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Dia Mundial do Prematuro: problemas respiratórios são principal desafio à saúde do bebê

Infecções no trato respiratório são também maior preocupação de pais, segundo enquete; Dia Mundial do Prematuro é comemorado no dia 17 de novembro 16/11/2015 às 17:40
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Sair da maternidade sem o bebê, que continua hospitalizado após a alta médica da mãe, é um dos desafios apontados por pais de prematuros
Jony Clay Borges Manaus (AM)

Problemas respiratórios estão entre os maiores desafios para a sobrevivência de bebês prematuros, sendo a preocupação de 32% dos pais, de acordo com a Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Prematuros, a ONG Prematuridade.com. Em segundo lugar, estão os problemas neurológicos, mencionados por 13% dos familiares.

Isso foi o que mostrou enquete realizada pela ONG, com cerca de 130 pais de bebês prematuro. São considerados prematuros os bebês nascidos com menos de 37 semanas de gestação ou abaixo de 2,5 kg de peso. No mundo, 17 de novembro é o Dia Mundial de Atenção ao Prematuro.

No Brasil, segundo dados do Sistema de Informações de Nascidos Vivos, do SUS (Sistema Único de Saúde) e Ministério da Saúde, nascem cerca de 40 bebês prematuros por hora, que corresponde a 12,4% de taxa de prematuridade. Em ranking da Organização Mundial da Saúde, o Brasil está entre os 10 países com maior número de nascimento de bebês prematuros.

Uma pesquisa científica – o estudo BREVI (BRazilian REspiratory VIrus Study, publicada no Pediatrics Infectious Disease Journal, em outubro de 2014) identifica os problemas respiratórios como uma grande preocupação para os pais de prematuros.

A pesquisa revelou que o vírus sincicial respiratório (“VSR”) é a causa mais frequente de infecções respiratórias do trato inferior de bebês prematuros, nascidos com ou abaixo de 35 semanas de gestação, sendo duas vezes mais comum que o rinovírus (o mais comum entre os vírus causadores de resfriados). Este é um vírus de caráter sazonal, cuja estação de circulação varia de região para região.

DESAFIOS DA FAMÍLIA
A enquete da ONG Prematuridade.com revela ainda que o momento mais difícil vivenciado pelos pais de prematuros é sair do hospital sem o bebê (26%) que continua hospitalizado após a alta da parturiente. “As famílias ficam aflitas, com a falta de informação sobre a saúde do seu bebê, que permanece em UTI”, afirma Denise Suguitani, fundadora e diretora executiva da ONG Prematuridade.com.

Esse sentimento é demonstrado na enquete, que registrou a “desumanização” da UTI (18%), falta de apoio psicológico para os pais durante a hospitalização do bebê (16%) e falta de informação sobre a saúde geral de seu bebê (9%) como situações desafiadoras para os pais de prematuros.A Prematuridade.com foi criada com o objetivo de compartilhar e debater informações a respeito da prematuridade. Para mais informações, acesse www.prematuridade.com.

BOX: Calendário para imunizações/vacinações
Em atenção às necessidades específicas para a saúde do prematuro, a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIM) criou um calendário de vacinações/imunizações especial, que pode ser conhecido no site da entidade, www.sbim.org.br.

“No Brasil, ainda temos uma grande disparidade em relação aos prematuros. Enquanto em algumas poucas regiões se observa  um alto índice de sobrevivência de prematuros nascidos com poucos meses de gestação, em outras a mortalidade é grande, por falta de cuidados adequados”, afirma o especialista e vice-presidente da SBIM, Renato Kfouri. “Nosso objetivo com este calendário é sugerir um padrão de cuidado para todas as localidades do País”.

O calendário prevê diferentes períodos de imunização no País, de forma a abranger o combate ao VSR, vírus sazonal cuja estação de circulação varia de região para região.

“Como o VSR pode ocorrer em diferentes épocas nas várias regiões brasileiras, o calendário para prematuros prevê períodos de imunização distintos: na região Norte, os prematuros devem ser imunizados de  janeiro a junho; no Sul, de março a agosto; e nas outras regiões, entre fevereiro e julho”, recomenda Kfouri.

SAIBA MAIS

Calendário
Durante o mês de outubro, a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIM) apresentou novo calendário de vacinação/imunização específica para bebês prematuros (nascidos com menos de 37 semanas de gestação, ou com menos de 2,5 quilos).

Risco
Quanto mais curta a gestação e menor o peso do bebê ao nascer, maiores são os riscos.

Taxa
No Brasil, segundo dados do Sistema de Informações de Nascidos Vivos, do SUS e Ministério da Saúde, nascem no país 931 prematuros por dia ou 40 por hora, indicando uma taxa de prematuridade de 12,4%, o dobro do índice de alguns países europeus.