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Cultura, Literatura, Bienal do Livro do Amazonas, valter hugo mãe

Escritor valter hugo mãe é atração da 1ª Bienal do Livro do Amazonas

Encontro será realizado de 27 de abril a 6 de maio no Studio 5, contando com mais de 50 convidados 09/04/2012 às 10:09
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valter hugo mãe é considerado por muitos críticos como o principal expoente da literatura portuguesa na última década
Rafael Seixas Manaus

A1ª Bienal do Livro Amazonas contará com grandes feras do mercado literário e o primeiro nome confirmado internacional foi o de valter hugo mãe – com letras minúsculas mesmo, como ele escreve e assina em seus trabalhos –, o qual conversou com exclusividade com a reportagem de A Crítica.

A Bienal será realizada de 27 de abril a 6 de maio no Studio 5, localizado no bairro Japiim, na Zona Centro-Sul de Manaus,  contando com uma vasta programação cultural, composta pelos espaços “Tacacá Literário”, “Livro Encantado”, “Floresta de Livros” e “Território Livre”.

Bagagem cultural
Autor com extensa bagagem cultural e ícone pop em sua terra adotiva (Portugal), valter revela que está contente com o convite para participar desse encontro.

“Nunca tive no mítico reino encantado do Amazonas. Vou esperando poder ver algo e encher os olhos e os ouvidos dessa natureza e dessa cultura. Participarei de uma conversa informal. Tentarei corresponder ao que me for pedido, perguntado. Não me foi pedido que preparasse nada”, conta valter hugo mãe.

Vitória
De origem angolana, o também artista plástico, DJ e vocalista de uma banda, hugo conquistou o mundo com obras como “o remorso de baltazar serapião” – por este livro ganhou, em 2007, o prêmio internacional José Saramago, o principal da língua portuguesa –, “o nosso reino” (2004), “o apocalipse dos trabalhadores” (2006), entre outras.

Os quatro primeiros romances completam um ciclo que percorre o período normal de uma vida, de 8 anos a 84 anos. Para o autor, a população de Manaus deve ficar muito feliz por já está conseguindo desenvolver essa Bienal com exatidão, pois é uma ação de suma importância intelectual.

“Parece-me algo de que uma região se deve orgulhar profundamente. A cultura é a identidade de um local, de uma gente. Apenas a cultura pode explicar essa coisa complexa e muito abstrata que é a alma das pessoas. Lutar por uma bienal do livro é como lutar por chegar à maturidade. Uma maturidade que também é feita de saber mais, saber guardar, saber contar”, diz.

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E ficou curioso para saber o motivo dele assinar o seu nome e suas produções com letras minúsculas? Sim! Mas não pergunte isso para ele, pois valter já fica, como o próprio diz, antipático e sem paciência quando lhe perguntam isso. E recomenda uma pesquisa no Google para obter a resposta.

O fato é que, para ele, as minúsculas vão ao encontro da oralidade e do modo como pensamos e pretendem alcançar uma ideia de igualdade e certa aceleração na leitura.

E é melhor não perder a passagem do autor pela capital, porque o seu próximo projeto, que é um romance, não será publicado antes do final de 2013, podendo se estender até 2014. Essa futura publicação contará a história das aventuras íntimas com a solidão de uma menina islandesa.

Duas perguntas para valter hugo mãe


Como você analisa o atual mercado literário mundial?
Sempre muito confuso. Mas também acredito que em todo o tempo foi confuso. Tudo acontece mais rápido do que a nossa mudança. Mudamos muito lentamente se comparados com o mundo. Precisamos aceitar melhor que isso seja assim. E sempre regressar ao que importa, o momento da criação, que deve ser impoluto, sempre livre, sem mercado.

Qual é o segredo para se escrever um bom livro, independente do gênero?
Pois, não sei se existe assim um segredo, algo que se possa explicar como fórmula. Eu sempre procuro textos que me pareçam genuínos. Creio que é isso que gosto de sentir num livro. Que me pareça um trabalho muito pessoal, com a espontaneidade possível identificando um universo único, que o autor constrói como se fosse a construção essencial da sua própria vida.

Passagem pelo Brasil
Em 2011, o angolano esteve no Brasil e conquistou a plateia com sua apresentação arrebatadora na Festa Literária de Paraty, no Rio de Janeiro. Ele também foi um dos primeiros selecionados para participar do inovador projeto no qual escritores são convidados a passar uma noite no quarto e dormir na cama que pertenceu a Fernando Pessoa para depois elaborar um texto sobre a experiência

Visitas
São esperados 200 mil visitantes na Bienal. Eles vão conferir em dez dias de evento 60 expositores e 50 autores convidados. Os preços dos ingressos para o evento custarão R$ 2 (inteira) e R$ 1 – meia entrada para estudantes e idosos.