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Depressão

Depressão: as aparências enganam

 Apesar de a tristeza ter ido embora, não significa que a recuperação está completa 14/09/2012 às 10:30
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Muitas vezes, a tristeza até passa, mas isso não significa que a recuperação está completa
acritica.com Manaus

Quem já não teve aquela sensação de que tudo parece estar bem mas, na verdade, nem tudo está tão normal assim? Às vezes isso acontece com quem tem depressão: “durante o tratamento, o humor e outros fatores relacionados à doença melhoram, como fadiga e insônia, por exemplo.

Porém, esta recuperação não permite que o paciente retome a produtividade habitual no trabalho, reassuma hobbies ou resgate relacionamentos pessoais”, explica Gisele Minhoto, psiquiatra, neurofisiologista e professora titular de Medicina da PUC-PR. “São os chamados sintomas residuais, que não possibilitam ao paciente ter a funcionalidade restaurada”, complementa.

Na prática, isso significa que o paciente consegue levar o dia a dia, mas não da mesma maneira como o fazia antes da depressão. Portanto, mesmo com um enorme progresso durante o tratamento, a reintegração é parcial – e não total, como deveria ser. É aqui que entra a escala PHQ-9, utilizada para avaliar os sintomas do Transtorno Depressivo Maior (TDM) pode ajudar na identificação destes sinais residuais.

Ela deve ser preenchida pelo paciente levando em conta a frequência e intensidade com que foi incomodado pelos problemas mencionados no questionário nas duas últimas semanas. É importante indicar o grau de dificuldade que os itens assinalados causaram para atividades como trabalho, tomar conta da casa ou para se relacionar com as pessoas: nenhuma dificuldade; alguma dificuldade; muita dificuldade; extrema dificuldade.

 Ao final, os resultados devem ser somados e a pontuação conferida na tabela de classificação. Vale lembrar que somente o médico pode diagnosticar a depressão e a escala PHQ-9 é utilizada apenas para auxiliar a pessoa a identificar os sinais da doença e orientá-la a procurar a ajuda do psiquiatra.

“Estudos mostram que de 30% a 50% dos pacientes têm sintomas residuais, mesmo aqueles que apresentam remissão1”, explica Gisele. Quando estes sintomas são tratados, há significativa melhoria na qualidade de vida do paciente, além da retomada da funcionalidade familiar, social e profissional. E, quando se fala no tratamento da depressão, o objetivo é atingir a remissão (equivalente a atingir de 01 até 04 pontos na escala PHQ-9) e recuperar por completo a funcionalidade da pessoa acometida.

“Em casos mais leves, apenas a psicoterapia pode ajudar na recuperação, porém, em casos mais graves, os medicamentos também são necessários para que a doença seja controlada com agilidade e eficácia”, orienta a especialista. Dentre os antidepressivos existentes destacam-se os de 3ª geração.

Um exemplo é Pristiq (desvenlafaxina), que consegue equilibrar a disponibilidade de dois neurotransmissores importantes na depressão, agindo como um inibidor de recaptação de noradrenalina (NE) e serotonina (5HT) – diretamente relacionadas ao mecanismo da doença. Essa abordagem mais completa proporciona boa eficácia, especialmente relacionada à funcionalidade do paciente, aliada ao bom perfil de segurança.

Para combater a doença, além de ser essencial seguir corretamente o tratamento, a prática de atividades físicas também é importante. Esportes liberam endorfina, substância que causa sensações de alegria, bem-estar e melhoram a qualidade de vida do paciente.

Muito além da tristeza

Fadiga, insônia, falta de energia, tristeza profunda, problemas gastrointestinais, retardo psicomotor (fala e movimentos lentos), ansiedade, distúrbios alimentares – estes são alguns sintomas da depressão. “Engana-se quem acredita que a doença deixa suas marcas apenas no humor da pessoa. A enfermidade vai muito além da tristeza e seu impacto pode ser percebido não só emocionalmente, mas também funcionalmente”, desmistifica Gisele Minhoto.

 Muitas vezes, o cansaço excessivo ou irritação prolongada também podem ser sinais da depressão – aliás, este último sintoma é classicamente confundido com a tensão pré-menstrual. “Muitas pessoas chegam aos consultórios reclamando de sobrepeso por conta de distúrbios alimentares, e insônia, por exemplo. Após uma investigação mais aprofundada, acabamos descobrindo que essas pessoas estão com depressão”, relata a especialista.

 Referência:

1. Nierenberg et al, J Clin Psychiatry 1999; Nierenberg et al, J Clin Psychiatry, 2001; Doesschate et al., J Clin Psychiatry, 2010:71; Briley & Moret, Neuropsychiatr Dis Treat. 2010:6; Blier & Briley, Neuropsychiatr Dis Treat. 2011:7

* Com informações da Assessoria da Pfizer