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Dissica Calderaro: ‘A TV A Crítica foi a primeira emissora a transmitir o festival de Parintins’

Presidente do Sistema A Crítica de Rádio e TV defende que Caprichoso e Garantido conversem com quantas emissoras forem necessárias para encontrar a melhor proposta de transmissão da festa; confira a entrevista 26/01/2013 às 12:43
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Dissica Tomaz, diretor presidente do Sistema A Crítica de Rádio e televisão
ARUANA BRIANEZI Manaus (AM)

 A poucas semanas do Carnaval, em Manaus só se fala no Festival Folclórico de Parintins. A festa popular que “para” o Estado no último fim de semana de junho caiu na “boca do povo” mais cedo por conta da disputa pelo direito de transmissão das apresentações. Doze horas após o anúncio de que Caprichoso e Garantido assinaram protocolo de intenções com a Rede Amazônica/Amazon Sat, a Rede Calderaro de Comunicação (RCC) apresentou seu projeto de transmissão, atraindo de imediato a atenção do boi vermelho. A presidente do boi azul, Márcia Baranda, também já tem conversa marcada com a direção da RCC para ouvir a proposta oficial. Em meio ao zunzunzum gerado pela movimentação das emissoras, o diretor-presidente do Sistema A Crítica de Rádio e Televisão concedeu entrevista sobre a disputa. Dissica Calderaro defende a legitimidade do projeto da RCC, relembra histórias das transmissões e afirma: não há contrato fechado com nenhuma emissora. Confira, abaixo, a entrevista:

Por que a TV A Crítica decidiu apresentar aos bois Caprichoso e Garantido uma proposta de transmissão do Festival Folclórico de Parintins?
A TV A Crítica foi a primeira emissora a transmitir o festival. Foi uma transmissão só para a cidade de Parintins. Eu não era nem nascido, mas nosso fundador, Umberto Calderaro, teve esse entendimento que nos acompanha desde a fundação da Rede Calderaro: o de que o slogan “De mãos dadas com o Povo” representa estar de mãos dadas com a cultura, com o esporte, com o lazer, com o desenvolvimento do Estado. Então, nós participamos do primeiro momento dos bois na TV, fomos desbravadores em transmissão. Muito tempo depois, transmitimos o festival durante oito anos. Demos nossa colaboração e nossa contribuição. Então acho que agora é até uma obrigação nossa apresentar essa proposta. 2013 é o ano do centenário dos bois e a TV A Crítica não pode deixar de participar desse momento histórico. É um gesto legítimo, de uma rede que faz parte da história dos bois.  Estamos dentro dos nossos direitos e vamos brigar por eles sempre.

Quando surgiu o projeto de retomada da transmissão?
Desde o ano  passado nos colocamos à disposição dos bois. Houve um alerta muito forte, e isso ecoou na cidade, de que talvez o festival ficasse sem transmissão em 2012. Foi um corre-corre. E, faltando apenas 45 dias para o festival, nos colocamos à disposição do Caprichoso e Garantido. Nos oferecemos inclusive para gravar o DVD do Garantido - e fizemos. Nos oferecemos também para gravar o do Caprichoso. Eu me reuni aqui na TV com a presidente Márcia Baranda e com o empresário Orsine Jr e ofereci as mesmas condições: gravar de forma gratuita, sem ônus para o boi. Então desde o ano passado a gente vem se colocando à disposição e lutando pela transmissão porque conhecemos a importância dessa festa para a região e para o povo de Parintins.

O que faltava para ser oficializada essa proposta?
Estávamos  num processo de convencimento da nossa cabeça de rede (Record) sobre a importância da festa. Agora no início do ano conseguimos uma liberação para fazer adequação na grade e entrar ao vivo, para todo o Estado, com o festival.  É até engraçado a forma como isso aconteceu, mas começou como se fosse um relacionamento afetivo: comecei paquerando a Record. Fui mostrando a ideia aos poucos, por emails, até que tivemos uma primeira reunião e levei um “fora”, recebi uma negativa da rede. Mas não desisti e um tempo depois tive a oportunidade de me reunir com o presidente (da Record) Alexandre Raposo e todo o corpo de vice-presidentes da emissora, que cederam, de forma única, a grade da Record no Amazonas. Acredito que tenha sido a primeira vez que isso aconteceu no Brasil: uma grande rede adequar sua grade para contemplar a transmissão num Estado.


E os bois sabiam dessa negociação? Você manifestou claramente a eles a intenção de transmitir a festa?
Quando retornei de viagem falei com os presidentes dos dois bois, por telefone, e comuniquei que na terça-feira (dia 22) a proposta estaria pronta. Mas nós já vínhamos conversando. Por várias vezes conversei com o presidente do Garantido, Telo Pinto. Almocei  com a presidente do Caprichoso, Márcia Baranda, com quem também tive contatos por telefone. Sempre colocando para eles a intenção de transmitir o festival e revelando as tentativas que eu estava fazendo junto às duas emissoras cabeças de rede que a RCC representa no Estado (Record e Rede TV) para buscar uma proposta que fosse boa. E que fosse boa principalmente para os bois, para Parintins e para o desenvolvimento da Cultura.

Como você encara o fato de uma emissora concorrente, a Rede Amazônica/ AmazonSat, também ter feito uma proposta aos  bois?
Acho isso maravilhoso. Assim é nas nossas empresas e dentro da nossa casa: é preciso ter opções de escolha. Se você vai comprar um carro, pode até gostar e reservar o primeiro que aparece, mas por mais que pareça vantajosa aquela compra, você dificilmente fecha negócio sem pesquisar. Isso é agir com responsabilidade. Nós, aqui na RCC, quando vamos contratar um prestador de serviços, analisamos pelo menos três propostas. Não se fecha com a primeira que se coloca na mesa.  Isso não pode ser uma corrida desenfreada. Estamos falando de duas agremiações gigantes, em tamanho e importância. Veio a segunda proposta de transmissão, amanhã talvez venha uma terceira, a quarta. Existe inclusive a possibilidade da Rede TV fazer uma proposta... Então isso é normal e natural nesse processo. Até porque, ninguém é dono do Festival Folclórico de Parintins.

A TV A Crítica apresentou ao Garantido e apresentará ao Caprichoso um protocolo de intenções para a transmissão do festival. O que significa isso, na prática?
As pessoas estão confundindo contrato, pré-contrato e protocolo de intenções. O documento que assinamos com o Garantido é um protocolo de intenções. Faço uma apresentação para a agremiação dizendo o que estamos oferecendo, até onde podemos ir no médio e longo prazo, o que podemos buscar juntos, o que representa ter toda a força da maior rede de comunicação do estado e quando termina eu pergunto:  vocês gostaram, tem interesse, podemos seguir? Caso digam sim - e isso aconteceu com o Garantido - é assinado esse documento para a gente começar a desenhar a parceria. É um gesto que oficializa um interesse em continuar conversando. Volto a fazer o comparativo com a compra do carro: se você não gostou, nem reserva, não faz o vendedor perder tempo.  

Mas os bois já haviam assinado o mesmo documento com a Rede Amazônica/Amazon Sat...
Sim. Mas é irresponsável e mentiroso dizer que a transmissão está fechada. Jamais vou dizer isso. O Garantido assinou com as duas emissoras, para conversar com as duas. Espero que o Caprichoso faça o mesmo. Aliás, na minha opinião os bois tem que negociar com qualquer emissora que tenha interesse em transmitir a festa. O que não se pode é forçar a barra, anunciar que já está tudo acertado. Estamos em um momento de discussão.

Então o protocolo é um primeiro passo para um futuro contrato, mas sem muita ‘amarração’?
Essa é ordem natural do processo de escolha, do estabelecimento de uma relação. Assim aconteceu no passado. Há 13 anos vivemos esse processo. O festival era transmitido pela empresa que este ano apresentou proposta (Amazon Sat)  e os bois decidiram quebrar o contrato, por entender que a proposta da TV A Crítica era mais vantajosa naquele momento. Terminado o contrato conosco, os bois decidiram encerrar a parceria conosco e ir para a emissora co-irmã Bandeirantes. Foi a mesma coisa: entenderam que a proposta deles era melhor. A gente aceitou que aquilo era melhor para o festival. Recuamos e a Band fez um trabalho que eu respeito  muito. E é importante ressaltar que durante esse período, A Crítica jamais deixou de investir no festival. Não temos essa postura, não viramos as costas para o festival e jamais o faremos.

Essa decisão de continuar dando espaço para o festival tem a ver com ‘DNA Calderaro’?
Nossa responsabilidade com a festa, com o Estado e com o município de Parintins está longe de ser vaidade ou mesmo vantagem financeira. Estamos há 63 anos no Amazonas, somos uma empresa amazonense e é só aqui que investimos nosso capital, nosso trabalho, nosso suor. Então temos esse compromisso muito forte, ele está sim no DNA da Rede Calderaro. E, para manter esse compromisso, enfrentamos nesse período (da Band) situações como ter os jornalistas colocados em um fosso para cobrir o festival e até ter que montar a redação de A Crítica em um ambiente do bumbódromo onde antes funcionava um banheiro. Foi o espaço que a emissora e o Governo do Estado nos cedeu. Mesmo assim nunca deixamos de cobrir a festa, com edições especiais do jornal A Crítica  e cobertura nos currais tanto em Parintins quanto em Manaus.

 O teor da proposta apresentada pela emissora concorrente foi divulgado à imprensa tanto pela agremiação Caprichoso quanto por veículos do grupo. Qual a principal diferença da proposta deles e a da Rede Calderaro?
Seria muito indelicado da minha parte fazer uma comparação. Prefiro que os presidentes dos bumbás, as associações, façam essa avaliação. Tenho respeito pela outra emissora, pela família e todos os profissionais que compõem a Rede Amazônica e o Amazon Sat. Tenho amigos lá. Porém, é preciso esclarecer algumas coisas. Não posso aceitar que tentem diminuir nossa equipe, nossa capacidade. Por exemplo: a nossa proposta de transmissão é pela TV A Crítica, o canal 4, o principal,  em full HD.  Também foi dito que a outra empresa teria uma capacidade técnica melhor que a nossa. Isso não é verdade. Hoje nosso transmissor analógico é o de maior potência no Estado. Nosso transmissor digital, inaugurado dia 22 de dezembro, é o maior do Estado. Nossa torre é mais nova, assim como nosso sistema irradiante. Temos hoje um parque tecnológico incomparável.

A proposta da Rede Calderaro prevê pagamento de valores aos bois?
Sim, nossa proposta contempla um aporte financeiro. Lá atrás nós já pagávamos pelos direitos de imagem, por que deixar de pagar? Não é prática nossa fazer negócio em troca apenas da divulgação da imagem dos bois. A gente entende que os artistas vivem disso, mas não dá para pagar conta com imagem. Imagem não compra comida, paga cartão de crédito, não enche barriga. A proposta financeira é uma forma de reconhecer o trabalho dos artistas e de mandar a Parintins, através do festival, investimentos para a cidade.

Essa é uma disputa entre Record e Globo?
Longe disso. Estamos falando de transmissão ao vivo pela TV A Crítica ou pelo Amazon Sat. Não há proposta de transmissão pela Globo e nem pela Record. Mas, ainda que fosse essa a questão, é preciso entender que o contexto hoje é outro. A Record briga com a Globo de igual para igual. E, em uma grande concorrência recente, o Comitê Olímpico Internacional escolheu a Record. Acho que esse exemplo dá bem a dimensão do equilíbrio de forças. Foi-se o tempo em que o Brasil tinha apenas “uma” emissora de TV.