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Entretenimento
MÚSICA

Banda Alado’s retorna aos palcos com repertório recheado de músicas novas

Grupo pisou no terreno autoral em 2011 com o lançamento do primeiro EP, “The Story Teller”. Em 2015 veio o segundo disco, “Antes Que Seja Tarde”. 12/11/2017 às 08:33 - Atualizado em 12/11/2017 às 19:06
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(Fotos: Divulgação)
Tiago Melo Manaus (AM)

Não é de hoje que bandas do mundo todo acabam, anunciam o fim das atividades, dão uma pausa na carreira, fazem show de despedida, para depois acabar voltando à ativa. A prática é comum e, na maioria das vezes, serve para os integrantes respirarem novos ares e colocarem as ideias em ordem; ou só para eles não se matarem mesmo por conta de “diferenças artísticas”.

Os exemplos são inúmeros e vão do pop brasileiro, como as meninas da Rouge, à cena independente nova-iorquina com a galera do LCD Soundsystem, passando por monstros do rock como The Who. Após uma pausa nas atividades no ano passado, agora é a vez da Alado’s anunciar sua volta. A banda, que já embalou muitas noites e madrugadas dos jovens manauaras nos meados de 2010, promete fazer um retorno de peito aberto para novas experiências.

“A Alado’s nunca me deu essa impressão de que tinha acabado. Voltar pareceu muito natural pra gente. Quando estamos juntos relembramos de coisas que passamos, falamos de música, trocamos ideias sobre o que estamos ouvindo e o que gostaríamos de estar tocando. Essa sede de palco é uma necessidade que não passa. É um vazio que nenhuma outra coisa preenche. E que saudade maravilhosa essa que eu quero matar”, comenta a baixista Rebeca Fregapani.

Sem se apresentar nos palcos da cidade desde o final de 2015, quando participou de um Indie Sessions, o grupo retorna em grande estilo para a segunda edição do evento, que acontecerá às 22h, no dia 2 de dezembro, no Bar Chopp Brahma, na av. André Araújo, Aleixo. Para a ocasião, a banda preparou um repertório inédito de músicas autorais que será tocado na íntegra. Além da Alado’s, o Indie Sessions 2 contará com os shows da Banda X e Little Jeans (tocando covers de The Kooks e Cage The Elephant, respectivamente) e a DJ Luana Aleixo nos intervalos.

Nova sonoridade

O vocalista e tecladista Queison Alves já adianta: “Estamos preparando um disco novo com as músicas novas para o retorno. A ideia inicial é de que sejam seis músicas. Já iniciamos o processo de produção e estamos ensaiando. Vamos novamente manter a parceria com o Rafael Rebelo, que produziu nossos dois primeiros discos”. O músico ressalta que, apesar de tudo já estar bem encaminhado, ainda não há uma data de lançamento prevista para o disco.

Para o guitarrista Norcírio Queiroz, a sonoridade da Alado’s é algo ainda em mutação. Algo que, segundo ele, não deve ser visto de forma negativa, “a menos que você não goste de mudanças”. Com um primeiro EP (“The Story Teller”, 2011) fortemente voltado para o indie rock nova-iorquino, e um segundo (“Antes Que Seja Tarde”, 2015) que soava completamente diferente, cheio de nuances e texturas, o terceiro disco, ainda sem nome, promete novamente fugir do óbvio.  

“As coisas mudam o tempo todo e com a gente não é diferente. Tem que haver movimento sempre e é isso que procuramos enquanto pessoas e enquanto banda, principalmente. A coisa mais empolgante de estar na Alado’s é saber que cada um pode compor e tocar o que quiser com o seu instrumento que no final sempre vamos achar um ponto de convergência. É a harmonia em meio ao caos”, afirma o guitarrista.

“A maior diferença no som começa pela formação. Que agora tem eu!”, brinca o baterista Thiago Ferreira, que pela primeira vez participa das composições de um CD da Alado’s desde o início do processo. A banda, que antes contava com cinco integrantes, virou um quarteto. “Saiu um guitarrista, mas ganhou teclados pela mão de Queison. É um clima diferente dos anteriores. Estamos soando mais intensos, urgentes e interessantes”, completa o músico.

Maduros e responsáveis 

Com dez anos de estrada, três discos lançados e shows de destaque em festivais como FIFA Fun Fest e Virada Cultural ao lado da várias bandas e artistas nacionais, a Alado’s vive um constante amadurecimento profissional e pessoal. “Estamos num momento em que a gente já sabe o que quer um do outro e onde queremos chegar”, defende a baixista.

Já calejado de tocar até de madrugada, carregar “tranqueiras” por aí, dormir até tarde, ensaiar a noite toda e pular “feito um cabrito doido” nos shows, Thiago é o mais velho da banda e o que melhor pode falar sobre a responsabilidade que a tal maturidade acarreta.

“Vi um show da Underflow há quase 20 anos na Ufam e pensei ‘cara, quero ter uma banda’. Hoje em dia, não tenho visto bandas novas provocando esse tipo de pensamento nos jovens. Daqui uns 10 anos ainda vai ter gente comentando que ia nos shows da Alado’s e se inspirando. Meio que me sinto carregando uma bandeira pra ver se algum moleque vê a gente e pensa ‘quero fazer isso’”, diz o baterista.

Mas como em qualquer banda de rock que se preze, além de tocar e fazer uma pausa momentânea na carreira, a Alado’s entende muito bem de outro assunto: de não se levar (tão) a sério. “Levantar a bandeira ou não, a verdade é que toco porque eu me sinto bem e ganho bebida no palco”, brinca Norcírio. “E para ver peitos”, diz Queison. “Tenho esperanças nisso também”, brinca Rebeca. “Só voltamos por isso, na real”, concluiu Thiago.