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Workshop doenças cardiovasculares

Desinformação sobre doenças cardiovasculares ainda é grande entre população brasileira

De acordo com pesquisa divulgada durante workshop realizado em São Paulo, a população brasileira não conhece causas e prevenções de doenças cardiovasculares 24/05/2012 às 21:01
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População brasileira é desinformada em relação a doenças cardiovasculares aponta pesquisa
Suzana Melo ---

Durante o lançamento de um novo medicamento que promete mudar a história da prevenção e tratamento dos problemas cardiovasculares no Brasil, o Xarelto (Rivaroxabana), a empresa fabricante, a Bayer, apresentou, na manhã dessa terça-feira (22), em São Paulo, o resultado de uma pesquisa que em vários aspectos foi considerada alarmante, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o médico cardiologista Jadelson Pinheiro Andrade. O levantamento apontou um total desconhecimento da população brasileira sobre as causas do acidente vascular e, consequentemente, da prevenção às doenças cardiovasculares. O dado inclui a Região Norte, onde a Bayer começa este ano uma pesquisa detalhada sobre o perfil cardiovascular dos pacientes da região.
 
O detalhe é ainda preocupante, de acordo com o cardiologista, uma vez que o Brasil é um país com um dos maiores índices epidemiológicos em números de mortes por acidente vascular cerebral (AVC) na América Latina, com mais de 129 mil casos todos os anos, conforme levantamento feito junto a dados do Sistema Único de Saúde. O presidente da SBC destaca que os dados podem ser ainda piores, se for levado em conta o número de casos não registrados.
 
“O resultado dessa pesquisa demonstra uma necessidade urgente de maior conscientização da população brasileira sobre a saúde cardiovascular e seus fatores de risco. A cada minuto, uma pessoa morre de infarto de miocárdio no mundo. As doenças do coração estão entre as maiores causas da mortalidade, mais de 30% no Brasil. Isso deve ser uma preocupação da sociedade, da imprensa e, principalmente, do Governo”, destacou Andrade.
 
O presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia alertou ainda que o crescimento desse percentual é irreversível, uma vez que o numero de fatores de risco aumenta com a idade, e a população mundial está envelhecendo.
 
Levando em conta todas estas informações e os resultados apresentados pelo Xarelto, durante as pesquisas, Andrade destacou a importância desta nova medicação no mercado farmacêutico, no que se refere ao tratamento e prevenção de doenças cardíacas.
 
De acordo com o supervisor de Cardiologia Clinica do Hospital do Coração, Ricardo Pavanello, o acidente cardiovascular pode ser revertido por meio de medicamentos, e dentre eles, durante mais de 110 anos, a aspirina foi a mais efetiva, sendo no século passado, a principal droga usada na prevenção do AVC. Nos últimos 50 anos, ela foi substituída pela varfarina – uma antagonista da vitamina k -, que demonstrou ser ainda melhor no cenário da fibrilação arterial.
 
Mas ao longo do tempo, as pesquisas comprovaram que o medicamento demora para fazer efeito, que por sua vez é longo, o que prejudica o trabalho medico na hora que se quer reverter o efeito do remédio, além de requerer monitoramento constante. “Pacientes que fazem uso da varfarina chegam a fazer exames de sangue semanais, quando se faz necessário”, detalhou, completando que o medicamento também requer cuidados quanto ao uso juntamente com outros remédios e até mesmo com a ingestão de certos alimentos.
 
A necessidade de um anticoagulante que apresentasse uma resposta previsível, início e término rápidos do efeito anticoagulante, e que pudesse ser administrado em doses fixas, via oral e sem apresentar intervenções colaterais com outros produtos ou medicamentos foi atendida por meios dos resultados obtidos com o efeito da rivaroxabana, conforme a explicação de Parvanello.
 
O medicamento é analisado desde 1998, o que incluiu estudo pré-clínicos, com animais e mais de 14 mil pacientes investigados em mais de 140 países. Testada em pacientes com fatores de risco como pressão alta, diabetes, derrames, e comparada com o tratamento stander, então existente, a varfarina, o medicamento mostrou-se eficaz.
 
Os dados foram apresentados durante o lançamento do medicamento nas dosagens de 15 miligramas e 20 miligramas, uma vez que a versão em 10mg, aprovada no Brasil para a redução no risco do AVC, foi lançada em 2010. As novas dosagens do Xarelto que com base em mais pesquisas, estão sendo utilizados com sucesso em outras áreas de tratamento de doenças cardiovasculares, como a trombose venosa foram lançadas ontem, simultaneamente, em vários países como Canadá e Alemanha. Na America Latina, o Brasil foi o primeiro a conhecer o novo produto.
 
“São 115 anos de investimentos e pesquisa no Brasil, onde somos a primeira empresa farmacêutica e a mais antiga, hoje, com mais de quatro mil funcionários. O Brasil é o quinto país mais importante para a Bayer e, por isso, esta prioridade”, destacou Theo Van der Loo, presidente da Bayer HealthCare Pharmaceuticals no Brasil.
 
De acordo com o presidente da Bayer, a pesquisa foi realizada com sete mil participantes, acima de 18 anos, em oito capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Recife, Brasília, Curitiba e Porto Alegre). “Este ano vamos começar pesquisas regionais e direcionadas o que inclui o Amazonas”, declarou.