Publicidade
Entretenimento
Vida

Escritor e professor amazonense fala sobre necessidade de políticas públicas para leitura durante Bienal do Livro

Allison Leão é professor de Letras na UEA e já publicou dois livros, além de ter sido jurado em prêmios nacionais e internacionais de literatura 04/05/2012 às 20:50
Show 1
Allison, que é doutor em Literatura Brasileira Comparada, atualmente dá aula na UEA
Mariana Lima Manaus

O escritor e professor de Literatura Brasileira da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Allison Leão, fala, criticamente, nesta sexta-feira (4), sobre a situação da Literatura Amazonense Contemporânea no Amazonas. A falta de leitura e de críticas sobre as obras são os temas mais debatidos por Allison, que é formado em Doutor de Literatura Brasileira Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

“Eu acredito que nós vivemos uma época da literatura amazonense em que precisamos de escritores medíocres. Temos pouquíssimos leitores e o olhar social das pessoas para as pessoas que escrevem é muito ingênuo. A pessoa que escreve é considerada um gênio, pois há pouquíssimos escritores no Amazonas o que faz com que a profissão seja algo ‘excepcional’”, comenta Allison.

O crítico literário que já participou de bancadas de importantes prêmios literários nacionais e internacionais afirma que eventos como a Bienal do Livro precisam ser vistos com cuidado. “Há uma falsa impressão de que eventos como este podem melhorar os índices de leituras dos amazonenses, brasileiros. Eu acredito que esse tipo de evento, do jeito que está sendo feito, é mais uma festa, uma feira. Não podemos pensar que os programas criados pelo governo, por exemplo, de incentivo a leitura que possuem prazos para começar e terminar são o suficiente. É necessário se pensar em políticas públicas para educação e leitura”, afirma.

O escritor lembra a necessidade na naturalização do hábito de leitura. “Nós não temos um público leitor crítico. Quase não temos um leitor. Para a literatura isso é muito ruim, pois o escritor acaba sendo mistificado sem necessariamente ser bom”, diz Allison.

Sobre as atuais produções literárias do estado Allison lembra que a literatura amazonense não é algo gentílico e que atualmente, tem sido feita até mesmo por pessoas que não nasceram no Estado. “Vemos pessoas que não nasceram ou que não moram mais aqui e abordam os problemas do Estado. Pessoas como a Vera do Val e o Milton Hatoum que levam a literatura amazonense para outros estados e paises Essa situação não é de agora, a história da nossa literatura começou com portugueses escrevendo sobre o nosso Estado. É necessário se ter em mente o que é literatura amazonense e qual é essa noção de contemporaneidade”, completa.

Allison irá debater o assunto com a escritora vencedora do prêmio Jabuti, Vera do Val, às 19h30 desta sexta-feira (4) durante o Tacacá Literário da 1ª Bienal do Livro.