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Coração renovado: novas próteses ‘stents’ são absorvidos pelo corpo

Prótese de coração, o novo stent tem a mesma função que o metálico, mas se diferencia por ser absorvida naturalmente pelo corpo e causar menos impacto na vida de quem a utiliza 16/01/2016 às 17:54
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O stent bioabsorvível causa menos desconforto ao paciente e permite um uso menor de medicamentos após a implantação
Lídia Ferreira Manaus- AM

No próximo mês,  completará um ano que o Brasil fez a primeira cirurgia com o stent bioabsorvível no órgão do coração. Com a mesma função que o metálico – a prótese permite que a desobstrução das artérias coronárias, a nova opção se diferencia por ser absorvida naturalmente pelo corpo e causa menos impacto na qualidade de vida de quem a utiliza. Após ser implantado, o stent bioabsorvível leva seis meses para começar a ser absorvido pelo corpo, um processo que pode levar até três anos.

O médico cardiologista Márcio Barroso começou a utilizar a prótese há nove meses no  Maranhão, Estado onde trabalha. Todos os seus seis pacientes que utilizaram o novo stent tiveram uma reação positiva ao tratamento. “A chance de o corpo rejeitar é a mesma do stent metálico, vai depender de cada organismo. Cada caso é único e precisa ser avaliado pelo médico”.

Segundo Márcio Barroso, o  stent bioabsorvível causa menos desconforto ao paciente e permite um uso menor de medicamentos após a implantação. “Após a intervenção cirúrgica para colocar o stent, o paciente volta a ter uma vida normal, pode fazer atividade física,  correr, nadar, trabalhar, etc”, disse. 

O médico Alexandre Abizaid, Diretor Técnico de Cardiologia Invasiva do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, explica que a medida que o dispositivo é absorvido, a artéria coronária pode se expandir ou contrair, conforme necessário, para aumentar o fluxo de sangue no coração, em resposta a atividades fisiológicas do organismo, como o exercício físico ou situações de emoção e estresse”.

Indicado para pessoas acima dos 18 anos, o stent bioabsorvível só pode ser colocado se o médico decidir por esse tratamento. Além disso, ele necessita seguir as recomendações sobre  como usar o implante, como explica Ricardo Ueoka, Gerente Geral do Negócio Vascular da Abbott no Brasil.

A empresa lançou o  AbsorbTM, modelo de Suporte Vascular Biorreabsorvível que já é comercializado em 60 países. Ele explica que o procedimento é feito pelo médico intervencionista  que pode realizar um treinamento em centros de referência em São Paulo, como o Hospital do Coração.“A Abbott  disponibiliza uma equipe especializada para acompanhar os primeiros casos  de implante junto ao médico a fim de garantir que a técnica seja aplicada corretamente, garantindo  a segurança do paciente”, explica.  

Ele reforça que há algumas contraindicações para o uso da prótese, entre ela  “doentes em que esteja contraindicada uma terapia anticoagulante e/ou   antiplaquetária; doentes com uma hipersensibilidade conhecida ou contraindicação  relativamente à aspirina, tanto heparina como bivalirudina, clopidogrel, ticlopidina, prasugrel e ticagrelor, everolimo, poli (L- ácido láctico), poli (D,L- ácido láctico) ou platina, ou com  sensibilidade ao meio de contraste, que não possam ser corretamente pré-medicados”.

Como funciona o novo ‘stent’?

Feito de um polilactídeo, material utilizado em implantes médicos,  o Suporte Vascular Biorreabsorvível (BVS) AbsorbTM permite a restauração do fluxo sanguíneo no coração, similar a um stent metálico permanente, mas que dissolve no corpo entre 2 e 3 anos depois realizar sua função.

Em contato com a parede dos vasos sanguíneos ele reage quimica-mente, sendo transformado em água e dióxido de carbono, com objetivo de deixar os vasos livres das placas de gordura e do próprio stent, que serviu de “molde” quando foi implantado.

Pesquisas

Cerca de 60 centros na Europa, Ásia Pacífico, Canadá e América Latina, sendo três deles brasileiros, participaram do estudo clínico Absorv Extend.  Os resultados das pesquisas em 250 pessoas em três anos foram divulgados em setembro de 2014,durante o congresso internacional TCT (Trans-catheter Cardiovascular Therapeutics, realizado nos Estados Unidos.