Tecnologia foi desenvolvida especialmente para o trabalho. foto: Renata Mello
Rosiel Mendonça Rio de Janeiro (RJ)

“Estou coreografando de uma maneira que nunca tinha feito antes”, explicou a coreógrafa Regina Miranda em conversa com jornalistas no café do Oi Futuro Flamengo, na tarde da última terça-feira. Enquanto isso, alguns andares abaixo, as bailarinas Marina Salomon, Patrícia Niedermeier e Marina Magalhães completavam a primeira hora da instalação coreográfica “P.O.E.M.A”, o mais recente trabalho da Companhia Regina Miranda & Atores Bailarinos, que fica em cartaz no espaço cultural até o dia 21 de agosto.

A grande novidade apresentada pelo grupo está no entrelaçamento de diferentes linguagens e plataformas (música, projeções, coreografia e videodança) com a mediação da realidade virtual. Sons e imagens são gerados por uma tecnologia que capta o ritmo da respiração de quem se voluntaria a usar os óculos de realidade aumentada, e é a partir desses estímulos que as bailarinas realizam suas performances. 

O processo de criação, segundo Regina Miranda, foi desafiador e envolveu a colaboração de experts em tecnologia da Sérvia, Turquia e do Canadá. “Trabalhar com essas novas tecnologias também é lidar com esse novo tempo, que de vez em quando me aflige, mas com o qual já estou acostumada. É um forma de eu também modificar o tempo dentro de mim”, completa a coreógrafa.

Ela destaca, porém, que a tecnologia está presente na instalação, não para falar de si mesmas, mas para criar poesia. “Nesse trabalho temos pessoas dos 20 aos 60 anos e isso tem sido uma experiência muito rica. Sou uma grande defensora dos trabalhos intergeracionais, não só na arte. Advogo o desconforto porque ele traz a transformação”.

Trajetória

“P.O.E.M.A” é mais um passo da Cia. Regina Miranda na investigação sobre o papel da presença e da ausência na dança e na performance art. Essa discussão, aliás, já estava presente na instalação performática “Divina Comédia”, apresentada em 1991 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Em seguida, a mesma inquietação apareceu no primeiro texto teatral da coreógrafa, “Pernas vazias” (2003) e em trabalhos posteriores, como “Orfeu” (2005) e “Manuscritos de Leonardo” (2013).

A instalação criada a convite do Oi Futuro também marca o encerramento das comemorações pelos 35 anos de atividade permanente da companhia. A primeira delas aconteceu ainda em 2015, quando todo o grupo e convidados ocuparam a sacada e o foyer do Theatro Municipal com a instalação “É sempre tarde demais pra se falar de tempo”. Há alguns meses, “Murakami: o leitor de sonhos” (2016) estreou no mesmo clima.

Para Regina, sendo sua criação mais inovadora, “P.O.E.M.A” veio para coroar a temporada de celebração. “Esse trabalho está nos deixando muito felizes. Foi um processo muito bonito, não teve tensão, porque envolveu um cuidado de todo mundo com todo mundo. Por outro lado, há esse instinto poético de trazer para dentro do trabalho quem está fora, que revela toda uma filosofia muito apropriada para o momento mundial que estamos vivendo”.

Viajante

Como diretora do Laban/Bartenieff Institute of Movement Studies, Regina Miranda vive na ponte aérea entre o Rio de Janeiro e Nova York. No dia 4 de agosto, ela embarca novamente para os EUA, onde também vai iniciar um novo processo, desta vez a partir da obra da escritora Clarice Lispector. “Eu me movo com muita facilidade entre dois mundos e culturas diferentes, não apenas pela língua, mas pela maneira de cada uma abordar o mundo. Minha apreciação crítica do Brasil se aguça quando estou fora, e vice-versa”, afirma.

Ela adianta que não vê a hora de levar “P.O.E.M.A” para o exterior. “Acho que ele pode falar muito bem do Brasil, coisa que estamos precisando. Acredito, inclusive, que os artistas têm feito isso com pouco reconhecimento dentro do País. Representamos muito bem o Brasil e com pouco ou nenhum suporte”.

Busca rápida

Teatro coreográfico e “atores bailarinos” são as expressões que melhor definem o trabalho da Cia. Regina Miranda. Embora relacionadas com tendências contemporâneas, tais como teatro-dança, teatro físico e Performance Art, essas expressões oferecem uma característica distinta: além de fundir movimento, dança, música e voz, enfatizam o texto falado como integrante de uma dramaturgia corporal e de um senso de composição não-narrativo.

Serviço

o quê: “P.O.E.M.A”, da Cia. Regina Miranda & Atores Bailarinos

onde: Oi Futuro Flamengo, Rio de Janeiro

quando: Até dia 21 de agosto, terça a domingo; instalação imersiva das 11h às 20h; performances presenciais das 16h30 às 19h30

quanto: Entrada gratuita