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Entretenimento
Crianças inteligentes

Crianças de hoje são mais inteligentes?

A pergunta divide opiniões entre pais e especialistas que apontam aspectos positivos e negativos dessa " infância moderna" 05/08/2012 às 16:58
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Para Lena Souza Lima, a " esperteza" da filha Giovana faz parte da sua geração. Para a pequena, " deve ser por causa da Internet"
Felipe de Paula Manaus

João Luiz, de apenas três anos de idade, desliza com habilidade o dedinho indicador para navegar no iPad. Aos dois anos ele já fazia cálculos simples e sabia procurar seus jogos e vídeos preferidos no tablet. Giovana, 10 anos, é fera em Ciências e Matemática e, além de
se aventurar com segurança no idioma inglês, já fez até uma versão própria de um quadro do pintor pernambucano Romero Britto.

 Cada vez mais frequentes, casos de crianças como João e Giovana estão perdendo o status (ou estigma?) de superdotadas e contribuindo para a noção bastante difundida de que as crianças de hoje são mais inteligentes. Mas será que essa ideia é verdadeira ou não passa de uma impressão de pais e avós corujas diante de um mundo cada vez mais rápido e globalizado?

Para investigar a premissa, o Vida & Estilo conversou com pais e especialistas, que destacaram os pontos positivos e negativos desse novo cenário no universo do desenvolvimento infantil.

 Comportamento

 Segundo a psicóloga Lígia Maria Duque, esse suposto aumento da inteligência infantil é um tema que tem chamado atenção dos estudiosos. No entanto, ela comenta que o conceito de inteligência é bastante amplo e não se pode afirmar que as crianças de hoje são realmente mais inteligentes. “Hoje as crianças estão submetidas a mais estímulos que antes, e o meio é menos restritivo à participação delas. Então elas respondem de maneira mais rápida a esse meio estimulador, o que não é a mesma coisa que ser inteligente”, explica, lembrando que muitos pais priorizam a tecnologia em detrimento da atividade motora e lúdica, essenciais para o desenvolvimento como um todo e parte do desenvolvimento intelectual da criança.

 Escola

Já a pedagoga Josefina de Carvalho, professora de educação infantil há 25 anos, admite que à medida que os pequenos têm mais acesso à informação e recursos educativos mais avançados, eles tendem a se tornar mais “perspicazes”. Por outro lado, a falta de moderação no mundo tecnológico leva alguns deles a se tornarem “reféns da facilidade”. “Quando o aluno é muito exposto à tecnologia, tem muita informação, às vezes deixa a desejar na base: a leitura”, alerta a professora. Ela indica os pais a limitarem o grau de acesso dos filhos à rede de acordo com a idade (quanto mais velho, mais se pode aumentar o tempo de exposição). Atividades ao mesmo tempo motoras e intelectuais, como escrever à mão, também são ótimos exercícios, segundo a educadora.

Poli-inteligente

 Se forem várias as inteligências humanas, a pequena Giovana é praticamente uma poliatleta da mente. Ela é boa em cálculos, relaciona-se bem socialmente (adorou dar entrevista!), gosta de dança, moda, culinária e ainda arriscou uma conversa em inglês com a reportagem de A CRÍTICA, para orgulho ainda maior da mãe, Lena Souza Lima.


Quer mais? Pois bem: além de tudo isso, ela ainda brindou nossos leitores com a confecção de dois belos quadros produzidos de próprio punho, com destaque para um bem ao estilo Romero Britto, renomado artista plástico brasileiro. Quando questionada do porquê de sua geração parecer ter nascido com um “chip” na cabeça, ela diz naturalmente, mas sem um bom toque de bom humor, que é “por causa da Internet”. Vê se pode!

Visão
integral A mãe do pequeno João Luiz, a jornalista Dora Paula, conta que sempre procurou estimular o desenvolvimento do filho com jogos pedagógicos e acompanhamento profissional de psicólogos e educadores físicos. Agora, sua principal preocupação, no entanto, é “desacelerar” o processo e mostrar a João, ávido por conhecimento e apaixonado por números, a importância de brincar e fazer amigos. “O convívio é mais importante que o conteúdo”, diz ela.


Dora acredita que as crianças não estão mais inteligentes, mas os pais, estes sim, mudaram completamente, ampliando assim o cenário de possibilidades dos pequenos. “Os pais não eram o que são hoje. Também é uma nova geração de pais”, acredita ela, lembrando também que as famílias estão menores, permitindo aos pais a possibilidade de dar mais atenção para cada filho. “Se você tem menos filhos, você pode enxergá-lo integralmente”.

Saiba mais

Para o neurologista Osvaldo Nascimento, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o aumento do número de estímulos à criança aprimora o que ele chama de neuro-plasticidade. “Nossos neurônios podem ser modificados com treinamento”, diz ele. “O fator genético também é importante, assim como o alimentar”, afirmou. Ainda segundo ele, nesse contexto, a probabilidade de nasceram mais indivíduos considerados superdotados também aumenta.