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Entretenimento
Prédios resgatados

Construções históricas abandonadas de Manaus são palco de intervenções artísticas

Iniciativa multicultural quer valorizar a memória por trás de prédios históricos 14/08/2012 às 09:27
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Artistas da Cia. de Ideias vão levar arte para o entorno de prédios históricos da capital
Rosiel Mendonça Manaus 14 de agosto

Resgatar as referências históricas de Manaus por meio da arte. É o que pretende fazer a Cia. de Idéias por meio do projeto “Lugares que o dia não me deixa ver”, que vai promover ao longo do mês de setembro uma série de intervenções artísticas em frente a construções históricas em situação de abandono ou que passam “batidas” na correria do dia a dia.

Contemplada com o prêmio Artes da Rua da Funarte (Fundação Nacional de Artes), que destinou R$ 40 mil à concretização do projeto, a iniciativa vai levar espetáculos de artes integradas ao entorno do Cabaré Chinelo, no Centro antigo, do complexo da Booth Line, na zona portuária, do Relógio Municipal, na Praça da Matriz, e do prédio abandonado na esquina das avenidas Getúlio Vargas e Leonardo Malcher.

Segundo o diretor da Cia. de Idéias, João Fernandes, serão realizadas atividades teatrais, com encenação do espetáculo “O auto do Rei Leal”, além de performances audiovisuais e de dança. Cerca de 40 artistas de diversos grupos estão envolvidos. Após as apresentações, que acontecerão sempre às segundas-feiras de setembro, às 18h, as construções receberão iluminação especial até meia-noite. “A ideia é que mesmo as pessoas que não saibam do projeto percebam que esses lugares têm vida”, afirmou Fernandes.

Arte e memória

 “Quando idealizamos o projeto, nós queríamos valorizar os cenários de fundo. Aí pensamos em levar as apresentações para frente dessas fachadas que têm uma história na cidade. Muitas estão à espera de reforma, outras abandonadas, mas nós temos a consciência de que a população só vai atentar a essa realidade quando houver algo que chame a atenção dela”, resumiu o diretor da Cia. de Idéias, que completa cinco anos de atuação este ano.

 Segundo Fernandes, as intervenções serão um ato ao mesmo tempo artístico e político, uma maneira de ocupar positivamente esses locais, que em alguns casos acabam se tornando pontos de consumo de drogas. “É uma iniciativa nossa enquanto cidadãos e artistas, já que a Cia. não pode fazer as reformas por ela mesma. Resgatando as referências históricas e levando esse conhecimento à população, ela vai ter mais chances de cobrar seus direitos. Hoje são quatro prédios, mas amanhã podem ser 20”, completou.

A programação completa do projeto “Lugares que o dia não me deixa ver” será fechada ao longo dessa semana, mas os espetáculos que serão selecionados devem ter o mesmo tom: a rua e o processo artístico no ambiente urbano. “Para a apresentação de dança, por exemplo, estamos dialogando com grupos de dança urbana, para agregar mais ao visual das fachadas”, afirmou João Fernandes.

Atividade educativa

Até o fim de agotso, a Cia. de Idéias vai realizar um seminário voltado à sociedade em geral e aos artistas envolvidos no projeto “Lugares que o dia não me deixa ver”. Na pauta desse “aquecimento” vão estar assuntos como patrimônio histórico e bens materiais.

Mas, as intervenções com artes integradas a céu aberto fazem parte apenas da primeira etapa do projeto. A segunda fase, não contemplada pela Funarte, depende de parcerias e apoio financeiro para acontecer. A meta é discutir temas como história e memória com alunos da rede pública.

“É uma proposta que sai do campo artístico e passa a atuar no campo da educação”, afirmou João Fernandes. A ideia é que o “banho de luz” nos prédios do Centro dê visibilidade ao projeto e chame a atenção da iniciativa pública e privada. Pela proposta, os alunos vão participar de uma “revitalização digital” das construções da região histórica da cidade. Eles farão visitas aos prédios abandonados para fotografar os espaços e, com a ajuda de profissionais, farão um trabalho de restauração digital das imagens.