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Coreógrafo Patrick Servius realiza oficinas e cria processo com bailarinos locais

O dançarino está em Manaus, onde vem compartilhando sua visão particular da dança com estudantes e bailarinos locais 26/05/2012 às 18:22
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Trabalho de Servius na dança enfoca a questão da identidade
JONY CLAY BORGES ---

Filho de pai martinicano e mãe cabo-verdiana, o francês Patrick Servius usa a dança como ferramenta para redescobrir suas próprias raízes étnicas e culturais. “Desenvolvo um trabalho sobre identidade, enfocando especialmente a forma como alguém carrega a sua história”, explica o coreógrafo e bailarino contemporâneo. Um dos nomes à frente da Cie. Le Rêve de la Soie, de Marselha, ele está hoje em Manaus, onde vem compartilhando sua visão particular da dança com estudantes e bailarinos locais.

Há pouco mais de uma semana na cidade, Servius já realizou quatro oficinas, duas delas para estudantes do curso de Dança da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), sob a coordenação de Meiriane Carvalho, e outras duas para bailarinos da Contém Dança Cia. e do Balé Folclórico do Amazonas, respectivamente. “Não trabalho aspectos técnicos, e sim dou orientações de coreografia e interpretação artística. A partir daí, passo a me dirigir ao corpo dos alunos para construir, por meio deles, a linguagem que me interessa”, declarou Servius a A CRÍTICA, em entrevista com mediação da artista Isabelle Sabrié.

Pesquisa e criação
Na mesma linha das oficinas, Servius está desenvolvendo um processo de criação ao lado de Francis Baiardi, bailarina e coreógrafa à frente da Contém Dança. O projeto envolve um trabalho de autodescoberta e revelação da artista enquanto intérprete. “Estamos criando objetos específicos e singulares, por meio dos quais o intérprete vai descobrir coisas de si mesmo que não conhecia. É uma tentativa de fazer o espetacular a partir do íntimo, o que é um desafio”, afirma o francês. O objetivo, segundo ele, é levar o espectador a reconhecer sua própria história individual por meio da identificação com o trabalho. “É algo sensível, arriscado e demonstra uma postura de humildade”, diz. “A ideia é criar um retrato de Francis, de como ela se relaciona com o íntimo dela, com o seu passado”, explica Francis, falando de si mesma na terceira pessoa. “Isso pode resultar em algo tão honesto que aquela pessoa que esteja vendo pode se identificar e se ver refletido”.

Origens lusófonas
 A trajetória que trouxe Servius a Manaus teve início há um ano e meio, quando o coreógrafo conheceu o trabalho da Índios.com, companhia amazonense dirigida por Yara Costa, no Encontro de Danças Mestiças na Guiana Francesa. “A Índios.com trazia uma história que dizia coisas aos povos indígenas na Guiana, como duas memórias se encontrando. É como o trabalho que faço quando vou à Martinica”, conta ele, que de lá para cá passou a se corresponder com o grupo local.

Para vir à cidade, Servius elaborou o projeto “Camará”, para intercâmbio artístico com grupos de dança de Manaus, e obteve patrocínio do Institut Français, agência do Ministério das Relações Exteriores da França. Além das trocas culturais, o coreógrafo encara a vinda à capital amazonense como retorno às raízes maternas, já que em Cabo Verde, terra natal de sua mãe, fala-se português, bem como no Brasil. “Minha vinda para cá tem dois propósitos: observar as misturas culturais que se desenvolveram aqui do passado até hoje e me aproximar de minha fibra portuguesa, lusófona”.