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Feira de Artesanato Mundial

Diversidade artesanal e cultural realça primeira Feira de Artesanato Mundial em Manaus

16 países, entre eles Turquia, África, Egito, Índia, Japão, Paquistão, Peru, Quênia, Síria, Líbano, Rússia, Tailândia, Indonésia, Filipinas, Marrocos e Bolívia integraram o rol de expositores estrangeiros. Dentre as peças artesanais, os materiais produzidos contrastavam com a cultura de cada país e estado expositor 19/09/2012 às 16:21
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Recepção aos visitantes
Laynna Feitoza Manaus, AM

Diversas formas de arte foram tecidas pelas mãos da criação na 1ª Feira de Artesanato Mundial (FAM) em Manaus, disponível para visitação desde o dia 06 até 16 de setembro, no Centro de Convenções do Manaus Plaza Shopping (Avenida Djalma Batista, 2.100, Chapada, zona Centro-Sul de Manaus), nos dias da semana de 16h às 22h, e nos finais de semana e feriados, das 11h às 22h. Artesãos internacionais tiveram o talento de suas peças mesclados à produção manual de artistas nacionais e locais. A exposição encerrou neste domingo (16).

16 países, entre eles Turquia, África, Egito, Índia, Japão, Paquistão, Peru, Quênia, Síria, Líbano, Rússia, Tailândia, Indonésia, Filipinas, Marrocos e Bolívia integraram o rol de expositores estrangeiros, enquanto que as expectativas nacionais abordaram o trabalho artesanal de 15 estados do país, como Amazonas, São Paulo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Distrito Federal, Mato Grosso, Santa Catarina, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Goiás, Pará, Paraná e Tocantins. 

Entre os municípios do Amazonas participaram Barreirinha, Parintins, Manacapuru, Benjamim Constant, Silves, Juruá, Maués e Santa Isabel do Rio Negro.

A estimativa de pessoas que contemplaram a FAM girou em torno de 60 mil até o último dia do evento. A feira movimentou aproximadamente R$ 1 milhão e 300 mil em comércio nos dez dias de exposição.

Peças artesanais

Dentre as peças artesanais, os materiais produzidos contrastavam com a cultura de cada país e estado expositor. Na recepção, 20 stands externos cumprimentavam os visitantes com esculturas talhadas de madeira, muitas compondo réplicas perfeitas de peixes amazônicos e estátuas de signos indígenas, somadas a colares e pulseiras esculpidos manualmente.

Ao ingressar no campo da exposição, situado na parte interna do Centro de Convenções, 70 stands aguardavam para apresentar suas singularidades culturais e territoriais à população manauara. Estrangeiros de diversos continentes foram acompanhados por comerciantes brasileiros, que os auxiliavam na interação com o público.

A arte manual no mundo

A diversidade dos itens expostos, que totalizaram 5.000 peças, permeou entre modelos de decoração, utilidade e culinária. Entre estes estão mosaicos de vidro, cuja colagem foi feita a mão, da Turquia. De acordo com os expositores, 3 dias e 4 pessoas são necessários para a construção e finalização da peça, que remete à ideia de lustre. Os preços variavam de R$ 200 a 300.

Ossos de camelo e chifres de búfalo estavam presentes nos itens do stand da Índia. Refinados apanhadores de salada revestidos com bronze e madrepérola custavam R$ 50. Os artigos de Istambul reluziam em centros de mesa feitos de linho e seda, seguidos dos tecidos em veludo, cujos preços também estavam na casa de R$ 200 a R$ 300.

A tenda egípcia prezou por luxo contido em porta-perfumes, tidos como rito tradicional no país. Ao contrário do que se apresenta no Brasil, os perfumes da região, segundo o expositor, possuem consistência de óleo. Ao lado, a gastronomia do Egito se mostrou forte com doces que continham um misto de sementes, como castanhas e amêndoas. 

No stand do Peru, representado pela artesã Marina da Silva, que trabalha há 15 anos com artesanato, as sementes marcaram território na confecção de colares, brincos e pulseiras. Sementes de tandejarina (fruta típica do Peru), de abacaba, buriti e patoá cumpriram a promessa de embelezar a aparência das mulheres pelo valor de R$ 5 a R$ 20.

O comerciante Mohamed Alhaffar, expositor sírio que mora há 4 anos no Brasil e que já participou da Feira de Artesanato Mundial em São Paulo, explicou o contexto histórico de seus artigos, que envolvem mantos decorativos e produtos de machetaria (caixas feitas de madeira sob produção manual).

“Os mantos de fios de ouro e seda, na Síria, são feitos por mulheres, em casa. Correspondem ao trabalho feminino que antigamente era restrito à moradia. Já a machetaria consiste em uma produção totalmente masculina, onde os homens cortam e colam as peças de madeira, junto a detalhes feitos manualmente, incluindo madrepérola em detalhes de finalização”, contou o comerciante.

A arte manual no Brasil

No rol de artesãos nacionais, estava Beto Prata, de São Paulo. Em 39 anos de artesanato e pela primeira vez em Manaus, os produtos de Beto – em sua maioria, joias – são todos esculpidos em prata.

Anéis enfeitados com druzas, turmalinas verdes, ametistas e ágatas reluziram aos olhos do público na tenda da joalheira e designer de joias Marley Ozelame, do Rio Grande do Sul. Com uma fábrica homônima que exporta para 20 países - entre Estados Unidos, Dinamarca e Alemanha – a joalheira afirmou que seu estado de origem se sobressai na produção de peças contendo raridades do solo.

Segundo Ozelame, o Rio Grande do Sul é o 4º maior pólo em pedras do mundo. O grande diferencial de suas jóias é que as pedras ficavam sobre os anéis e colares em disposição ‘disforme’, como se quisessem lembrar o formato original de pedras preciosas.

A arte manual na Amazônia

Nos stands do artesanato local, que envolviam desde doces populares ao amazônida – como balas de cupuaçu e castanha, bijuterias carregadas de penas e sementes, cosméticos faciais e corporais constituídos à base de plantas da região e produtos em base de madeira certificada -, eis os ‘Licores da Amazônia’, feitos a partir da mescla de cachaça com extrato de frutas típicas da floresta amazônica como açaí, acerola, camu-camu, cupuaçu, jenipapo, mangarataia e pitomba.

Curiosidade

A confecção dos licores caseiros reproduz uma história de 100 anos atrás, onde no município de Tefé (AM) uma senhora chamada Aldagisa e conhecida popularmente como Dona Gica casou-se com um português, que lhe ensinou a produzir os licores. Após aprender como confeccionar, Dona Gica transmitiu seu legado aos sucessores de sua família, gerando a empresa 'Licores da Amazônia'.

Confira aqui a galeria da Feira de Artesanato Mundial em Manaus