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Entrevista completa com integrantes do Krisiun e Claustrofobia

Max Kolesne e Alexandre de Orio aproveitam show em Manaus na sexta-feira (1) e comentam sobre seus respectivos trabalhos e qual o cenário atual do metal extremo no Brasil. 26/02/2013 às 20:04
Show 1
Krisiun não deixa pedra sobre pedra em seus shows
Bruno Strahm Manaus (AM)

As bandas Krisiun e Claustrofobia realizam show em Manaus na sexta-feira (1) no Tatau Show Club, Avenida Tefé, Japiim, Zona Leste de Manaus. Por e-mail, Max Koslene, baterista do Krisiun e Alexandre de Orio, guitarrista do Claustrofobia, responderam à perguntas da reportagem.

Kolesne fala um pouco da história da banda, sua técnica na bateria e também sobe as peculiaridades do último álbum da banda, ‘The Great Execution’, lançado em 2011.

Já De Orio conversa mais sobre a proposta de seu livro “Metal Brasileiro: Ritmos Brasileiros Aplicados na Guitarra Metal – Novos Caminhos para Riffs de Guitarra – Volume 1 - Samba Metal”, um prato cheio aos músicos instrumentistas que se interessam sobre diferentes ritmos e estilos. Confira!


Quantas vezes o Claustrofobia já tocou em Manaus?

De Orio: Apenas uma vez e isso foi em 2010. Dia 1° de março agora será a segunda vez. Estamos na expectativa! Tenho certeza que será animal!


Esta é sua primeira obra?

De Orio: Este é o primeiro volume da Série intitulada “Metal Brasileiro: Ritmos Brasileiros Aplicados na Guitarra Metal – Novos Caminhos para Riffs de Guitarra – Volume 1 - Samba Metal”. No site encontrará um vídeo release em que falo do livro e toco algumas partes dele. Há também um breve texto sobre o projeto e exemplos que contém no livro.  Pode ser comprado também pelo site.

Como surgiu a ideia de escrever o livro?

De Orio: Antes de qualquer coisa, eu sempre procurei diferentes elementos pra compor certos riffs pra minha banda, o Claustrofobia. Isto se deve principalmente de ter feito faculdade e pós-graduação em música e estar sempre em contato com trabalhos, pesquisas etc, e também por fazer alguns trabalhos como sideman tocando outros gêneros musicais como jazz, samba, choro etc. Mas a ideia do livro nasceu quando comecei criar riffs sobre diversas levadas extraídas de livros de bateria. Encontrava formas de execução na guitarra utilizando o material desses livros como “pano de fundo”. Passei a catalogar as ideias que criava e as levadas de onde retirava a informação. Quando percebi que tinha algo interessante, que não existia um material desse tipo no mercado, 'bateu' esse insight de transformar tudo isso em uma Série, na qual trabalharia com diferentes ritmos. Então, primeiramente explorei apenas o samba e suas ramificações, mas tudo direcionado ao metal. Há dois objetivos principais, um está ligado à parte técnica, principalmente de movimentação de mão direita, palhetada. Minha execução melhorou muito após esses estudos. E o outro objetivo é ajudar no processo criativo. Eu diria que é como um 'empurrão' para inspiração. Quando criava usando esse procedimento, percebia que pintava umas ideias diferentes, me levava para outros lugares. Aos poucos fui complementando o livro com sugestões de estudos, dicas. Então, escrevi uma breve parte histórica de alguns ritmos e ramificações que apresento no livro.

Você acredita que ainda há preconceito no Brasil com músicos do gênero?

De Orio: Com certeza. Não só neste gênero, mas em qualquer outro. Sempre haverá um pré-conceito. Acredito que melhorou bem. Falo inclusive por conhecimento de causa, pois é bem maior o volume de mensagens e críticas positivas às negativas em relação ao assunto do livro. Hoje em dia o público, os músicos e os críticos estão mais “cabeça aberta”.


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Quais os desafios de manter uma banda que não tem um som comercial na ativa durante tantos anos?

Kolesne: Apesar de não fazermos um som ‘comercial’, temos uma legião fiel de fãs no mundo inteiro e é isso que mantém a banda. Mesmo com mais de 15 anos representando o Metal brasileiro pelo mundo, nunca tivemos apoio da mídia. A grande mídia e a secretaria da cultura só apóiam lixo. O Krisiun continua crescendo e evoluindo alheio a este mundinho medíocre que é a ‘cena musical’ brasileira.

Em uma entrevista para o Jornal A Critica de Manaus, Jão do ‘Ratos de Porão’ disse que vocês são um dos pilares do som extremo no país. Como você vê o futuro cenário musical deste segmento no Brasil?

Kolesne: O Metal extremo está crescendo e ficando cada vez mais forte, no nosso ultimo disco, por exemplo, conquistamos muitos fãs de outros seguimentos dentro do metal, pois é um disco que apesar de ser extremo e brutal, tem fortes influencias do Metal clássico, é um disco que soa oldschool com riffs e vocais marcantes. Acho que o caminho é esse, fazer musica de verdade, e não se preocupar só com a técnica ou com quantas notas por minuto se consegue tocar. O metal extremo estava ficando estagnado por que muitas bandas só estavam se preocupando em tocar milhões de notas e riffs em uma musica, soando artificial e sem ‘feeling’, você escutava um CD de determinada banda e não conseguia lembrar de um riff sequer. O ‘The Great Execution’ veio na contra-mão, com uma sonoridade natural e resgatando a verdadeira essência do metal. Acho que este é o caminho.

Acha que as bandas de brutal death – e de metal extremo em geral - latino americanas levam algo de diferente para este som predominantemente dominado por europeus?

Kolesne: Com certeza, as bandas daqui tem mais crueza e mais pegada. Particularmente, na atualidade eu prefiro as bandas extremas do Brasil de que as da Europa. Tem muita banda gringa superestimada.

Como você desenvolveu seu estilo até vir a ser considerado o baterista mais rápido e pesado do mundo?

Kolesne: Sempre gostei muito de tocar, tocar bateria me faz sentir ‘vivo’, é uma paixão muito grande. Então pra eu sentar na batera e ficar tocando por horas é um enorme prazer, toco com paixão e muita energia, e pra mim este é o segredo. Obviamente pra desenvolver uma técnica apurada é necessário muito treino e dedicação. 

Algumas pessoas ainda acreditam que você usa auxílio de bateria eletrônica?

Kolesne: Acredito que não, pois ao vivo executamos as musicas mais rápidas do que no disco. Temos um ótimo operador de som, que faz a banda soar com clareza e peso ao vivo, então se alguém tiver alguma duvida é só ir ao show do Krisiun.