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Cores refletem no estilo das pessoas

Preferência de tonalidades marcam a personalidade dos indivíduos 18/03/2012 às 20:50
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O cantor, compositor e poeta Celdo Braga elegeu o bege como sua cor
Elaíze Farias Manaus

Gostaria de usar esta roupa sempre, subir e descer a Quinta Avenida e ver as pessoas me invejando, querendo ter coragem de usar uma roupa assim. Em “Um Traje Suntuoso”, Mark Twain (1835-1910) escreveu em apenas oito linhas a admiração pela cor vermelha. “Gosto de roupas que chamem atenção. Nasci para ser selvagem”, diz o escritor, no conto reunido no livro “Dicas úteis para uma vida fútil”.

As imagens da época atestam que os tons claros eram predominantes nas vestes do  autor de “As Aventuras de Huckleberry Finn”, mas ao receber o título de doutor em Letras pela Universidade de Oxford usando uma beca vermelha, Twain ficou fissurado pelo traje. Demorou muito para largar a beca e era a sensação em jantares, almoços ou outro evento social.

A predileção por uma de terminada cor e aversão por outra nos trajes vai além de  excentricidades de artistas. No Brasil, um dos exemplos célebres é a objeção do cantor 

Roberto Carlos ao marrom e a sua preferência pelo azul. Diferente de quem prefere os tentar um arco-íris nos trajes, tem gente que adota (ou exclui) apenas um dos matizes. Algumas pessoas até fazem destas preferências a marca de sua personalidade. 

 

Reflexão Poética

Em meio ao colorido tropical que desfila nas ruas de Manaus, o cantor, compositor e poeta Celdo Braga elegeu o bege ou outra tonalidade afim (como o cáqui) para refletir seu temperamento, traduzir sua simbiose com a natureza e sua reflexão poética. Toda a dimensão simbólica das letras de sua música e os versos de suas poesias está associada à cor adotada. Tonalidades escuras estão descartadas, sobretudo o  preto e o marrom. “Associo o preto ao luto. Quando ao marrom, não gosto mesmo da cor”, diz. 

 

Celdo Braga descreve como “adaptação estética” a adesão a cores claras. “Passei 26 anos no grupo Raízes Caboclas, onde a gente usava bege, depois cáqui. Depois as roupas foram branqueando. O grupo ganhou a simbologia do branco. Ao migrar para o grupo Imbaúba, o branco permaneceu. Mantive as cores claras também no meu dia a dia e aboli o preto”, conta. 

 

Clima Regional

A opção pelas cores claras, com predileção pelo bege, também tem um motivo prático: é mais adequado para o clima regional. Mas é a “plasticidade poética” o  principal motivo desta escolha.  “A poesia tem a ver com essas cores claras - bege e cáqui. A maioria das plantas tem esse tom. É um cromatismo interessante”, diz.  

As vestes do compositor são tão peculiares que sequer são compradas em lojas ou magazines. A maioria delas é confeccionada por uma costureira particular.

“Eu compro o tecido e noventa e cinco por cento das minhas roupas são feitas por encomenda. Há 20 anos é a mesma costureira que faz minhas roupas. Ela já conhece meu gosto. Sempre compro os tecidos, a maioria de cambraia de linho ou algodão puro. Nunca tecido sintético”, destaca. Para ocasiões mais formais, Braga diz que costuma adotar um blazer e faz “uma composição interessante” conforme o  ambiente  que frequenta.