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Há quem distribua sorvetes para receber em troca a alegria sincera das crianças, outros cultivam a tradição na liturgia católica como elemento de ligação entre as gerações da família e há, ainda, quem utilize o presépio natalino como um símbolo da união familiar e ferramenta de educação para os filhos 23/12/2012 às 16:33
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Carmem Nasser e seu presépio 'educativo'
Felipe de Paula ---

O Natal, por si só, é uma celebração permeada de tradições. Contudo, para cada um de nós, os costumes natalinos têm um valor simbólico ou afetivo totalmente diferente.

Há quem distribua sorvetes para receber em troca a alegria sincera das crianças, outros cultivam a tradição na liturgia católica como elemento de ligação entre as gerações da família e há, ainda, quem utilize o presépio natalino como um símbolo da união familiar e ferramenta de educação para os filhos.

Se você também tem suas tradições particulares de Natal, sejam elas quais forem, irá se identificar com estas pessoas. Pois, assim como você, elas buscam, cada qual a sua maneira, transformar um simples hábito numa grande e revolucionária cultura de amor, paz e fraternidade: seja para com a família, Deus ou um “mero” desconhecido.

Carmen Nasser e seu presépio ‘educativo’

“Ensina a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velho não se desviará dele”, diz a Bíblia no livro de Provérbios (22:6). Tal passagem é seguida à risca pela família Alcântara: dona Carmendes, mãe de Lenúbia Aziz e avó da meiga Ludmyla, há muitos anos cultivara a semente da religião na sua casa e hoje faz a colheita de seus melhores frutos.

É que a neta, de 15 anos, é coroinha na Igreja Nossa Senhora do Sameiro, e mais uma vez vai participar da cerimônia da Missa do Galo, que há mais de 40 anos é tradição impreterível na família. “Não me lembro de um ano em que eu não tenha ido à Missa do Galo”, diz a jovem, orgulhosa de sua fé. “A religião é o esteio da existência humana”, diz Lenúbia, ao que completa a mãe. “São esses os laços de família que deixamos para os filhos”, afirma dona Carmendes.

Nelson distribui alegria na Zona Norte


Há 11 anos, Nelson Rocha teve uma ideia – e talvez ele não soubesse na hora – que iria mudar sua vida. Sim, porque segundo contou à reportagem de A CRÍTICA, o sorveteiro não via o Natal como vê hoje. Naquele ano, resolveu descolorir a barba, se vestir de Papai Noel e distribuir nas proximidades de sua fábrica de sorvete, no bairro da Cidade Nova, cerca de 350 sorvelitos, ou massa de sorvete em palitos de picolé. Mas, tal como as bolas de neve, são as bolas de sorvete: em menos dez anos, o número de sorvelitos distribuídos foi aumentando e chegou à incrível marca de 30 mil sorvetes a cada Natal, nada menos que 10 mil litros de sorvete utilizados.

Marcada sempre por uma performance diferente do animado Papai Noel, no ano passado ele quebrou todos os protocolos e criou um picolé gigante, de 2.80 metros, 75 cm de largura e 500 quilos de sorvete. Para esse ano, ele está montando um iglu, de onde o “bom velhinho” sairá para presentear as crianças. Apesar de toda a dedicação, segundo Nelson, não é ele quem dá o presente. “Eu é que ganho o presente. Você tem que ver os olhinhos das crianças”, diz ele. “Eu choro todas às vezes. Inventei esse troço e não vivo mais sem isso”, declarou.

Tradição na Missa do Galo


Desde criança, a médica cardiologista Carmen Nasser cultiva o hábito de montar o presépio natalino com a família. Quando teve o primeiro filho (hoje com 30 anos), ganhou de uma amiga um presépio feito na Europa e trazido por um padre italiano a Manaus. Símbolo da infância de seus filhos, estas peças têm para ela um valor especial. “Ele é um presépio simples. Tenho outros, mais bonitos, mas esse tem um grande significado”, diz ela. Carmem conta ainda que costumava criar brincadeiras com os filhos utilizando a simbologia da cena bíblica: cada filho era representado por um carneirinho e, caso se comportasse bem durante o dia, dava um passinho a mais para perto de Jesus. Caso contrário, davam um passo para trás. Questionada se a técnica funcionava, ela não hesita. “Claro. Todo mundo queria chegar perto de Jesus”.