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Escritor promove encontro de artistas e intelectuais em Manaus

De acordo com o livro “O Chá do Armando em prosa e verso”, os encontros às sextas-feiras iniciaram na gestão de Max Carphentier, dez anos atrás 23/03/2013 às 10:09
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Escritor e artífice dos encontros, Armando de Menezes (à esquerda) e um dos frequentadores, o poeta e jornalista Jorge Tufic
Rafael Seixas ---

Encontro de intelectuais, artistas, pensadores e, claro, amigos! Assim é o Chá do Armando, reunião promovida pelo escritor Armando de Menezes, às sextas-feiras, a partir das 17h, desde o ano de 2003. Atualmente é realizada num prédio pertencente à Universidade Federal do Amazonas (Ufam), situado na avenida Joaquim Nabuco, Centro, logo após o arcebispado.

“Já passamos por vários lugares. Começamos na Academia Amazonense de Letras (AAL). O nome Chá do Armando surgiu quando o Max Carphentier, à época presidente da Academia, levantou e disse: ‘Na próxima sexta-feira não terá o Chá do Armando, porque é feriado’. Depois passamos a ter esse encontro no Ideal Clube, em seguida num prédio na Joaquim Sarmento, depois na casa do nosso amigo Anísio Mello, até que ele desapareceu, Deus o levou. Então passamos para esse prédio da Joaquim Nabuco, da Ufam, que é cuidado pelo artista plástico Noleto da Silva”, disse Armando de Menezes, que é o organizador do evento e responsável pelo “chá” servido – na verdade é uísque 8 ou 12 anos.

Noleto da Silva também costuma ir para a cozinha, e entre os pratos que costuma fazer estão feijoada e frango ao curry. “É um encontro onde não há maldade, onde há cultura, onde um poeta pode chegar e recitar os seus poemas”, disse o organizador.

O início

De acordo com o livro “O Chá do Armando em prosa e verso”, organizado por Almir Diniz, os encontros às sextas-feiras iniciaram na gestão de Max Carphentier, dez anos atrás. Após uma reunião da AAL, Menezes fez o convite para um bate-papo. Foram ao Bar do Armando e dali para a Loppiano. Neste local, foi lançada a ideia de se realizar encontros semanais, como aquele, na AAL, para regalos literários no estilo saraus antigos, tão do gosto de Carphentier.

Temas e conversas


O escritor e poeta Dori Carvalho é um dos frequentadores da reunião

“Fico torcendo para chegar a sexta-feira. O Chá do Armando é uma reunião, mas lá é como se fôssemos irmãos. A gente briga, se esgana, mas tudo fica bem. É bom que a gente discuta, porque surgem ideias novas e é instigante conversar com pessoas como aquelas”, disse o poeta Zemaria Pinto, um dos frequentadores. “Conversamos sobre literatura, cinema, música, política, falamos mal da vida alheia, dos ausentes (risos)”, destacou Pinto, que fez uma poesia em homenagem ao Chá do Armando (leia a peça Trecho).

Além dele, o encontro conta com nomes como Antônio Diniz, Maury Marques, Almir Diniz, Roberto Mendonça, Dori Carvalho, Pedro Lindoso, Simão Pessoa, Bruna Arce, Miguel Angel, entre muitos outros.

O idealizador

Zemaria Pinto considera ainda o anfitrião da festa uma “pessoa fantástica”. “Só para sintetizar, falei num livro que quando crescesse queria ser como o Armando. Ele transforma todas as adversidades em coisas boas, tem o poder de não se irritar. Aliás, ele é o apaziguador das nossas constantes brigas”, finalizou o poeta, aos risos.