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Criadores da Banda da Bica divergem quanto a sua permanência

A dúvida ganhou maior projeção com o anúncio feito por Deocleciano Bentes de Souza, o Deco, um dos fundadores, durante a missa de sétimo dia de Armando, realizada na Igreja São João Batista, quando falou que a Bica morreu junto com o seu patrono 21/04/2012 às 11:12
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O questionamento sobre manter a Bica surgiu desde a morte de seu patrono, Armando Dias Soares
Rafael Seixas ---

Armando Dias Soares, patrono da Banda Independente Confraria do Armando, conhecida popularmente como Bica, faleceu no último dia 10 de abril, o que causou um questionamento entre os fundadores da brincadeira: a Bica deve continuar? Uma corrente defende a permanência e a outra, o término. A dúvida ganhou maior projeção com o anúncio feito por Deocleciano Bentes de Souza, o Deco, um dos fundadores, durante a missa de sétimo dia de Armando, realizada na Igreja São João Batista, quando falou que a Bica morreu junto com o seu patrono.

Contra

“A bica morreu com o Armando. Metade dos fundadores morreu, o Armando morreu, os outros não podem beber, porque ficaram doentes e idosos. Restaram apenas uns três ou quatro para tocar a Bica”, disse Deco, que afirmou existir muita gente se dizendo fundador, mas que nunca fundou nada. Para Osmir Medeiros, jornalista e também um dos integrantes na fundação, a banda se tornou algo desconfortável, devido à sua super lotação e à falta de segurança. “Eu não tenho saudade daquela Bica dos últimos anos, de um mar de gente e insegurança. Era impossível conversar com alguém naquela aglomeração de pessoas”, contou. “Essa é uma discussão que ainda deve esquentar, pois é muita gente envolvida. Gente de todas as classes sociais, que talvez não tenha a mesma ligação sentimental que temos com o Armando, mas que todos os anos se prepara para participar da festa. No final das contas, a cidade é que deve decidir se a Bica para ou continua”, ponderou Medeiros.

A favor

De acordo com Rogélio Casado, também fundador, o fim da Bica é algo impensável, pois é como se o Bloco do Batata ou Galo da Madrugada, em Recife, desaparecesse com a morte de seu fundador. “Pura provocação, viu Deocleciano? Mas é a única resposta ao que, perplexos, ouvimos de sua fala durante a missa do sétimo dia da partida do nosso querido Armando. Onde já se viu decretar a morte da Banda Independente da Confraria do Armando? Com que autoridade? Perdoe-me a impertinência, mas sou fundador da Bica e não fui consultado”, trecho do blog de Casado – www.rogeliocasado.blogspot.com.br –, comentando sobre o episódio envolvendo Deco. “Acho que o Deocleciano foi profundamente afetado com a morte do Armando. Fiquei impressionado com a fala dele. É impossível que alguns estejam pensando que deva acabar. Acho que a maioria acredita que tenha que continuar. A Bica não pertence a ‘A’, ‘B’ ou ‘C’. É da cidade. Ela não é mais dos que a levaram no colo”, explicou Casado, em entrevista ao jornal A Crítica.

O jornalista Mario Adolfo concorda com Casado, pois, para ele, a Bica deveria ser tombada como patrimônio cultural de Manaus, como foi a Banda de Ipanema, no Rio de Janeiro. “Eu sou favorável que ela seja tombada e que um órgão público, como a Manaustur (Fundação Municipal de Eventos e Turismo) consiga levá-la adiante. Não pode um movimento que congrega 50 mil pessoas no Carnaval acabar desse jeito”, expressou o jornalista, complementando que muitos dos fundadores da Bica foram beber, no dia da morte do Armando, em sua memória, contrariando o que justificou Deco.

Debate longo

A verdade é que só se saberá se a Banda Independente Confraria do Armando continuará existindo no Carnaval de 2013. “Esse debate deve continuar ao longo dos tempos. A dúvida só vai desaparecer no Carnaval. Em memória de Armando, espero que a Bica continue”, finalizou Casado.