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ARTE

Designer viaja pelo AM registrando imagens de artesãos indígenas e ribeirinhos

Sérgio Matos, do Mato Grosso, já passou por pelo menos sete municípios e comunidades 12/10/2017 às 05:00 - Atualizado em 12/10/2017 às 12:54
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Designer valoriza os profissionais da região por meio da fotografia (Foto: Divulgação)
Artur César Manaus (AM)

O designer mato-grossense Sérgio Matos tem viajado pelo interior do Amazonas e descoberto e revelado imagens e histórias inspiradoras, algumas delas compartilhadas pelo Instagram (@sergiojmatos). Ele é consultor no Projeto Brasil Original do Sebrae Amazonas, cujo objetivo é apoiar e valorizar os artesãos indígenas e ribeirinhos, capacitando-os nos diversos aspectos da atividade, desde melhorias nos produtos e novos métodos de fabricação até a gestão de negócios e ações de mercado. São quase 100 artesãos das regiões do Alto Rio Negro, Alto Solimões, Baixo Amazonas, Manaus e entorno beneficiados.

“Sempre foi um sonho trabalhar no Amazonas, um lugar cheio de identidade e material humano. Nós levamos muito em conta a história de vida dos artesãos nos nossos trabalhos. Essa experiência tem contribuído e muito para mim pessoalmente, para refletir sobre a vida, sobre as dificuldades, a espiritualidade. Tenho aprendido bastante com eles. Isso é uma troca, todos ganham”, destaca o designer, cujo o trabalho é um dos mais requisitados do Brasil.

“As histórias são muitas, algumas tristes, outras de superação”, conta Sergio, como a de José Garcia Pinto, 38, artesão indígena da etnia kuripaco, que trocava seu artesanato por roupa e comida. Autor de peças decorativas e cestarias, José é morador do município de São Gabriel da Cachoeira e se tornou um empreendedor referência dentro do Projeto Brasil Original, chegando a estampar as páginas da revista de circulação nacional Casa Vogue. Desde que iniciou no projeto, Sergio já passou por municípios como São Gabriel da Cachoeira, Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro, Tefé, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Manaus, além de várias comunidades.

“Tenho certeza que o artesanato do Amazonas não deve em nada para o artesanato do resto do País, nem mesmo do nordeste, que é bem divulgado, mais acessível. Não se compara uma arte com a outra, são coisas totalmente distintas, mas todas com grande capacidade e qualidade para entrar em qualquer mercado, seja aqui no Brasil ou fora”, observa.

Original

Sergio lamenta que o artesanato produzido no Amazonas não seja tão valorizado internamente. “Procuro aproximar o mercado do artesão, cujo trabalho é de excelente qualidade e cheio de identidade. Procuro inserir esse lado mais contemporâneo no trabalho deles, como uma forma de atingir outros mercados, como o da decoração”, explica o mato-grossense, formado em Designer de Produto pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

Ele destaca a evolução de muitas comunidades em relação ao desenvolvimento da comercialização dos produtos. “Se tornam empreendedoras mesmo, como no caso de Barcelos, onde as artesãs já terceirizam parte da produção delas para dar conta da demanda. Elas treinaram e capacitaram várias outras comunidades, que se tornaram fornecedoras delas”, conta.

Outro exemplo é São Gabriel da Cachoeira, município do artesão José Garcia Pinto. Antes, somente ele produzia na sua comunidade, hoje quase toda já vive do artesanato. “Eles resgataram isso. Antes, quase ninguém queria mais trabalhar com artesanato, isso mudou. O artesanato é uma forma de gerar renda em comunidades que não têm outra alternativa econômica. A gente vê isso nas comunidades. Temos fortes exemplos no Amazonas que o artesanato tem mudado a vida dessas pessoas, incluindo o aumento da autoestima”, afirma o designer. 

Ele adianta que o Estúdio Sergio Matos está desenvolvendo uma coleção no Município de Santa Isabel do Rio Negro, além de um projeto junto ao Mercado da Moda de Manaus. A intenção é desenvolver uma coleção para 12 empresas da capital amazonse. “Temos também a perspectiva de trabalhar em regiões um pouco mais distantes, como a dos Ianomâmis”.