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LANÇAMENTO

Documentário de roteirista amazonense aborda a profissão de ator no Brasil

Com roteiro e pesquisa de Henrique Amud, filme conta com entrevistas de José Celso Martinez, Stênio Garcia, Cássia Kis, Letícia Sabatella, entre outros, e mostra faceta humana desses profissionais 26/11/2017 às 16:05 - Atualizado em 27/11/2017 às 10:28
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Multiartista Matheus Nachtergaele fala sobre suas experiências como ator e diretor (Divulgação)
Tiago Melo Manaus (AM)

Em tempos de pensamentos retrógrados sobre a arte e de interferências na liberdade de expressão, é sempre bom relembrar os perigos que isso acarreta e como os artistas, muitas vezes taxados de libertinos destruidores da moral e dos bons costumes, são apenas pessoas comos nós.

E foi quase que prevendo a necessidade de “exorcizar” tal imagem negativa, que a produtora Bond’s Filmes iniciou, em 2014, bem antes de todo esse cenário caótico se instaurar no País, o projeto de documentário em longa-metragem “Como Você Me Vê?”, cujo objetivo é justamente mostrar a faceta de ser humano de artistas como Matheus Nachtergaele, Stênio Garcia, Cássia Kis, Letícia Sabatella, entre outros.

À frente do registro está o quarteto fundador da Bond's Filmes: o diretor Felipe Bond, o produtor Lucas Rossi, o diretor de fotografia Roberto Macedo e o roteirista Henrique Amud. Manauara de nascença e radicado no Rio de Janeiro, Amud conta que a ideia para o documentário surgiu da curiosidade que ele tinha com a rotina dos colegas atores.

“Em Manaus não tinha muito acesso ao meio artístico, foi somente quando cheguei no Rio que tive contato com esse mundo, principalmente através da figura do Felipe [Bond], que além de diretor é ator. Acompanhava o dia a dia dele, nas audições, nos testes, nos ensaios. Daí veio a vontade de fazer um documentário que retratasse esse lado sem glamour dos artistas”, comenta o roteirista.

Verba de curta

Segund Amud, o que a princípio seria um documentário de curta-metragem, foi ganhando corpo, material e proporções; e, ao final de 2015, com 30 entrevistas gravadas, a solução foi tranformá-lo, de fato, em um longa. O problema, contudo, foi a verba curta.

“Começamos a filmar em 2014, por amor, sem dinheiro nenhum e com uma equipe compacta de amigos. Em 2015 paramos, fizemos o documentário de curta metragem 'Pluft - O Fantasminha, 60 anos' e a série documental 'Os Varandistas' para o Canal Brasil. Aproveitamos o contato para firmarmos uma parceira para o novo documentário. Eles abraçaram a ideia, liberaram uma pequena verba e finalmente, em 2016, concluímos as entrevistas", explica Amud.


Amazonense Henrique Amud está radicado no Rio de Janeiro

Montagem

Examinando a realidade da vida do ator que a grande maioria das pessoas não conhece, o ser humano comum que é movido pela paixão da arte de representar, o documentário, mesmo com a dificuldade da verba, que nas palavras de Amud “foi grande”, saiu do jeito que a equipe o imaginou. Do total, apenas dez entrevistas não saíram do papel, por conflitos nas agendas dos artistas, disse o roteirista, que prefere não revelar os nomes.

“A maioria dos contatos dos atores era de amigos nossos e, quando eles entendiam o que queríamos mostrar no filme, eles se mostravam muito dispostos a conversar com a gente”, comenta Amud.

“A maior dificuldade, portanto, não foi entrevistá-los, nem a questão financeira, mas sim montar o filme, encontrar ele na ilha de edição. Foi um proesso super democrático no qual, por exemplo, três das minhas cenas favoritas ficaram de fora porque tivemos de cortar gordura e acreditávamos que essas cenas não acrescentariam muito”, conclui ele.

Estreias no Brasil

Com lançamento mundial na última quinta-feira (23), durante a Mostra Competitiva do Plateau, na cidade da Praia, em Cabo Verde, o filme chega em solo nacional somente no início do próximo mês, durante o Festival Internacional Colaborativo Audiovisual, numa das mais famosas salas de cinema do Brasil, o Cine Odeon, no Rio de Janeiro.

“Certamente esse é o nosso maior trabalho, o que durou mais tempo para ser feito e o que deve ter a maior visibilidade. Ainda assim, temos noção que é um filme de nicho, que não arrecadará uma bilheteria estrondosa, mas ficamos felizes em saber que ele entrará no circuito comercial de cinemas já na segunda quinzena de janeiro do ano que vem”, afirma o roteirista, ressaltando que “Como Você Me Vê?” inicia sua carreira no Estação Net Rio, com distribuição da Livres Filmes.