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Entretenimento
Tacacá Márcio e Thiago

Conversa de mestres marca primeiro Tacacá Literário na Bienal do Livro Amazonas

Os dois escritores amazonenses abriram a programação do Tacacá Literário enfatizando a importância da formação dos leitores em Manaus e no restante do Brasil 28/04/2012 às 05:51
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O primeiro Tacacá Literário da Bienal do Livro Amazonas contou com a participação dos autores Márcio Souza e Thiago de Melo.
Cassandra Castro Manaus

Um público eclético. Jovens, estudantes,professores, escritores, todos  para conferir a ‘Conversa de Mestres’, como foi intitulado o primeiro Tacacá Literário da Bienal do Livro Amazonas. 

Num clima intimista, Thiago de Mello e Márcio Souza compartilharam com o público a preocupação com a formação de leitores e o amor pelos livros.

O primeiro a falar foi Thiago de Mello que desabafou que não era para estar lá por causa de uma discordância que acabou não relevando, mas que disse ter sido sanada. O poeta disse que tem a esperança de que a realização da bienal ajude a elevar o número de leitores em Manaus. Thiago foi enfático ao falar que Manaus é, de todas as cidades brasileiras, a que menos lê ajudando o Brasil a figurar em tristes colocações quando comparado a outros países, não só na educação e saúde,mas também na leitura.

O poeta contou passagens de sua vida e fez questão de enfatizar a importância dos professores na formação dos leitores. Ele disse que devia muito do que era aos seus mestres. No fim de sua participação, Thiago fez um apelo a todos que participavam do tacacá. “ Eu aproveito para fazer um apelo: que cada um de nós ganhemos um leitor, conquistemos um, dando um livro de presente para a namorada, perguntando se ela leu”, disse.

O poeta amazonense também fez questão de falar sobre Cultura e Arte.  “Cultura é muito mais do que arte, cultura é a vida de um povo e a arte é uma forma de manifestação da cultura de um povo. Ainda estamos muito pobres em relação à cultura”, falou Thiago. Ele também destacou a importância do leitor no universo literário. “Quem dá vida à toda obra de arte é o leitor. A graça é que cada leitor interpreta de uma maneira. Imaginem se Mozart fizesse uma música e guardasse a partitura em uma gaveta? Nada aconteceria, foi preciso que escutassem, que conhecessem sua obra”, exemplificou.

Thiago de Mello também fez questão de deixar um abraço vindo do escritor amazonense Milton Hatoum que não pode comparecer à bienal. “Como eu, o Milton também tem esperanças de que este evento desperte os leitores e faça com que nós leiamos mais autores como Milton Hatoum e o próprio Márcio Souza que são mais lidos fora do país do que aqui”.

A participação do escritor Márcio Souza foi uma viagem pela realidade da formação de leitores em países que investiram nisso e colheram excelentes resultados.  O escritor chegou a falar da Bíblia que sempre foi um canal interessante de incentivo à leitura porque desperta nas pessoas o desejo de ler o livro do judaísmo e do cristianismo.  Ele também ressaltou o papel da religião como incentivadora muitas vezes da leitura nos países muçulmanos onde o índice de alfabetização é altíssimo por conta da leitura do alcorão.

Para Márcio, leitura não é um hábito. “Hábito é você escovar os dentes. Leitura é algo que você escolhe, é uma opção de liberdade”, disse. O escritor  comentou sobre a dificuldade de formação de leitores e citou uma pesquisa feita na Inglaterra que indicava que de cada 10 pessoas alfabetizadas, quatro tornavam-se leitores de fato. O país resolveu investir na leitura e o reflexo deste investimento pode ser sentido na trajetória da Inglaterra e de outros países que fizeram uma verdadeira revolução cultural e social investindo em educação e na formação de leitores, como por exemplo, a Coreia do Sul

O escritor lamentou que em Manaus atualmente, nenhuma biblioteca pública esteja funcionando  e disse que não adianta o Amazonas ser o terceiro estado no Brasil em orçamento para cultura, atrás apenas do Rio de Janeiro e de São Paulo, se não existir uma política para a leitura.

Neste sábado, tem mais Tacacá Literário com três conversas: às 15h com o tema ' História para todos' com a participação dos escritores Leandro Narloch e Abrahim Baze; Às 17h, com o tema 'No meio do caminho tinha um verso' com os autores Carpinejar e Astrid Cabral e por último, às 19h30, o tacacá irá falar sobre 'O poder do escritor', com os autores José Castello e Carola Saavedra.