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Constelações geram conhecimento aos povos indígenas ao longo dos séculos

Descendente de índios de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, com fluência no idioma guarani, Germano Afonso desde cedo aprendeu a conhecer as estrelas pelos nomes indígenas e vai falar sobre o tema durante uma palestra na próxima quarta-feira (25), no Teatro Direcional. O evento é gratuito 17/04/2012 às 15:09
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Segundo o pesquisador Germano Afonso, as formas que os astros desenham no céu variam entre as tribos.
acritica.com ---

 “Os índios se orientam pelas estrelas, podem prever o aumento das chuvas ou o aumento da presença de insetos”, é o que afirma o astrônomo do Museu da Amazônia (Musa), Germano Afonso, que desenvolve estudos sobre  “Etnoastronomia dos Povos Indígenas” em comunidades indígenas dos municípios de Manaus e São Gabriel da Cachoeira, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapeam). A etnoastronomia é o estudo dos fenômenos celestes realizados por povos ao longo dos séculos, que indicam informação sobre a influência das estrelas e fases da lua na vida em comunidade.

O público presente à próxima palestra do programa ‘Ciência 7 e meia’, que será realizada na próxima quarta-feira (25), às 19h30, no Teatro Direcional do Manauara Shopping, vai poder observar o céu e ouvir as histórias que estão por trás das constelações observadas. O evento é gratuito.

Descendente de índios de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, com fluência no idioma guarani, Germano Afonso desde cedo aprendeu a conhecer as estrelas pelos nomes indígenas.  Segundo o pesquisador, as formas que os astros desenham no céu variam entre as tribos. “O Cruzeiro do Sul que para os Dessana representa a força e fé, para outras comunidades, é a pata de ema ou o jabuti”, explica.

Conhecimento

Germano conta que indícios dessa tradição indígena podem ser reconhecidos através das pinturas rupestres, onde existem conotações astronômicas representando o sol, a lua, cometas, eclipses e constelações indígenas.  “Isso indica que há milênios, os indígenas no Brasil já tinham suas constelações”.

O pesquisador explica que existem constelações indígenas mais importantes ou menos importantes, pois elas indicam fenômenos extremos de chuva ou seca, calor ou frio. Ele cita como exemplos, a Surucucu e o Homem Velho. A constelação Surucucu da família linguística Tukano, no Amazonas, está localizada onde se encontram as constelações ocidentais de Escorpião e Sagitário.

Já o Homem Velho – acrescenta – da família linguística tupi-guarani, é formado pelas constelações ocidentais do Touro e de Órion. A cabeça do Homem Velho é formada pelas estrelas do aglomerado estelar de Híades, em cuja direção se encontra Aldebaran, a estrela mais bonita da constelação de Touro, de cor avermelhada. 

“Acima da cabeça do Homem Velho, localiza-se o aglomerado estelar das plêiades, representando um penacho que ele tem amarrado sobre a cabeça. As três Marias representam o joelho da sua perna sadia”, conclui o astrônomo.

Serviço
Local: Teatro Direcional do Manauara Shopping
Palestrante: Germano Afonso
Data: 25 de abril
Horário: 19h30
Evento gratuito e aberto ao público