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RESISTÊNCIA

Conheça alguns artistas indígenas do Amazonas em progresso pelo mundo

Alguns deles comunicam parte de sua caminhada artística aqui, nesta reportagem, que não quer que eles sejam lembrados somente no dia de hoje 19/04/2018 às 13:17
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Ator Anderson Tikuna em cena no filme "Antes o Tempo Não Acabava" (Fotos: Divulgação)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Arte e resistência tem caminhado juntos há tempos, no Brasil. A luta é ainda maior quando falamos dos artistas indígenas do Amazonas, o estado com a maior população indígena do País. Algumas amarras fizeram com que demorasse 120 anos para que uma artista indígena pudesse protagonizar um espetáculo dentro do Teatro Amazonas, e para que indígenas assumissem o protagonismo desta terra, que é deles.

Seja pela demarcação de suas terras ou em clamor pelo respeito à natureza, os indígenas utilizam a sua voz, muitas vezes em forma de arte, para comunicar ao mundo o que só eles sabem: “Quando for cortado a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último Rio, é que os homens perceberão que não podem comer dinheiro” - é o que garante o ator indígena Anderson Tikuna.

Alguns deles comunicam parte de sua caminhada artística aqui, nesta reportagem, que não quer que eles sejam lembrados somente no dia de hoje, mas em tudo o que fizerem, seja nas artes plásticas, na música, na dança e na literatura em qualquer fase do ano. Uma das histórias é a do ator Anderson Tikuna, que nasceu em Tabatinga e veio para Manaus aos oito anos para estudar. Ele sempre desejou ser ator e músico.

Entre os filmes que Anderson já participou, cita-se “Tainá 2” (2003) com 13 anos de idade; o curta “A Cachoeira” (2010), aos 20 anos; e os filmes “A Floresta de Jonathas” (2012) e do filme “Antes o Tempo Não Acabava” (2017), ambos dirigidos pelo amazonense Sérgio Andrade – o último foi co-dirigido em parceria com Fábio Baldo. Por este último, Anderson - que atuou como um jovem indígena que procura se encaixar na sociedade dos não indígenas - ganhou o prêmio de “Melhor Ator” no ‘Festival Internacional de Cinema Queer’, em Lisboa.

Literatura

Jaime Diakara é indígena do povo Dessana e comanda o grupo de música e dança Kariçú, composto por 10 jovens artistas indígenas de diversas faculdades de Manaus. O grupo também atua na divulgação da cultura indígena pelas escolas e universidades amazonenses. Sob vozes e flautas, o grupo baseia o seu estilo na sonoridade cosmológica. “Simboliza o ritual do Kariçú, que é feito na aldeia antes das festividades”, pondera Jaime.

Além de músico, Jaime é artista plástico, fazendo pinturas nas camisas baseadas nos grafismos e simbologia Dessana, e é escritor de livros. Ao todo, são três publicados: “A origem da constelação da garça”, publicado pela Livraria Valer; “O lago do morto”, publicado pela livraria Autêntica, em São Paulo; e “A Historinha dos Animais”, publicado pelo programa do Sesc, Mania de Ler. “Na educação indígena, desenvolvemos o saber contando histórias. E sempre por etapas, narrando a manhã do indígena, a ida dele pra roça, e no descanso à noite”, esclarece Jaime.

Música

Nascida na aldeia Umariaçu, em Tabatinga, a cantora Djuena Tikuna começou a cantar profissionalmente na antiga feira “Puka'ar: Mãos da Mata”, que acontecia na Praça da Saudade, no Centro. Recentemente, Djuena lançou o disco “Tchautchiane”, com um show onde o protagonismo indígena reinou do início ao fim.

Voz ativa do seu povo, Tikuna foi convidada a participar da gravação da música-campanha "Demarcação Já", que participou da mobilização musical ao lado de artistas como Elza Soares, Maria Bethânia, Gilberto Gil, entre outros nomes da música brasileira. A música foi composta por Chico César e Carlos Rennó. Com o disco “Tchautchiane”, Tikuna foi indicada à categoria de “Melhor Artista Indígena Internacional” no Indigenous Music Awards, o maior prêmio mundial da música indígena, que acontece anualmente na cidade de Winnipeg, no Canadá.

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