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Diagnósticos de AVC crescem entre os jovens brasileiros

De 1998 a 2007, as internações de pacientes de 15 a 34 anos aumentaram 64% entre os homens e 41% entre as mulheres no Brasil 23/01/2013 às 10:34
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De acordo com dados do Ministério da Saúde, nos homens entre 15 e 34 anos o índice de casos de AVC aumentou 64% entre os anos de 1998 e 2007, no Brasil
Ana Celia Ossame ---

epoimento de Dados do Ministério da Saúde revelam que, entre 1998 e 2007, houve um crescimento de 64% nas internações por Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido por derrame, entre homens de 15 a 34 anos, e de 41% entre mulheres que estão nessa mesma faixa etária.

Como a doença nessa faixa etária está mais relacionada a problemas congênitos, o médico neurologista Ricardo Santana, do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), aponta esse aumento à melhoria do diagnóstico e não simplesmente ao crescimento da incidência da doença entre as pessoas.

O aumento no registro de casos de jovens com AVC é uma realidade no mundo, no Brasil e no Amazonas por conta do diagnóstico, que tem sido mais precoce, disse Ricardo, que também é professor da Faculdade de Medicina da Ufam. De acordo com ele, nos jovens, qualquer doença vascular costuma ser mais grave, por isso, quanto mais cedo for feito o diagnóstico e o tratamento da doença, especialmente em casos com histórico familiar, antecipando-se ao rompimento da artéria, menos sequelas haverá.

FATORES

Ricardo Santana explicou que, para os casos congênitos, não há nenhum fator ambiental que possa influenciar no aparecimento dos acidentes vasculares, ao contrário de pessoas com idade acima de acima de 50 anos, nas quais a doença tem a ver com hábitos de vida. O professor da Ufam afirmou que, embora tenha havido uma melhora no diagnóstico, é possível melhorar os serviços e, principalmente, a prevenção.

Nesses casos, o consumo de alimentos ricos em gorduras trans, fast-foods ricos em sódio, o sedentarismo e aumento da obesidade são causas fundamentais para a doença, indicou o médico. Outros fatores como tabagismo, diabetes, doenças cardíacas e uso de drogas também contribuem para aumentar o risco de derrame em pessoas com idade acima de 50 anos.

Além desses cuidados, o Ministério da Saúde tem outras recomendações  importantes, como o controle da pressão arterial e do nível de açúcar no sangue. Como hipertensos e diabéticos exigem tratamento e precisam de acompanhamento médico permanente e pessoas com pressão e glicemia normais raramente têm derrames, é fundamental que se mantenha abaixo de 200 o índice do colesterol total.

A adoção de uma dieta equilibrada, com a redução da quantidade de açúcar, gordura e sal nos alimentos, da ingestão de bebidas alcoólicas e evitando o tabagismo, reduz consideravelmente os fatores de risco. Especialistas apontam que o fumo é um fator de alto risco para acidentes vasculares.

Depoimento de Marcos José Vale, estudante universitário

“Eu sempre soube que na minha família eram comuns as doenças cardíacas e alguns morreram vítimas de derrame. Isso me causava preocupação por um lado, mas por outro  achava que era coisa para os velhos. Ano passado, no entanto, ao completar 29 anos de idade, passei mal sentindo dor de cabeça intensa, muita náuseas e vômitos e fui levado ao pronto-socorro. Minha sorte é que fui atendido por um médico que, ao tentar saber do meu histórico familiar de doenças, pediu uma tomografia por meio da qual constatou o problema. Eu estava com AVC e nem imaginava isso. Não precisei operar, mas fiquei internado por vários dias e muito tempo depois voltei à rotina, mas com a recomendação de manter a pressão média igual ou inferior a 12 por 8, por isso, hoje, tomo remédio regularmente para isso”.

Derrame pode ter duas variações

De acordo com os médicos, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) ocorre quando as artérias que irrigam o cérebro sofrem uma obstrução ou uma ruptura, provocando a morte do tecido cerebral. Foram identificados dois tipos de acidentes vasculares cerebrais: o isquêmico e o hemorrágico.

O AVC isquêmico ocorre devido à obstrução de uma artéria, o que faz com que as células do cérebro fiquem sem fornecimento de sangue, o que ocasiona a falta de oxigênio e glicose suficientes, provocando a morte desse tecido. O AVC isquêmico é como um infarto na cabeça e pode ser causado por Fibrilação Atrial (FA), um tipo de arritmia cardíaca, informam os médicos.

Já o AVC hemorrágico consiste em uma hemorragia no cérebro, provocando uma ruptura de um vaso sanguíneo, afetando o fluxo normal e permitindo que o sangue se espalhe pelo tecido cerebral. Quando este sangue entra em contato direto com o tecido cerebral e o irrita, pode causar cicatrizes que vão acarretar, posteriormente, convulsões. O atendimento rápido e adequado ajuda na recuperação e na qualidade de vida do paciente que sofre um derrame.