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Documentário amazonense vencedor de festival será exibido na Europa

Idealizadora e diretor do filme realizarão palestras sobre os desafios da produção 21/01/2012 às 09:50
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Filme foi vencedor na categoria curta-metragem do Amazonas Film Festival em 2011
Júlio Pedrosa Manaus

O documentário “Parente”, ganhador do Prêmio de Melhor Filme na categoria Curta-metragem do Amazonas Film de Festival, edição 2011, será prestigiado por um público especial a partir do próximo mês de fevereiro, quando a produção viajará a diversas cidades da Europa para uma série de exibições em universidades e institutos de pesquisa especializados em doenças tropicais e sexualmente transmissíveis.

O curta encerrará a sua turnê internacional com a exibição no evento da ONG Save The Children, em Londres, em iniciativa promovida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura (SEC), a idealizadora e o diretor do filme, a médica Adele Benzaken e o cineasta Aldemar Matias Júnior, ambos amazonenses, estarão junto, realizando palestras sobre os desafios da produção e os resultados do projeto de testagem rápida para sífilis e HIV em populações indígenas, trabalho que deu origem ao documentário.

“Gosto da função social do cinema. Como arte já é incrível, mas com o documentário ‘Parente’ pudemos expor uma realidade desconhecida para muitos, e poder inspirar profissionais de saúde com o trabalho é a sensação de que cumprimos a missão de comunicadores.

Afinal, documentário existe para isso”, afirma Aldemar, que aproveitará a ida à Europa para participar de um curso de documentário etnográfico em Barcelona e no Marrocos.

“Parente” mostra a realidade vivenciada por profissionais de saúde que realizam o trabalho de diagnóstico e prevenção das DST/Aids, em aldeias Tikuna e Yanomami, nos estados do Amazonas e em Roraima.

“Quando o Aldemar recebeu o prêmio, conversamos com o secretário de Estado de Cultura, Robério Braga, que ressaltou a alta qualidade do filme e dizia da necessidade de investimentos para que novas produções fossem realizadas”, conta a médica e pesquisadora Adele Benzaken.

A partir desta premiação, começaram a surgir os convites para as exibições no Exterior. “Procuramos fazer o melhor, traduzimos o documentário para o inglês e o espanhol, e partimos agora em busca de parcerias. Acho que esse exemplo e essa abertura em estimular novas produções vão abrir espaço para que outros diretores locais possam ter oportunidade.

O documentário tem essa sensibilidade de transmitir a mensagem de forma mais volátil e mais rápida”, comenta Benzaken. A dupla embarca para a Europa no dia 16 de fevereiro.

Além da comunidade científica, o filme será visto também por integrantes de organizações não governamentais, que trabalham em prol de programas de controle da sífilis e do HIV no Mundo. “Vamos realizar palestras e exibir o documentário, que expressa não só vulnerabilidade da população indígena do Amazonas, como também a capilaridade alcançada”, afirmou a pesquisadora.

Financiamento

Utilizar a linguagem do documentário para divulgação dos resultados de pesquisas científicas pode ser um novo caminho para quem faz cinema no Brasil.

“Os trabalhos de pesquisa são feitos para a sociedade e, convenhamos, é difícil para uma pessoa comum acessar um trabalho acadêmico numa biblioteca. O documentário encurta o caminho entre a produção científica e a sociedade”, opina Aldemar Matias. “Parente” é a referência para o cineasta.

“A repercussão que o filme teve é a prova de que a produção cinematográfica dá resultados excelentes. Os orçamentos dos projetos científicos deveriam incluir gastos com a produção de documentário”, afirma, lembrando que há uma massa criativa de cineastas, esperando por oportunidades.

O documentário “Parente” contou com financiamento da Fundação Bill & Mellinda Gates, patrocinadora da pesquisa. Para Adele Benzaken, normalmente os pesquisadores utilizam a escrita em periódicos científicos para divulgar os resultados dos trabalhos. “O que a gente fez foi registrar também de forma lúdica para passar a informação e sensibilizar as pessoas”, disse.