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E-books conquistam espaço, mas não são ameaça para impressos

Uma unanimidade entre editores e escritores presentes na 1ª Bienal do Livro Amazonas é que o crescimento do espaço dos e-books no mercado não ameaça a existência das tradicionais versões impressas 01/05/2012 às 17:37
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Bienal é um espaço recheado de opções para todos os públicos leitores
acritica.com Manaus

Paralelamente aos debates, leituras e encontros com escritores, personalidades e convidados, os visitantes da 1ª Bienal do Livro Amazonas estão aproveitando o evento para conferir e adquirir os mais recentes lançamentos em livros eletrônicos. A nova tendência atrai para o setor gigantes do mercado tecnológico e editorial como a Microsoft, que acaba de anunciar investimentos de U$ 300 milhões na produção de e-books e dispositivos para a leitura, a iniciantes como a empresa amazonense Reggo StudioDesign, que durante a mostra no Studio 5 Centro de Convenções irá lançar seu primeiro produto.

Para o designer e proprietário local Marcicley Reggo, além da imensa diversidade de recursos de vídeo, imagens, sons e músicas que podem ser explorados, as principais vantagens do e-book perante o livro impresso estão na redução de custos para o escritor e, consequentemente também para o leitor.

“Esta diferença de preços para o consumidor final ainda não é muito perceptível, mas com a popularização cada vez maior dos tablets, iPods e aparelhos celulares com acesso a Internet, os custos vão cair muito”, avaliou Reggo.

Quem também já está preparada para ingressar no universo digital é a Valer, uma das principais livrarias e editoras de Manaus e que já tem em seu acervo 160 títulos convertidos para o formato. De acordo com o editor Isaac Maciel, o projeto intitulado Valer Cultural, no qual serão lançados os aplicativos para download dos e-books e que também incluem ferramentas para a Internet e uma revista, deverá ser apresentado este ano ao mercado.

“Estamos finalizando questões técnicas e acompanhando a evolução do setor que ainda está começando. Mas tenho certeza que na próxima Bienal do Livro Amazonas, de cada dez expositores, oito já terão seus próprios e-books em diversos estilos e gêneros”, acrescentou Maciel.

O Governo do Estado, por meio do projeto Mania de Ler, também investiu no universo digital. Apenas este ano, a meta é disponibilizar 300 livros eletrônicos (100 lançados na Bienal) publicados pela Secretaria Estadual de Cultura e outras obras históricas sobre a economia, política e literatura amazonense para download por meio de um aplicativo gratuito na Apple Store.

De acordo com o desenvolvedor do programa, Alberico Gomes, a facilidade de manuseio e de acesso às obras em qualquer lugar são as principais vantagens do produto.

Quem já comemora os lucros do crescimento do setor são os distribuidores e editores de livros eletrônicos destinados ao público infantil como a Tupinambá Livros, que vende uma média de 100 maletas interativas digitais por dia na Bienal. O produto, que inclui CD’s e DVD’s de leitura, jogos e até desenhos animados com histórias de ídolos da criançada como Ben 10 e personagens clássicos como Os Smurfs, Chavez e Garfield, custa R$ 10.

Uma unanimidade entre editores e escritores presentes na 1ª Bienal do Livro Amazonas é que o crescimento do espaço dos e-books no mercado não ameaça a existência das tradicionais versões impressas. “Sou um apaixonado por estas novas tecnologias. Tenho dois aparelhos com centenas de livros em cada um e até escrevo algumas vezes neles. Acredito que há espaço para todos”, avaliou o amazonense Márcio Souza.

Para Antônio Torres, que tem seus livros traduzidos em 11 países, condecorado com o título “Chevalier des Arts et des Lettres” pelo governo de França e que no ano passado concorreu a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, a Internet e os livros eletrônicos não são ameaças uma vez facilitaram a leitura, a divulgação e aquisição de obras, inclusive as impressas.

“Mesmo para quem não tem o hábito de ler no computador, agora tem a chance de comprar on line de qualquer lugar do País ou do mundo, mesmo que não exista uma livraria a quilômetros de distância”, explicou Torres, que entre suas várias atividades, é curador da biblioteca virtual “Nuvem de Livros”, com mais de 5 mil títulos disponíveis para download.

A 1ª Bienal do Livro Amazonas integra o programa ‘Mania de Ler’ do Governo do Estado do Amazonas, com patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura do Amazonas (SEC), patrocínio da Visitação Escolar da Eletrobras, apoio cultural da Secretaria de Estado de Educação do Amazonas (Seduc), apoio institucional do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), e realização da Fagga | GL exhibitions.